O deputado estadual Fernando Santana (PT), eleito para a Câmara neste pleito com 129.248 votos para assumir mandato de quatro anos a partir de 2027, reabriu, nesta quarta-feira (26), o programa Caráter, do jornal O Estado.
Ex-secretário de Recursos Hídricos do Ceará da gestão de Elmano de Freitas (PT), o parlamentar é um nome próximo à cúpula do PT no Estado, composta, além de pelo governador, pelo senador Camilo Santana e pelo prefeito Evandro Leitão.
O parlamentar, cuja trajetória política foi iniciada em Barbalha e se vincula ao ex-governador Camilo Santana, a quem o federal recém-eleito sempre se refere como líder, vai desempenhar seu primeiro mandato com a promessa de ampliar a busca por recursos para segurança hídrica, saúde, educação e infraestrutura.
As críticas à Enel, encampadas na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) diante de problemas na oferta de energia elétrica no Estado, também vão conduzir seu mandato, aponta.
Em entrevista ao videocast que está disponível no YouTube @canaloestado, Fernando Santana comentou a reeleição do presidente Lula alcançada no último dia 25, comentou especulações de nomes cearenses para a Esplanada dos Ministérios, como os de Camilo Santana, do senador suplente eleito Chagas Vieira (PDT) e o deputado federal reeleito Moses Rodrigues (União Brasil), e criticou as campanhas de Ciro Gomes (PSDB) e Flávio Bolsonaro (PL), entre outros temas.
“Essa forma assim, descompensada, de tratar as pessoas todo mundo percebeu. Você vê a forma descompensada em que o Flávio tratou o Lula no último debate. Falando de forma pejorativa com um senhor de 80 anos… As pessoas se identificam com isso. Ninguém gosta disso. Ciro passou todo tempo atacando o governador. Você lembra no debate, colocando o dedo na cara do governador”, defendeu o parlamentar que na Câmara vai integrar a bancada governista de Elmano ao lado do PSB, PSD, MDB, PRD e Republicanos, entre outros partidos da coalizão do gestor.
CARÁTER – Deputado, qual o seu caráter?
Fernando Santana – Meu caráter é passar pela vida fazendo o bem. Tudo na vida é passageiro e a vida também é passageira. Busco na minha vida, primeiro com o homem lá de cima, eu sou muito assim com ele, com Deus, que é passar pela vida fazendo o bem. Então, meu caráter é fazer o bem às pessoas.
CARÁTER – Quais serão suas pautas prioritárias na Câmara?
FS – Primeiro, preciso falar sobre os dois mandatos de deputado estadual, que é base do que pretendo fazer em Brasília. Fui eleito em 2018 com quase 96 mil votos do povo cearense. Depois fui eleito vice-presidente da Assembleia e lá fiz o nosso trabalho, buscando sempre dar a minha colaboração na construção de um estado cada vez mais justo e melhor para a nossa população. Reeleito em 2022 com 111.639 votos do povo cearense, mais uma vez reeleito vice-presidente da Assembleia. Depois fui reeleito mais uma vez vice-presidente da Assembleia. Assumi a [presidência da] Assembleia por dois mandatos e busquei dar a minha contribuição. Estou encerrando agora oito anos de mandato, e nesses oito anos passei também pela Secretaria dos Recursos Hídricos e pude aprender muito […] Falando aqui sobre a região do Cariri: estamos construindo um hospital universitário em Juazeiro do Norte, fruto de uma demanda que este deputado estadual levou ao então ministro Camilo Santana […] Precisamos conseguir, efetivamente, como deputado federal mais recursos para que a gente possa custear os serviços desses hospitais, não só deste, mas de vários e da saúde do estado do Ceará, para fortalecer a saúde ainda mais, o governador humano puder fazer ainda mais nessa área que ele tem priorizado tanto. São pautas importantes que eu acho, a saúde, a segurança hídrica, a infraestrutura […] mas tem uma pauta polêmica. Eu vou discutir muito a manutenção ou a saída da Enel do estado do Ceará. É uma empresa que tem causado prejuízos à nossa população. Então é pauta também como deputado federal quero [debater] no Congresso. Aliás, quero agradecer o presidente Lula. A única concessão que ele não assinou foi a concessão da Enel.
CARÁTER – No governo Lula 4, o presidente vai ter que negociar com os partidos de oposição. O que o senhor acha que está sendo articulado [de ministérios] pelo que já está vendo?
FS – Não estou vendo nada ainda articulado. Há muitas suposições, e a gente tem que ter muita cautela para falar sobre isso, até porque isso vai ser uma determinação do próprio presidente do que ele quer levar de ministro. Desejamos muito que o nosso líder, o senador Camilo Santana, vá para algum ministério e isso fortaleça ainda mais o Ceará […] Eu vou falar do que já está sendo articulado na Câmara dos Deputados. Quando você vai para a esquerda e o Centrão, já formamos praticamente um blocão de uma maioria de 316 deputados. Então, acho que isso vai garantir ao presidente Lula a governabilidade. E o presidente Lula é do diálogo. Quem quiser dialogar com o presidente Lula de qualquer partido que for, o presidente vai estar pronto para dialogar. Até porque o que está que tem que ser assim priorizado é a melhoria do do Brasil, da vida do nosso povo. Se qualquer deputado do PL ou de qualquer partido quiser discutir benefícios para o nosso povo, o presidente Lula não vai se fechar. Evidentemente que nós vamos ter aí, penso, uma minoria daqueles deputados do quanto pior melhor. Nós temos uma relação muito boa, já se cogita aí nas especulações até ministro do União Brasil […] O Lula fez muito nos seus três governos, nos dois primeiros e neste ele está fazendo muito pelo povo brasileiro. A tendência é de nesse último governo ele fazer ainda mais e melhor, que ele quer deixar um grande legado ao povo brasileiro.
CARÁTER – Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami. Davi Alcolumbre está tentando encaminhar um possível indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O senhor acha isso possível que o presidente Lula faça isso?
FS – Mais uma vez a gente está falando em apaziguar, em polarização. O presidente Lula foi reeleito, o governador Elmano, no nosso caso aqui, foi reeleito, o senador Cid Gomes foi reeleito, a senadora deputada Luizianne [Lins] eleita e no meu caso eleito deputado federal. Nós temos muito que comemorar e já pensar no próximo passo que é trabalhar pelo povo brasileiro, pelo povo cearense, mas isso não nos dá o direito, nem dá o direito a ninguém, de zombar, de fazer chacota, de humilhar ou querer fazer qualquer coisa num contexto negativo com a oposição. Infelizmente, alguns da oposição não pensam assim. A campanha era chacota. Pega um celular, e se acha melhor do que todo mundo atrás de um celular. Fala o que quer e o que não quer […] Uns dizem a palavra ‘saiu fugido do Brasil’. Eu não tenho uma avaliação sobre o indulto. Acho que quem cometeu falhas ou crimes ou coisa do gênero tem que responder. Precisa responder. Todos nós somos passivos de receber um processo. O presidente Lula se entregou, foi preso, respondeu na Justiça, provou sua inocência, foi libertado e foi presidente da República novamente do país. Se ele não deve nada, ficasse aqui e provasse a sua inocência […] Tirar a votação expressiva que ele tirou agora em sua primeira candidatura para presidente da república depois de seu pai ter sido presidente e sair em menos de 48 horas do país fugido, eu acho que foragido, isso não foi bom também para quem votou nele.
CARÁTER – Se fizermos um raio-x do Senado, há 44 senadores próximos ao presidente Lula, um pouquinho mais do que os dois terços que precisa para aprovação da maioria dos projetos. Alcolumbre tenta se salvar para continuar para ser reconduzido. O senador Rogério Marinho também está no páreo. O senhor enxerga um mandato Lula 4 com certo receio dessa aproximação com Alcolumbre?
FS – Esse é um mundo novo para mim. Falo aqui do que eu leio, do que eu vejo e de alguma leitura que faço do Senado. Não tenho relação alguma com ele, então não posso opinar. Acho que ele foi ele foi no cargo muito isento e muito decente em alguns momentos. Essa atitude articulação tende a ser uma articulação muito pessoal do próprio presidente Lula. O que vai dizer de como é que vai se dar os quatro anos do presidente Lula, vai ser a forma de diálogo que ele vai exercer. E que ele faz muito bem. O presidente Lula quer deixar um legado […] A tendência é de que a maioria, mesmo que não seja absoluta, também embarque nessa boa prática de trabalhar pelo bem do povo brasileiro. Vamos enxergar a partir de fevereiro, quando estiver já em funcionamento as duas casas.
CARÁTER – O presidente Lula teve muita dificuldade para se eleger no segundo turno pela ausência de estratégia acertada nas redes sociais, na campanha e no governo. O senhor acha que essa crítica cabe aqui para as gestões do partido no Ceará, com a do prefeito Evandro que tem um opositor que já se coloca como possível adversário nas urnas em 2028, André Fernandes, como forte mobilizador digital?
FS – O segundo turno do Lula nos fez começar a acordar sobre a tecnologia que já impera nosso dia a dia e não tem jeito. As redes sociais estão ditando essa regra […] Aqui, claro, precisamos nos aperfeiçoar e acordar ainda mais esse gigante que eu falo adormecido. O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, tem feito um grande trabalho de articulação, se dá muito bem com a Câmara [Municipal], tem frequentado muitos bairros, andado muito a cidade de Fortaleza. Isso acho que é importante para esse contexto político, está próximo do povo. Ele é muito leve na tratativa, seja com a liderança, com a população, com o governador que é seu parceiro, com nosso líder senador Camilo Santana e agora com o presidente Lula. A parceria é importante para Fortaleza continuar crescendo e se desenvolvendo. Evandro está fazendo as entregas que o povo precisa para melhorar a vida em Fortaleza. O que vai também ditar a regra da próxima eleição são as entregas. O povo quer observar o que o prefeito está fazendo por eles. Cada eleição é um momento, cada disputa é um momento [..] Não é só a diferença de votos do passado que vai ditar a regra do futuro. A minha observação aqui muito franca é de que o governo Evandro está fazendo as entregas. Está no meio do povo […] Ele vai chegar muito forte lá na frente para a reeleição de prefeito aqui em Fortaleza. E quem quer ser candidato não escolhe adversário.
CARÁTER – Vimos algumas forças aumentando, como Chagas Vieira. Essas pessoas não são mais importantes aqui no Ceará do que no Governo Lula 4, eventualmente?
FS – Chagas cumpre um papel fundamental. Cumpriu em Fortaleza na eleição ajudando Evandro. Talvez poucas pessoas saibam disso. Cumpriu com o nosso governador Elmano. Estou falando das campanhas. Cumpriu agora com o presidente Lula, levado lá pelo nosso senador Camilo Santana. Então é um quadro que nós temos que está preparadíssimo para cumprir missão no Ceará ou para cumprir missão em Brasília. Nos governos, no governo Elmano como secretário, cumpriu um papel fundamental, muitas vezes de bastidor. Nós deputados muitas vezes fazemos solicitação ao governador e a ele, aos dois juntos. A gente tem a ação sim do estado em que o Chagas ajudou. Juazeiro do Norte mesmo. O prefeito é nosso opositor, e nós fizemos muito por Juazeiro com a ajuda do Chagas secretário da Casa Civil […] Sofreu muita perseguição, muita fake news […] Processou aqueles que fizeram isso, olhou para frente, trabalhou, ajudou. Está preparadíssimo, seja para trabalhar no Ceará, seja para trabalhar em Brasília.
CARÁTER – Objetivamente: a gestão do governador Elmano perde muito com Chagas fora do cargo eventualmente de retorno à Casa Civil?
FS – Se ele estiver em Brasília cumprindo o papel, vai olhar muito para o Ceará. Não tenho dúvida disso. Se ele olhar muito para o governo do governador Elmano, que ajudou muito, que é parceiro. Há muitas cogitações, para não dizer especulações. Eu desejo que Camilo seja presidente da República. É um desejo, mas para isso acontecer tem um processo, tem muito trabalho, tem muita coisa. Camilo onde tiver que cumprir o papel vai estar olhando de coração para o Ceará. O Chagas da mesma maneira. Então esses quadros que estão em ascensão política vão olhar muito para o Ceará.
CARÁTER – Senador Cid, reeleito, fez uma campanha muito forte, principalmente nos 10 últimos dias do segundo turno, pela reeleição do presidente Lula. Estão citando o nome do deputado Moses Rodrigues, que não fez gestos públicos de apoio a Lula, como ventilado para algum ministério. Se Moses for escolhido, não seria um demérito com o trabalho do senador Cid que foi tão exposto?
FS – Nós estamos aqui especulando, que ninguém sabe se é isso que vai acontecer. De fato, a gente não teve nada ainda, não escutamos nada de concreto de alguém do governo. O senador Cid teve um papel fundamental em tudo aqui do Ceará, e a gente, né, tem que dar o mérito a ele por tudo, pelo por tudo que ele tem feito. Acho que não é demérito nenhum, muito pelo contrário, até porque pelo que estou percebendo, que está sendo veiculado na mídia, é que isso se acontecer é por uma estratégia do partido [União Brasil]. O senador Cid é grande para entender se isso acontecer, se isso vier acontecer. O meu desejo é que o nosso senador Camilo Santana esteja lá no papel estratégico no governo para ajudar o presidente para ajudar o estado do Ceará.
CARÁTER – É que se Moses passa a ser ministro fortalece sua família em Sobral, onde é adversário da família de Cid…
FS – Acho que isso é um momento diferente. É evidentemente que terminou a eleição e aí todo mundo fica meio que olhando para outra eleição. Mas agora é a governabilidade. Agora é pensar em ajudar o Lula a governar, em ajudar o Elmano a governar aqui no Ceará. Está todo mundo imbuído desse mesmo sentimento. O senador Cid está imbuído desse mesmo sentimento. O que vai acontecer daqui a dois anos? Esse ano de 2027 é de ajuste de governo. Depois de julho de 2027, se começa muito a falar sobre o que vai acontecer em 2028. É prematuro a gente pensar assim, e evidentemente que no mundo da política se pensa, mas vamos ter cautela, vai dar tudo certo.
CARÁTER – Ciro Gomes fez acusações de fraude ao senhor. Como o senhor responde às acusações?
FS – O que esse cidadão falou é que eu tinha indicado diretor de um hospital, como se isso fosse uma aberração, como se isso fosse um crime. Indiquei um currículo, um médico que foi secretário de saúde, ex-deputado, vice-prefeito de Juazeiro do Norte. Foi aceito o currículo dele, passou pela banca lá de pessoas experientes, técnicas para escolher e fizeram a escolha. E ele foi diretor. Fez um baita de um trabalho, humanizou o hospital e evidentemente que isso ao invés de ser elogiado… Acho que esse cidadão estava desejando era o ‘quanto pior melhor’. Foi criticar uma indicação que eu tinha feito, Dr. Geovani Sampaio, que fez um grande trabalho humanizando o Hospital Regional do Cariri. Acho que um dos pontos em que ele se perdeu muito na campanha foi exatamente ficar toda hora atacando as pessoas, apontando o dedo, criando fake news, mentindo a respeito dos outros, gritando, como se as pessoas tivessem medo. Esse tempo de gritar ou de ganhar no grito já passou há muito tempo entre nós. Agora é o tempo do diálogo. De evidentemente ser corajoso na hora que tiver que responder algum desaforo ou qualquer coisa do tipo, mas não é disso que nós estamos tratando […] E olhe que [Ciro Gomes] já foi uma pessoa admirada no nosso estado do Ceará, mas se perdeu pela língua, se perdeu pela boca, por achar que pode atacar todo mundo, que todo mundo não presta e só ele presta.
CARÁTER – O senhor acha que em alguma medida essa campanha violenta que Ciro Gomes e Flávio Bolsonaro fizeram levaram ambos à derrota?
FS – Sem sombra de dúvida. Essa forma assim, descompensada, de tratar as pessoas todo mundo percebeu. Você vê a forma descompensada em que o Flávio tratou o Lula no último debate. Falando de forma pejorativa com um senhor de 80 anos… As pessoas se identificam com isso. Ninguém gosta disso. Ciro passou todo tempo atacando o governador. Você lembra no debate, colocando o dedo na cara do governador. O governador teve que responder à altura. Você está tratando com um ser humano… Essa falta de respeito, as pessoas estão ali. Quem mais está atento em uma eleição é o eleitor. Quem mais está atento é o povo. A população está atenta a tudo. É por isso que vários fatores nos fizeram ganhar a eleição no primeiro turno.
CARÁTER – Onde é que a sua fé se coloca dentro da sua política?
FS – Primeiro, você tem que ter Deus no seu coração. No seu cotidiano e tudo você faça, mas no seu coração. Tenho Deus no meu coração. Minha fé não é só inabalável: ela é intocável. Ninguém mexe na minha fé, ninguém fala da minha fé. Desde a infância. Fui criado pela minha mãe, Lucia Santana, pelo meu avô e minha avó maternos, seu Lourival e Dona Maria, todos católicos e todos muito praticantes. Sempre aprendi que a gente não brinca com a fé e nem brinca com a religião de ninguém. Todo mundo tem a sua e tem que ser respeitado. Então a fé é inabalável para mim. Uso a minha fé em tudo. Coloco ela na política para eu não me perder. Na política, você tem que ter um cuidado muito grande. Você pode perder inclusive a humildade. Deus me livre de ser mais do que alguém ou de me imaginar mais do que alguém. Nós somos passivos de erros, de acertos. Estou na vida pública de passagem.


