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Votos inválidos caem ao menor nível desde 2006 para todos os cargos, exceto presidente

Os percentuais de votos inválidos para os diferentes cargos em disputa nessas eleições atingiram o menor patamar ao menos desde 2006, exceto na disputa presidencial. Apontada como uma das prioridades do PL, a eleição para o Senado registrou o menor percentual deste século, mesma marca atingida na disputa pelos governos estaduais. A taxa também foi a mais baixa registrada nas eleições para a Câmara dos Deputados desde 2006.Os números mantêm uma queda iniciada há quatro anos, quando uma tendência de alta foi revertida. Especialistas atribuem a mudança de rota à força do Legislativo por meio de emendas e acirramento da polarização política. O cálculo dos votos inválidos soma os brancos e os nulos. Eles são descartados do resultado final da eleição. Especialistas apontam que eles podem misturar protesto, insatisfação com opções de candidatos e até erro no momento de usar a urna eletrônica.No Senado, a taxa de votos inválidos foi de 16,88%, quase dois pontos percentuais a menos do que há quatro anos, com 18,72%. Mesmo se considerados os candidatos sub judice, que aguardam decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre regularidade do registro, essa taxa seria de 17,03%, menor do que os anos anteriores. A queda no Senado chama a atenção porque neste pleito foram definidas duas cadeiras, o que costuma aumentar o número de inválidos. Em 2018, último pleito nesse modelo, foram 26,9% de votos inválidos.A disputa no Senado se tornou uma prioridade para o PL em razão do interesse de Jair Bolsonaro em compor uma bancada pró-impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O principal alvo é Alexandre de Moraes, relator dos processos dos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, responsável pela prisão do ex-presidente. A legenda elegeu 19 senadores neste domingo (4) e assegurou a maior bancada da Casa, com 28 parlamentares. O PT, que tentou acompanhar o interesse bolsonarista pelas cadeiras, elegeu seis e agora conta com nove representantes no Senado.A cientista política Luciana Veiga, da FGV, afirma que a prioridade dada pelo PL ao cargo pode ser uma das razões para a queda no percentual de inválidos. “Havia um grupo de eleitores da direita mais extrema com um discurso muito articulado. ‘Precisamos votar em dois, para que os dois tenham força junto com o Congresso, para que passe o STF a limpo. É preciso afrontar o STF’. Um rancor acumulado que pode vir desde a prisão do Bolsonaro passando pelo 8 de janeiro”, disse Veiga.Apesar da queda, a taxa de invalidação para o Senado permanece como a mais alta entre todos os cargos em disputa. A cientista política atribui a esse dado histórico o fato da casa legislativa ser a mais distante dos eleitores, além de cada eleição mudar o número de cadeiras em disputa –um e duas vagas alternadamente. “Mais da metade das pessoas não sabia que teriam dois votos. Considerando que tem pouco conhecimento sobre o que faz o senador, e a cada eleição se escolhe um ou dois, a queda é significativa”, disse ela.Para a Câmara dos Deputados, o percentual de votos inválidos foi de 8,59% ou 8,89%, se considerados os anulados sub judice. A taxa é a menor desde 2006, quando 10,49% dos votos foram invalidados. Veiga avalia que a queda dos inválidos para o cargo de deputado federal pode combinar efeitos das emendas parlamentares com o uso de redes sociais. “Com as redes sociais, há uma maneira diferente dos deputados se comunicarem com seus eleitores. Com as emendas, ele coloca nas redes que escutou a demanda. As pessoas estão tendo mais contato com o cargo do deputado, com o que ele faz pela visibilidade das redes sociais”, disse a cientista política.

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