O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou um novo e abrangente pacote de sanções econômicas contra a Rússia, aprovado nesta semana pelo Congresso americano. A legislação busca estrangular o financiamento das ações militares de Moscou na Ucrânia, mirando diretamente os setores estratégicos de energia e defesa russos, além de impor medidas punitivas contra o presidente Vladimir Putin e altos membros de seu governo.
A nova lei ataca a frota de navios-tanque utilizada pelo Kremlin para contornar restrições ocidentais e amplia penalidades contra atores internacionais que ofereçam suporte às Forças Armadas da Rússia e ao programa militar do Irã. O aspecto mais expressivo da medida, contudo, é a concessão de amplos poderes ao chefe de Estado para impor tarifas alfandegárias de até cem por cento sobre mercadorias importadas de nações que figurem entre os maiores compradores de petróleo e gás russos ou que auxiliem Moscou a escapar do cerco financeiro internacional.
A aprovação do projeto na Câmara dos Representantes, sob maioria republicana, ocorreu na quarta-feira por duzentos e sessenta e dois votos favoráveis contra cento e cinquenta e nove. A extensão do poder tarifário concedido ao Executivo gerou uma rara divisão na bancada democrata: embora apoiem a causa ucraniana, parlamentares de oposição demonstraram reticência em entregar maior controle sobre o comércio exterior ao presidente. Por outro lado, o líder ucraniano, Volodimir Zelenski, celebrou publicamente a decisão do Legislativo americano.
A redação do texto concede um prazo de trinta dias para o início da aplicação de alíquotas punitivas sobre os cinco principais compradores de energia russa. Embora analistas apontem que potências como China e Índia sejam os alvos mais evidentes, a lei evita citar países nominalmente, garantindo margem para a Casa Branca selecionar os alvos das retaliações comerciais. A Índia declarou que manterá compras por meio de fontes diversificadas, enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, tem encontro marcado com Trump para os próximos dias. Nações como o Brasil, consumidor de diesel russo, monitoram o cenário, embora Moscou tenha restringido exportações do derivado recentemente devido a ataques ucranianos às suas refinarias.
Em reação, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou o texto como uma ação hostil e alertou que novas sanções distanciam as chances de um acordo de paz. Horas após a votação, forças russas lançaram bombardeios intensos sobre Kiev e outras regiões ucranianas.


