A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que o governo eleito reajuste aposentadorias apenas pela inflação ou altere a regra de ganho real do salário mínimo, para que seja corrigido somente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O mínimo é reajustado por uma fórmula que considera a inflação mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O ganho real é limitado ao arcabouço fiscal, que prevê aumento acima da inflação dentro do intervalo de 0,6% a 2,5%.Quando o salário mínimo é reajustado acima da inflação, benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) equivalentes ao piso, como aposentadorias, pensões e Benefício de Prestação Continuada (BPC), também têm o ganho real, o que pressiona as contas públicas. Já as aposentadorias acima do piso são reajustadas pela inflação.O documento, que será entregue aos pré-candidatos à Presidência nesta segunda-feira (22), sugere ainda a desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação. Com isso, os investimentos nessas áreas deixariam de ter percentual mínimo incidente sobre a Receita Corrente Líquida (RCL).“O contexto macroeconômico reforça essa urgência. A dívida pública aumentou de forma relevante nos últimos anos e segue em trajetória ascendente, em um ambiente de déficits persistentes e juros reais elevados. O orçamento público torna-se cada vez mais rígido, pressionado pelo crescimento de despesas obrigatórias, o que reduz o espaço para investimento e ação discricionária do Estado”, diz a proposta.A dívida pública do Brasil fechou o ano de 2025 em 78,7% do PIB. A cifra representa alta de 2,4 pontos percentuais no ano. O saldo ficou em R$ 10 trilhões, segundo dados do Banco Central.Outra proposta da CNI é voltada a revisar ou extinguir o abono salarial, benefício anual assegurado a trabalhadores que contribuem para o PIS/Pasep. Para a indústria, a política tem baixo impacto redistributivo e alto custo fiscal.


