As indefinições em torno do clã Bolsonaro, todos filiados ao PL, resvalam no Ceará e produzem efeitos nas pré-candidaturas ao Governo do Estado, tanto do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) quanto do senador Eduardo Girão (Novo), que recebeu elogios de Michelle Bolsonaro (PL) no mês passado e os retribui com acenos à deputada federal Priscila Costa (PL), que tenta uma indicação ao Senado.
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“O que está acontecendo com ela é uma covardia. Ela está sendo preterida por um projeto familiar exatamente do presidente do partido”, afirmou ao O Estado nesta segunda-feira (1º), dias depois de subir, em Brasília, em um palanque ao lado da presidente nacional do PL Mulher e ex-primeira-dama. Michelle Bolsonaro é aliada de Priscila.
“Recebo com muita alegria esse apoio, essa confiança, porque é uma pessoa [Michelle Bolsonaro] que não se vende. Os valores e princípios dela são inegociáveis […] A Priscila é justamente desse time. Ela não chegou na política trazida por familiar, vem por mérito próprio. E, quando ela chega, chega chegando. Foi assim na Câmara de Vereadores, na Câmara Federal, quando ela já assumiu uma vez e trouxe projetos, posicionamentos firmes, coerentes com que ela sempre defendeu”, afirmou o senador ao ser questionado sobre se a sinalização a Priscila decorre de uma sintonia política do parlamentar com Michelle Bolsonaro.
Girão afirma que intenciona indicar Priscila pelo seu partido, que tem como pré-candidato o General Guilherme Theophilo. “Eu espero que seja uma alternativa, que o PL tenha pelo menos o mínimo de bom senso e respeito às bandeiras liberais, da economia, mas ao mesmo tempo conservadoras no costume […] Onde a Priscila esteve, seja na Câmara seja na Câmara de Vereadores, ela se impôs. Ela não é uma figura decorativa”, argumenta ao criticar posicionamentos do PL sem citar nomes.
“Não espero o apoio. Apenas acho que a Priscila concorrendo ao Senado tem chance de ganhar”, responde sobre eventual “moeda de troca” em sua campanha ao Palácio da Abolição.
Críticas a Ciro
Com a saída de Jair Bolsonaro (PL) da disputa eleitoral, uma vez que o ex-presidente está inelegível e preso, em caráter domiciliar, sua esposa continua a dar voz aos posicionamentos menos moderados com relação a pautas ligadas aos valores e costumes sociais.
A expansão política de Michelle Bolsonaro, contudo, tem incomodado correligionários, a exemplo de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência da República, e tucanos no Estado, como Ciro Gomes, criticado pela aliada de Priscila Costa mais de uma vez desde que a possível aliança entre PSDB e PL começou a ser ventilada.
O nome de Priscila Costa, vereadora mulher mais votada de Fortaleza em 2020 e 2024, tem sido rifado pela bancada estadual do PL e pelo PL Ceará.
Ambas as estruturas têm se posicionado na composição de alianças com Ciro pelas negociações para apoio ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do presidente do PL Ceará, o deputado federal André Fernandes. Questionado mais de uma vez por este jornal no mês passado sobre se a indicação à vaga ficará de fato com seu pai, André Fernandes não respondeu.
Nos bastidores, nomes do PSDB apontam em condição de off que acordo está desenhado cabendo a indicação a Alcides, que chegou a ser citado no palanque pelo pré-candidato ao Governo do Estado durante evento que oficializou seu nome, em 16 de maio.
Procurada pelo O Estado nesta segunda, a líder do PL na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), deputada estadual Dra. Silvana, descreve o nome de Alcides como consenso dentro da legenda no Ceará e volta a justificar a preferência pelo pai de André Fernandes como escolha pública e explícita do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dra. Silvana diz também que, se houver determinação nacional da legenda por mudança do nome, acredita que os correligionários locais serão ouvidos inicialmente, mas que de toda forma haverá respeito a uma eventual nova decisão do PL. O apoio dos caciques do PL, entretanto, foi também endereçado a Priscila, argumentou ao O Estado em março deste ano.
Durante entrevista em seu gabinete, Priscila disse ter recebido a bênção de Jair, Michelle e Flávio Bolsonaro, bem como do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Procurada também nesta segunda, por meio de sua assessoria, para comentar se vê como possível uma determinação da instância nacional do PL colocando sua pré-candidatura como oficial em detrimento da pré-candidatura do deputado Alcides, a parlamentar não deu retorno até o fechamento deste conteúdo.
Sobre as alianças em construção para sua pré-candidatura ao Governo do Estado, Girão apontou ser uma “aliança com a população, que é o que importa, e não com políticos profissionais que dominam esses partidos”.
O senador caracterizou também seu nome ao pleito como alguém em “defesa da vida, que é fundamental da família, da ética, da liberdade” e que “defenda o dinheiro de quem paga imposto, para que seja bem aplicado, sem desperdício, sem privilégio”.
“A Michelle Bolsonaro sabe do nosso trabalho, que nós somos verdadeiramente conservadores, direita, centro-direita. E o cearense precisa ter alternativa de um candidato a governador”.


