O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Thomas Shannon afirmou que a aproximação entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fortalece a posição de seu país antes da reunião entre o republicano e o líder chinês, Xi Jinping.
Trump desembarcou na China nessa quarta-feira (13) para uma visita oficial. Para Shannon, que foi embaixador de 2010 a 2013, o presidente americano chega às negociações com Pequim em uma posição mais confortável ao “consertar” a relação com o Brasil, especialmente em áreas consideradas estratégicas pelos americanos, como minerais críticos e terras raras.
“Para o presidente Trump poder entrar em suas reuniões com o presidente Xi sabendo que consertou a relação EUA-Brasil, e que é uma relação agora muito focada em minerais críticos e terras raras, será uma carta importante para Trump jogar”, afirmou Shannon em entrevista a jornalistas durante um evento promovido pelo jornal Valor Econômico em Nova York.
O ex-embaixador afirmou que a competição entre Washington e Pequim será definida pela capacidade econômica e tecnológica das potências. “A competição no século 21 será definida em termos econômicos, e o país que dominar a competição econômica será aquele que dominar a tecnologia”, disse.
Nesse contexto, o Brasil ganha importância por suas reservas minerais e pela capacidade crescente em áreas de alta tecnologia, como inteligência artificial, segundo o diplomata. Ele afirmou ainda que o Brasil pode assumir um papel relevante na estabilização das relações entre EUA e China, mesmo sem ter planejado isso inicialmente.
“Acho que o Brasil acabará desempenhando um papel na forma como EUA e China se relacionam, mas acredito que será um papel que ajudará a estabilizar essa relação”, afirmou. Ao comentar a posição diplomática brasileira, o ex-embaixador disse que o país historicamente busca manter “autonomia estratégica” e evitar alinhamentos automáticos com os países.
“O Brasil sempre buscou manter independência em sua política externa enquanto persegue os interesses brasileiros”, disse.
Segundo ele, os EUA precisam ampliar sua presença na relação bilateral para garantir que o Brasil consiga “seguir pelo meio do caminho”, aproveitando as relações com os dois lados.


