Os maiores partidos políticos do Ceará projetam ampliar sua representação na Câmara dos Deputados em 2026. Para além da eleição para presidente da República e governador do Estado, o meio político também está de olho neste ano na disputa por cadeiras de deputado federal.
– Publicidade –
A eleição para a Câmara dos Deputados é estratégica. É com base no número de vagas que os partidos têm na Casa que é definido quem tem acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão, por exemplo.
Pelas regras deste ano, cada partido ou federação vai ter que obter, na eleição para deputado federal, ao menos 2,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada um. Outro caminho é conseguir eleger no mínimo 13 deputados federais, divididos entre pelo menos nove estados.
Nesse cenário, cada partido monta uma estratégia nacional em que cada estado planeja dar uma contribuição. No Ceará, as legendas apresentaram metas, de olho em conquistar espaço entre as 22 cadeiras do estado na Câmara Federal.
*Os números citados a seguir foram coletados em levantamento desta reportagem, com base em declarações públicas de lideranças dos respectivos partidos.
Mesmo sem contar com os deputados José Guimarães e Luizianne Lins, o PT do governador Elmano de Freitas (PT) projeta eleger quatro ou cinco deputados federais no Ceará. Atualmente a legenda conta com três representantes na Câmara considerando a federação que compõe junto de PCdoB e PV.
O PSB também tem a meta de eleger cinco deputados federais. Antes sem nenhum representante na bancada federal, o PSB Ceará agora tem três deputados – Idilvan Alencar, Júnior Mano e Robério Monteiro -, levados ao partido por articulação do senador Cid Gomes (PSB).
O PSD de Domingos Filho (PSD) busca conseguir mais uma vaga, indo de quatro para cinco o número de cadeiras que possui na Câmara Federal pelo Ceará.
Já o MDB do deputado federal e pré-candidato ao Senado Eunício Oliveira quer eleger cerca de três nomes para a Câmara.
O Republicanos de Chiquinho Feitosa, que também almeja uma vaga de Senado, não apresenta hoje representação na bancada federal cearense, mas quer eleger dois neste ano.
Já no campo da oposição, o PL do deputado André Fernandes (PL) fala em eleger até enrte seis ou sete federais. Quando Priscila Costa (PL) assumir a vaga na Câmara, a sigla bolsonarista irá rivalizar com o PSD o posto de partido no estado com mais deputados dentro da bancada federal, cada um com quatro.
A Federação União Progressista quer eleger cinco deputados federais pelo Ceará. Com governistas e oposicionistas, a sigla composta por União Brasil e Partido Progressistas hoje tem quatro representantes na Câmara pelo estado, após Dayany Bittencourt perder o mandato por decisão da Justiça Eleitoral.
No União Brasil, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio está no meio de um impasse porque seu partido conta com seu nome na eleição para deputado federal. No entanto, RC admite interesse em aceitar convite do pré-candidato a governador Ciro Gomes (PSDB) para ser candidato a vice em sua chapa.
Partido de Ciro Gomes, o PSDB, concentrou suas apostas na eleição de deputado estadual, mas trabalha com a previsão de eleger ao menos um deputado federal, passando a ter representação na bancada federal do Ceará. Até o momento, o nome mais citado entre os tucanos é o do ex-prefeito de Fortaleza José Sarto (PSDB).
FORÇA DOS DEPUTADOS EM ÂMBITO NACIONAL E LOCAL
A eleição para a Câmara dos Deputados traz reflexos em âmbito nacional e local. Conforme Paula Vieira, socióloga e cientista política do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem) da Universidade Federal do Ceará (UFC), o tamanho das bancadas que os partidos conseguirem fazer implica diretamente na flexibilidade em ser situação ou oposição ao governo do próximo presidente eleito.
Já a nível de Estado do Ceará, quanto maior o número de deputados federais eleitos aliados do Governo do Estado, maior será a capacidade de diálogo e influência dessa gestão em relação ao Congresso Nacional.
Além disso, a relação entre governador e bancada federal se dá também na definição da distribuição dos recursos do orçamento da União, aprovado por deputados federais e senadores. De acordo com as articulações políticas, esses recursos podem reforçar as ações da gestão, não só em âmbito de Governo do Estado, mas também das prefeituras municipais.
“Se o Governo do Estado consegue dialogar com os deputados federais, ele consegue distribuir para localidades específicas esse orçamento e assim estabelecer uma agenda de políticas públicas”, pontuou Paula Vieira.


