A rejeição ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingiu 62% em abril, em meio ao desgaste provocado pela guerra contra o Irã e pela crise pública com o papa Leão XIV. Ao mesmo tempo, a aprovação do republicano recuou para 36%, o menor nível desde o início do atual mandato, em janeiro de 2025. Os números constam de pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira, que mostra deterioração relevante da imagem presidencial desde a posse.
O levantamento também captou um desgaste crescente ligado à percepção sobre o temperamento do presidente. Apenas 26% dos entrevistados consideram Trump equilibrado, enquanto 51% disseram acreditar que sua capacidade mental diminuiu. Entre os republicanos, a avaliação é dividida: 53% o veem como equilibrado, e 46% discordam. Entre os democratas, esse índice cai para 7%, evidenciando forte polarização em torno da figura do presidente.
A guerra com o Irã aparece como um dos principais vetores desse enfraquecimento político. Segundo a pesquisa, a aprovação da condução da economia por Trump caiu para 26%, em um cenário de alta da gasolina e maior pressão sobre o custo de vida desde o início do conflito, em fevereiro. Apenas 36% dos americanos apoiam a ofensiva militar contra o Irã, e só 26% avaliam que a ação valeu a pena. O sentimento de insegurança também persiste: somente 25% disseram que os ataques tornaram os Estados Unidos mais seguros. A proposta de deixar a Organização do Tratado do Atlântico Norte, defendida por Trump, também encontra ampla resistência, com apoio de apenas 16% dos entrevistados.
O embate verbal com o papa Leão XIV ampliou a pressão sobre a Casa Branca. Após críticas do pontífice à guerra e ao uso político da religião, Trump reagiu chamando o papa de fraco no combate ao crime e ruim em política externa. O líder da Igreja Católica, por sua vez, evitou prolongar a controvérsia, enquanto recebeu apoio público do arcebispo de Canterbury. No plano da opinião pública, a comparação é desfavorável ao presidente americano: cerca de 60% dos entrevistados disseram ter visão favorável do papa, contra 36% que afirmaram o mesmo sobre Trump.
Mais do que uma oscilação conjuntural, a queda na aprovação de Trump sugere que sua estratégia de confronto permanente começa a encontrar limites mais visíveis. Ao unir guerra, inflação, tensão diplomática e crises de imagem em um mesmo período, o presidente entra em uma zona de maior vulnerabilidade política. O cenário indica que, se não houver mudança de rumo, a Casa Branca poderá enfrentar meses mais difíceis, com impacto não apenas sobre a popularidade de Trump, mas também sobre a capacidade do governo de sustentar apoio interno para suas decisões.


