O filme “Dark Horse”, longa de ficção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), obteve o Registro de Obra Estrangeira, o ROE, da Agência Nacional do Cinema, a Ancine. Concedido em 7 de agosto, este é o primeiro passo para que a obra seja futuramente lançada no Brasil.Para ser comercializado, porém, o trabalho ainda precisa do Certificado de Registro de Título, o CRT. Segundo a Ancine, a Europa Filmes, distribuidora do longa, ainda não entrou com o pedido de emissão desse certificado. Depois disso, ainda será preciso obter a classificação indicativa no Ministério da Justiça para o filme ser exibido nos cinemas.“O Azarão”, como deve ser o título nacional, tem uma hora e 40 minutos de duração; ainda não há previsão de lançamento.O pedido de registro havia sido feito em junho. Nesse período, foi aberto um processo administrativo envolvendo a produtora Go Up Entertainment, que pode ainda gerar uma multa de R$ 2.000 até R$ 100 mil pelo fato de a empresa não ter comunicado à agência sobre as filmagens no Brasil da obra falada em inglês e dirigida e estrelada por americanos.Além disso, a Go Up Entertainment esteve no centro de uma operação da Polícia Civil, deflagrada em junho, como parte de um inquérito que apura se houve irregularidades e desvios de um contrato municipal e se os recursos foram para a equipe do longa.A suspeita é de que os recursos tenham sido desviados de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, que é dona da produtora. O contrato previa fornecimento de wi-fi gratuito a comunidades carentes.Em paralelo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, deu aval para que a Polícia Federal acesse as provas coletadas para turbinar a investigação sobre destinação de emendas parlamentares à produtora.O longa também está no centro do desgaste da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, depois de áudios em que ele pede R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para finalizar a obra.Os aportes sob investigação da PF são de autoria de deputados do PL, como Mário Frias (SP), Bia Kicis (DF) e Marcos Pollon (MS). O primeiro é apontado como um possível intermediário de Flávio nos trâmites com Vorcaro.Frias nega que os repasses tenham relação com o filme e diz que a verba era para “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”. Segundo o deputado, “não há um único centavo” de Vorcaro no longa.Os repasses de Vorcaro para o filme e as tratativas com Flávio fazem parte de outra frente de investigação, que está sob a relatoria do ministro André Mendonça.


