O mês que deu vitória nas urnas, em primeiro turno, ao governador Elmano de Freitas (PT) se encerrou com aproximadamente dez entregas, algumas das quais para viabilizar promessa de campanha, como a isenção do Imposto de Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) a entregadores e motoristas que trabalham por aplicativos de delivery e deslocamento.
Na quarta-feira (28), o gestor enviou à Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) o projeto de lei que, caso seja aprovado, vai consolidar a entrega do gestor. Em que pese os acenos à população, rumando para a finalização de seu primeiro mandato, iniciado em 2023, a principal obra estrutural na área da saúde, contudo, segue sem entrega ou mesmo confirmação de data: o Hospital Regional de Crateús.
A unidade tem previsão de ser entregue neste semestre – o prazo foi reforçado pelo gestor em agosto deste ano, em visita às obras.
Durante entrevista em setembro deste ano, questionado pelo O Estado sobre o tema, Elmano afirmou estar no aguardo da finalização que aconteceria, segundo a licitante, até setembro e que, uma vez encerradas as obras, o hospital seria inaugurado nas semanas seguintes, caso estivesse viabilizado para funcionamento.
A Secretaria de Saúde (Sesa) do Ceará foi procurada para informar se há data de previsão de entrega e qual, mas não respondeu até o fechamento deste conteúdo. A ordem de serviço para a construção do Hospital Regional dos Sertões de Crateús foi assinada no segundo ano da gestão Elmano, com investimento de pelo menos R$41 milhões para a unidade.
A expectativa, que leva em conta sobretudo o critério geográfico, é beneficiar 292 mil pessoas, residentes em 11 municípios da região: Ararendá, Crateús, Independência, Ipaporanga, Ipueiras, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Novo Oriente, Poranga, Quiterianópolis e Tamboril.
“Temos o compromisso de entregar esse hospital no segundo semestre de 2026. Recursos não faltarão. Cargos passam, mas o orgulho que quero ter é poder voltar aqui e dizer que o nosso projeto entregou esse hospital tão importante”, argumentou o gestor à época. A obra é executada pela Superintendência de Obras Públicas (SOP).
A estrutura em vias de entrega tem estrutura, conforme projeto original, com 280 leitos, atendimento de maternidade, emergência e clínico, bem como serviços traumatológico, pediátrico, cirúrgico, obstétrico, e de neonatal. Também à luz do projeto original, a unidade de saúde terá, além do andar térreo, quatro pavimentos.
“O térreo será destinado à urgência e emergência, contendo consultórios, salas de observação, sala de procedimentos, sala de medicação e outros compartimentos. O primeiro piso terá três unidades de Terapia Intensiva e leitos de isolamento. O restante do prédio, por sua vez, abrigará enfermarias, integradas com farmácias, e shafts”, conforme comunicado do Governo do Estado.
Estruturando
O governador vai dividir os dois últimos meses do ano entre fechar o ciclo da gestão Elmano 1 e estruturar a gestão Elmano 2. Durante a semana que se encerra neste sábado (31) e marca a volta da normalidade das atividades políticas, após o fim do segundo turno, ocorrido no último dia 25, o tema secretariado do Palácio da Abolição voltou ao radar.
Na Alece, a expectativa de partidos que compuseram a gestão 1 é de ter cadeiras de volta nas pastas a serem confirmadas pelo gestor. O PSB é uma das legendas que se projetam para o retorno, em razão do desenho no decurso do mandato de Elmano.
“PSB e PT são partidos coirmãos […] É um governo de coalizão, que trabalha junto, coeso, e obviamente o PSB vai ter, como tem hoje, terá no futuro as secretarias, tenho certeza, quando o governador Elmano sentar e decidir fazer o novo secretariado e fizer o planejamento para o próximo quadriênio”, afirmou ao O Estado no último dia 27 o presidente da Alece, deputado estadual, reeleito, Romeu Aldigueri (PSB).
Na primeira metade deste mês, de volta à Alece após resultado eleitoral que não renovou seu mandato, o deputado estadual Danniel Oliveira (MDB) evitou falar sobre o tema, mas disse confiar “plenamente nas conversas, no potencial do partido e de membros que obviamente podem contemplar o Governo do Estado do Ceará”.
“Acredito que obviamente pós-eleição de segundo turno, onde claramente vamos fazer muita força para reeleger o presidente Lula, sentaremos com o governador que já nos fez uma ligação falando sobre a relação, parabenizando pela votação e dizendo que a relação com o partido continua firme e forte para o futuro”, declarou na ocasião.
Logo após vencer, Elmano sinalizou que as decisões sobre quem ocuparia cada pasta não seriam tomadas antes do segundo turno. As cadeiras são, via de regra, destinadas a nomes técnicos e a nomes que sejam vinculados a partidos políticos, a fim de garantir a coalizão e a respectiva governabilidade de um governador.
O modelo é espelhado no chamado presidencialismo de coalizão, que dá as cartas na estruturação da Esplanada dos Ministérios a cada quatro anos.
Segundo o site do Governo do Estado, o Ceará tem atualmente 33 secretarias ativas. A principal delas, ocupada outrora por Chagas Vieira (PDT), suplente eleito de senador, é a Casa Civil, que passou a ser chefiada por Flávio Jucá.
Há indefinição sobre quem ficará na posição: Chagas, que conquistou uma vaga no Congresso Nacional ao ser eleito junto com Luizianne Lins (Rede), que vai deixar a Câmara dos Deputados para assumir um assento de senadora, conquistou destaque nacional a ajudar Lula (PT) a se reeleger, com a vitória no segundo turno.
Ligado diretamente ao senador Camilo Santana (PT), o ex-chefe da Casa Civil pode, assim como Izolda Cela (PSB), compor um escalão de confiança de Camilo Santana, caso o ex-ministro da Educação ocupe um ministério.
Há indicativos de que Camilo Santana pode assumir a Casa Civil do governo Lula 4. Em entrevista ao O Estado na última quarta-feira (28), o deputado federal recém-eleito, Fernando Santana (PT), fez ressalvas quanto ao momento.
“Não estou vendo nada ainda articulado. Há muitas suposições, e a gente tem que ter muita cautela para falar sobre isso, até porque isso vai ser uma determinação do próprio presidente do que ele quer levar de ministro. Desejamos muito que o nosso líder, o senador Camilo Santana, vá para algum ministério e isso fortaleça ainda mais o Ceará […]”.
O deputado estadual em reta de fim de mandato na Alece também comentou o nome de Chagas. “É um quadro que nós temos que está preparadíssimo para cumprir missão no Ceará ou para cumprir missão em Brasília. Nos governos, no governo Elmano como secretário, cumpriu um papel fundamental, muitas vezes de bastidor”.


