O fantasma da guerra híbrida, aquela em que o agressor disfarça suas ações para não ser acusado formalmente, voltou a rondar com força a Europa. Líderes do continente na Assembleia Geral da ONU e relatórios de inteligências apontam para uma escalada no emprego do instrumento por parte da Rússia.
“Nem todo ataque à ordem internacional parece uma guerra”, disse o presidente letão, Edgars Rinkevics, no púlpito em Nova York. “Nenhum país está imune à ameaça russa”, completou o colega lituano, Gitanas Naseda.
Ainda no Leste Europeu, o presidente romeno, Nicosur Dan, afirmou que “a Europa é alvo de uma guerra híbrida”. Seu homólogo tcheco, Petr Pavel, listou incidentes recentes no continente, como a tentativa de ataque com drone armado a aviões ucranianos no aeroporto de Leipzig.
Este episódio, ocorrido no mês passado, foi o mais grave da recente onda. A Alemanha acusou formalmente os russos pela ação. O Kremlin negou, como sempre faz nesses casos, alegando que os europeus passam por uma fase de russofobia devido ao temor de vitória de Vladimir Putin na Ucrânia.
Nessa quinta-feira (24), um novo caso foi somado à lista. A Polônia disse que o incêndio que atingiu uma base de reserva de dados do sistema de satélite privado Starlink perto da Ucrânia foi um ato de sabotagem, e que as evidências apontam para Moscou.
Os aparelhos da empresa de Elon Musk garantem as comunicações das forças de Volodimir Zelenski, e até o começo do ano eram usados de forma ilegal até pelos russos nas áreas ocupadas do leste e sul ucranianos —o bilionário americano cortou o acesso, obrigando Moscou a correr para criar sua própria constelação de microssatélites.
A lógica dos líderes repete o que já foi dito há alguns dias pelo premiê polonês, Donald Tusk, por sua colega dinamarquesa Mette Frederiksen e pelo secretário-geral da aliança militar Otan, o holandês Mark Rutte.
Segundo eles, Putin acirra sua guerra sem assinatura contra os rivais da Otan para enfraquecer o apoio deles à Ucrânia, onde sua invasão iniciada em 2022 avança lentamente e sob alto custo. Também nessa quinta-feira, o serviço de inteligência da Dinamarca divulgou relatório segundo o qual são esperados “ataques mais frequentes e com mais consequências para os países envolvidos. O texto cita ações de sabotagem contra infraestruturas críticas, como linhas de trens, com “alto risco” de gerar vítimas.


