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“A crítica não é exatamente a pessoa do governador, é o modelo”, afirma Lúcio

Por Kelly Hekally e Gabriela de Palhano

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Sétimo entrevistado do videocast Caráter, Lúcio Gomes visitou O Estado nesta quinta (25) e fez ressalvas ao modelo de secretariado de Elmano de Freitas, disse por qual razão optou pela campanha da oposição e defendeu artifícios da iniciativa privada dentro da gestão pública. Confira trechos da entrevista, que estará disponível nesta sexta-feira (26), a partir das 19 horas no YouTube @jornaloestado.

CARÁTER: Qual é o seu caráter?
LÚCIO GOMES: 
Eu sou uma pessoa que procura servir. Estou sempre procurando ser um facilitador. Mas também, por outro lado, não gosto de prometer o que eu não posso atender. Tem sido assim na minha vida inteira. Tenho 67 anos, e há mais de 40 anos tanto na iniciativa privada, onde eu passei quase 20 anos, quanto no serviço público. Ficou aí um misto de quase metade e metade. Trabalhei na iniciativa privada na área de vendas, sempre contatando clientes, tornando a ouvir sempre. Fui muito treinado, como se diz, no chão de fábrica, mas também no serviço público. 

CARÁTER: Por que você escolheu o projeto da oposição?
LG: Eu sempre estive acompanhando o Ciro. Inclusive, em uma campanha de presidente [de Ciro], me licenciei da iniciativa privada e fui de corpo e alma para a campanha tentar ajudar. Eu tenho acompanhado o Ciro até pela própria proximidade das idades. O Ciro é o mais velho, eu sou o segundo, e depois do papai foi o Ciro que abriu todas essas oportunidades para esse grupo que cresceu tanto que acabou se dividindo […] Até hoje, mesmo Ciro não disputando uma campanha nacional, há quem reforce que a campanha estadual tenha uma conotação federal. O nosso foco, de fato, tem sido a campanha estadual e toda a problemática do Estado do Ceará.

CARÁTER: Quais são exatamente neste momento os passos da pré-campanha?
LG: Nesse período, a gente até precisa saber mais o que é que não pode fazer do que o que pode fazer. Porque qualquer coisa que se faça movimentando recursos expressivos, que chamem muita atenção, isso aí vai ser uma infração à legislação. Nós temos procurado, nesse período, mais fazer reuniões e anunciar a pré-candidatura dele. E é isso que nós temos procurado fazer.

CARÁTER: O senhor é pré-candidato a deputado federal?
LG: Eu sou filiado ao PSDB, praticamente junto com o Ciro, um tempinho depois. Eu era filiado ao PDT. Não, eu não pretendo me candidatar a nada. 

CARÁTER: Quais são as críticas concretas da pré-campanha à economia?
LG: Eu não me sinto assim muito confortável para entrar, como se diz no jargão, no buraco do queijo da economia, porque é um pouco diferente do Ciro […] Nós temos na nossa equipe o deputado federal Mauro Benevides, expert no assunto […] O Ceará está hoje numa posição desconfortável de segundo estado mais pobre do Brasil, com as nossas famílias quase a metade dependendo de auxílios, de Bolsa Família, que é o que a gente não quer. Toda família quer crescer, ter seus filhos empregados, a gente faz um esforço muito (9:38) grande para que as crianças estudem e evoluam e depois que elas consigam uma colocação no mercado de trabalho. Não é, infelizmente, o que a gente tem observado. Como, infelizmente, muitos não conseguem, vários vão para a violência. O mercado, o crime organizado, acaba capturando as nossas crianças. Os nossos índices de violência, infelizmente, são os piores, quase os piores do Brasil.

CARÁTER: O deputado federal Mauro Filho e o governador Elmano protagonizaram um embate sobre números da economia com críticas deselegantes, como “Tem inveja da minha formação”. Esse nível de debate colabora com o debate necessário para a economia do Estado?
LG: É lamentável. A gente precisa que haja, de fato, conflito de ideias, de opiniões, de análises, de maneiras de enxergar os números […] Somente um expert pode discutir com outro expert, não é, no caso, desmerecer ninguém […].

CARÁTER: O fato de a campanha este ano estar caracterizada por ex-aliados em lados opostos faz com que se possa prever uma eleição extremamente polarizada nesse sentido?
LG: Isso está meio que inevitável, porque até na pré-campanha a gente já vê, infelizmente, manipulações da verdade. Eu estava falando da economia, mas isso existe em geral na política, de distorcer versões, criar versões.

CARÁTER: Ciro falou que não estaria no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro. É pelas supostas questões entre Flávio e Daniel Vorcaro ou uma relação com as possíveis candidaturas presidenciais do PSDB e do PSD?
LG: A última notícia que eu vi era que o PSDB poderia, ou poderá, ter candidato, [deputado federal] Aécio Neves. Por enquanto, essa é a perspectiva. Ciro deve seguir a linha do partido.

CARÁTER: Para o PL, claramente, é importante que Ciro apoie Flávio Bolsonaro. Ciro subir no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro vai depender então da possível candidatura de Aécio?
LG: Eu queria lembrar que depois da eleição de 2022 o Ciro tinha anunciado que não seria candidato a mais nada […] mas ele continuou aquele animal político, de estudar, de ficar indignado. Começou a se reunir com o Tasso Jereissati [PSDB] […] A coisa evoluiu e para, digamos assim, juntar melhor todas essas, as frentes de oposição, o nome acabou sendo convergido para o nome do Ciro. Hoje, a mensagem é para apresentar ao povo do Ceará uma alternativa ao modelo que hoje está sendo praticado […] A crítica é essa. Não é exatamente a pessoa do governador, é o modelo, inchado, modelo de trazer todo mundo em nome de um projeto político e não em nome de um projeto alternativo, de crescimento do Estado, que é o que a oposição, que é o que o Ciro está liderando.

CARÁTER: Quem a campanha deve realmente promover e apoiar para o Senado: Alcides ou Capitão Wagner?
LG: Nessa composição, o que está certo é o Ciro na cabeça de chapa. O Capitão Wagner para uma vaga ao Senado e o outro é o pai do [deputado federal] André [Fernandes], o deputado [estadual] Alcides [Fernandes], para a outra vaga. O Ciro já, também, nem faz segredo que tem a preferência do ex-prefeito Roberto Cláudio para Vice-governadoria. 

CARÁTER: Qual a sua pergunta para o próximo entrevistado ou entrevistada?
LG: Uma questão que deve ser bem colocada é perguntar se a pessoa que vai estar aqui, colocando a mão na consciência, também na perspectiva da desinformação, se ele está procurando liderar pelo exemplo.

Fonte Matéria

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