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Proposta de CPI do Master esfria no Congresso, e Kassio tende a negar pedido para instauração

Com o foco já voltado para as eleições de outubro, o Congresso Nacional baixou a temperatura das discussões sobre a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master, o que reduz as chances de o ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), dar uma liminar que torne obrigatória a instauração. Relator do pedido feito ao STF por senadores de oposição, Kassio está em um fogo cruzado. Os precedentes da corte autorizam o tribunal a determinar a criação de uma comissão parlamentar em caso de omissão do presidente do Senado, como ocorreu na CPI da Covid, em 2021. O entendimento particular do ministro, entretanto, aponta para outro caminho.Kassio entende que o Judiciário deve ser autocontido nessas situações e evitar interferir em questões típicas do Legislativo. Além disso, a criação da CPI do Master poderia colocá-lo sob os holofotes, em meio à notícia de que uma consultoria tributária ligada ao filho do ministro recebeu R$6,6 milhões do Master. À época da publicação do caso, a Folha de S. Paulo procurou o ministro por meio da assessoria de imprensa do Supremo. Ele não respondeu sobre o contrato do filho, mas afirmou não ter relação de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo, o magistrado pondera o custo político de enterrar a CPI do Master.O receio é de que isso seja recebido pela sociedade como uma tentativa de blindagem a si próprio e aos colegas Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, cujos elos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estão no centro da crise de imagem da corte. Ainda assim, interlocutores do magistrado afirmam que ele tende a negar o pedido. Também há a possibilidade de o mandado de segurança continuar em banho-maria, como já está há mais de 20 dias. O arrefecimento do debate no Congresso, que já não pressiona tanto pela abertura da CPI, também contribui para esse cenário. A avaliação entre parlamentares é a de que o pleito de outubro é a agenda prioritária neste momento e já mobiliza o Congresso para promover esforço concentrado de votações e sessões semipresenciais.Diante disso, uma CPI do Master correria o risco de ficar esvaziada. O magistrado manifestou a auxiliares que não gostou de ter sido sorteado o relator de um caso tão rumoroso e que preferia passar ao largo desse debate, se concentrando nos preparativos para assumir a presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A posse no cargo está prevista para maio. O timing do pedido -um dia após o plenário derrubar a decisão de André Mendonça pela prorrogação da CPI do INSS- também foi considerado desfavorável pelo entorno do ministro. Naquela ocasião, ficou explícito que há maioria no sentido de que o STF pode ordenar a criação de uma CPI, mas que a prorrogação é uma situação distinta.O próprio ministro Kassio afirmou, no julgamento, que a Constituição traz critérios objetivos e aferíveis para a criação de uma CPI, como número mínimo de assinaturas, apuração de um fato determinado e prazo certo de duração, mas que não há essa mesma clareza em relação à prorrogação. No caso da CPI da Covid, há cinco anos, o julgamento pelo plenário do STF ocorreu quando o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (hoje no PSB-MG), já havia instaurado a comissão, cumprindo liminar do ministro Luís Roberto Barroso. Portanto, o voto de Kassio não se aprofundou nessa questão.

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