O diretor da CIA, John Ratcliffe, discutiu com o equivalente russo, Serguei Narichkin, a escalada na crise entre a Rússia e a aliança militar ocidental (Otan) durante visita a Moscou nessa terça-feira (25). Chefe da espionagem americana, Ratcliffe passou cerca de nove horas na Capital russa, em uma viagem cercada de mistérios feita em um cargueiro militar e cuja confirmação só ocorreu no dia seguinte.
A reportagem ouviu de uma pessoa com conhecimento do assunto em Moscou que eles trocaram impressões e advertências, mas num tom mais ameno do que o sugerido pela reportagem do americano Wall Street Journal. Do lado americano, a preocupação era com as informações de inteligência segundo as quais Vladimir Putin poderia atacar alvos da Otan.
A motivação seria o momento de impasse na Guerra da Ucrânia, os ataques de Kiev que geraram uma crise de combustíveis e logística na Rússia e mesmo a fraqueza americana devido à exaustão no Irã. Relatos sobre esse temor de países da Otan, em particular os mais expostos membros da aliança na região do mar Báltico, têm sido frequentes.
Nessa quinta-feira (27), o presidente Donald Trump afirmou não acreditar nessa possibilidade. “Não estou nem um pouco preocupado, não há problema”, disse ao site Axios. Depois, repetiu a repórteres na Casa Branca que “Putin não vai atacar a Otan”.
Mesmo integrantes da elite russa e do entorno do Kremlin, que passam parte do tempo tentando adivinhar o que pensa Putin, creem que o líder possa escalar o conflito e veem um embate ainda que limitado com a Otan como inevitável.
Ontem, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, chamou de “histórias para assustar” as reportagens trazendo tais cenários. Segundo ele, a Rússia não tem intenção de entrar em guerra com a Otan.
No encontro com Ratcliffe, Narichkin, um linha-dura que chefia o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeiro, na sigla russa), queixou-se da postura do novo premiê britânico, Andy Burnham, que prometeu facilitar a criação de uma fábrica de mísseis de cruzeiro com tecnologia de seu país na Ucrânia.
Para o russo, de resto repetindo o discurso público do Kremlin, isso seria inaceitável e implicaria retaliação. Ontem, a porta-voz da chancelaria em Moscou, Maria Zakharova, voltou a fazer ameaças.


