Começa nesta semana a corrida pelas cadeiras da Esplanada dos Ministérios. Nomes cearenses estão cotados para integrar o espaço, alocado no ambiente mais poderoso do país: a Praça dos Três Poderes, em referência ao Executivo, Legislativo, representado pelo Congresso Nacional, e o Judiciário, representado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Presidente reeleito, Lula (PT) deve deixar o anúncio do organograma, a exemplo do que fez em 2022, ano em que também venceu o pleito e definiu nova estrutura para ser o apoio do primeiro escalão da gestão Lula 3, para dezembro.
No Ceará, dado como “encaminhado quase certo” está o nome do senador Camilo Santana (PT), que reuniu esforços no Estado e deu vida a uma estrutura política e comunicacional que alcançou uma virada histórica sobre o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL).
Camilo Santana, que tem a simpatia de colegas senadores, representou Lula em coletivas de imprensa e esteve ao lado do presidente nos debates do período, ocorridos na Band TV e na Globo.
O ex-governador do Ceará conquistou, nos últimos cinco anos, um vínculo com Lula após resultados exitosos na área de educação pública, legado que divide com o ex-governador Cid Gomes (PSB), a ex-governadora Izolda Cela (PSB) e, no pós, o governador reeleito Elmano de Freitas (PT), cenário que o rendeu a cadeira de ministro da Educação.
A condução da pandemia do novo coronavírus, quando bateu de frente com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que impôs medidas de riscos sanitários à população, também gabaritou Camilo Santana no recorte de postura estadista.
Desde 2022, Lula e Camilo Santana são próximos, ressalvados episódios de tensão na cúpula governista, a exemplo da resistência do senador de que o nome de Luizianne Lins (Rede), por exemplo, integrasse a majoritária de Elmano.
Após diálogo protagonizado pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, Lula e Luizianne se encontraram e bateram o martelo de que a deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza concorreria ao Senado.
Luizianne foi eleita a segunda senadora cearense a estar na “cabeça de chapa”, ou seja, eleita como titular e não como suplente. Há especulações de que Camilo Santana seja cotado para o Ministério da Segurança Pública, caso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o tema seja aprovada entre senadores e promulgada.
A possibilidade, contudo, é remota, pois já há um cotado, de perfil técnico. Como o tema é uma das áreas sensíveis do governo ante a opinião pública, a possibilidade maior é de que o presidente Lula escolha alguém fora do campo político.
Para Camilo Santana foi também citada a possibilidade de ser o craque da articulação do governo Lula 4, dado seu bom trânsito entre parlamentares. O posto, hoje, é de José Guimarães.
Seu aliado direto e eleito suplente de Luizianne Lins, Chagas Vieira (PDT), que volta às atividades nesta semana, também é um possível nome a integrar o governo, em função próxima a Camilo Santana, assim como o fez Izolda Cela e Fernanda Pacobahyba (PSB), que rumaram ao Ministério da Educação.
Moses do União
Fora do escopo de integrantes do PT, PSB e PDT, o nome do deputado federal reeleito, Moses Rodrigues (União Brasil), vem sendo colocado, como eventual indicação do partido, caso o União Brasil fique com uma vaga – a depender do acerto que Lula fará com legendas do Centrão, tudo indica que a sigla ficará com a possibilidade de, assim como no Lula 3, indicar um ministro.
Moses vem trabalhando entre os colegas a possibilidade de ser indicado, caso a possibilidade vingue. Moses Rodrigues, cujo pai é prefeito de Sobral e o filho é deputado eleito para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), compõe uma ala moderada do União Brasil de Antônio Rueda que faz agremiação com o PP de Ciro Nogueira, a Federação União Progressista (Federação UPB).
Tanto União Brasil quanto PP têm grande número de deputados federais e senadores eleitos neste ano alinhados à perspectiva bolsonarista, o que reduz a quantidade de quadros cuja eventual indicação preocupasse o governo.
Moses é próximo de Camilo Santana, mas durante o pleito deste ano não fez campanha aberta para a reeleição de Elmano no Estado e nem para o presidente Lula, sobretudo no segundo turno.
Um dos deputados estaduais do PT, quando questionado pelo O Estado na semana passada sobre a especulação, respondeu que “Moses não entregou o que prometeu e que sumiu nas eleições no primeiro e no segundo turno”.
No Ceará, a Federação União Progressista está sob controle dos ex-candidatos Capitão Wagner e Roberto Cláudio.
Numa eventualidade em que Moses alcançasse o posto de ministro, o cargo ajudaria a fragilizar a oposição no Estado, sobretudo diante de um pleito municipal que se avizinha em Fortaleza.


