Por Gabriela Palhano, Letícia Saraiva e Kelly Hekally
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Em entrevista a mais uma edição do programa Caráter, do O Estado, o presidente estadual do PSD, Domingos Filho, comenta a reta final da composição da chapa de reeleição do governador Elmano, progressos de sua cidade, Tauá, e reforça posicionamento na aliança que governa desde 2006. O PSD é o terceiro maior em número de prefeitos no Ceará. A íntegra está disponível no YouTube do jornal O Estado a partir das 17 horas desta quarta-feira (3).
Caráter – Presidente, qual é o seu caráter?
Domingos Filho – É uma pergunta da gente responder com uma certa dificuldade. A expressão do caráter da gente é mais percebida pelas pessoas do que pela gente própria. Eu acho que eu guardo princípios rígidos que aprendi com meu pai, com minha mãe, com a minha família, de humildade, de amabilidade, de gostar de gente. De honradez, de dignidade. Eu acho que o traço do meu caráter está mais ou menos em um mix desses conceitos.
Caráter – Em 2022, o senhor esteve do outro lado e veio logo depois para base sem nenhuma dificuldade. É uma estratégia sua enquanto presidente da sigla de manter o partido bem ambientado politicamente no Estado?
DF – Nós sempre estivemos nessa mesma base […] Nas eleições de 2022 houve uma ruptura. O entendimento que a gente tinha era que dentro dessa essa unidade, que vinha dirigindo o Ceará, o PT indicaria o candidato a senador, Camilo Santana, o PDT indicava o candidato a governador. Os que estavam disputando esse espaço: Evandro Leitão, Mauro Filho, Roberto Cláudio e Izolda [Cela]. O PDT decidiu que o candidato seria Roberto Cláudio. Nós fizemos um acordo. Nós não tínhamos nada a ver com isso […] Porque quem tinha que resolver a candidatura dentro do PDT era o PDT […] Depois que nós celebramos a questão do acordo, evidente que mesmo procurado eu não poderia declinar de uma posição que a gente já tinha tomado em convenção, mesmo sabendo que o Elmano com o apoio do Camilo, com 80% é a maior liderança do Ceará, com o Lula com 80% puxando aqui uma chapa típica. Mas eu preferi manter a palavra que foi dada. Ficava para perder as eleições com o Roberto Cláudio, mas ia até o final […] E mesmo assim, passadas as eleições, eles buscaram uma recomposição da gente mesmo, a base. A mesma base.
Caráter – Presidente, falando justamente da composição, das lideranças: o seu partido pode levar a vice e seria com que nome?
DF – Nós estamos ainda no processo final de definição. Não existe ainda uma posição […] A Patrícia não poderia renunciar à Prefeitura de Tauá, em que exerce o seu quinto mandato, em que tem compromisso, um projeto em curso exitoso, sem ter recebido um convite. Então, se não houve o convite no tempo certo, não tinha razão de ser. Dentro das discussões, o PSD tinha que ter todos os seus nomes disponíveis. Então, qual foi a medida que tivemos junto com a direção do partido? Eu me desincompatibilizar, Gabriella [Aguiar] estava como secretária também, foi desincompatibilizada. Porque evidentemente todos os quadros do partido ficam disponíveis para o processo de composição.
“[…] Nós não tínhamos nada a ver com isso […] Porque quem tinha que resolver a candidatura dentro do PDT era o PDT”
Caráter – E aí o senhor vem a quê?
DF – Eu não posso aqui dar um passo a mais e nem é razoável que um partido chegue em um processo de definição apontando especificamente o que quer. As composições se dão baseadas em duas coisas […] Hoje temos cinco deputados federais, três deputados estaduais, o terceiro número de prefeitos, o terceiro de vice-prefeitos, vereadores etc. Segundo: o tempo de TV que é o outro grande ativo que se tem nesse processo, rádio, propaganda e quadros […] Se são quatro cargos, se o PSD é a terceira força, é muito razoável que o PSD espere participar da chapa.
Caráter – Não há dúvidas de que o PSD vai estar na majoritária. O Estado fez essa pergunta ao governador Elmano… Mas o senhor faz questão da vice?
DF – Nós não estamos apontando especificamente seja isso seja aquilo, são colaborativos.
Caráter – O que se pode fazer para expandir economicamente a região de Tauá?
DF – Na realidade, as diversas regiões do Estado. Nós temos 14 [regiões]. Uma coisa quando fui convidado pelo governador Elmano para colaborar com o seu governo como secretário de Desenvolvimento Econômico […] sugerimos ao governador, e ele fez inclusive uma alteração no Fundo de Desenvolvimento Industrial, para favorecer aqui, e a gente pudesse atuar em todas as regiões. Existem alguns investimentos que são específicos e que só cabe no campo, basicamente, porque quem escolhe é a empresa. […] Conseguimos atrair a questão da Masterboi aqui para o Estado do Ceará, para abater 1.000 animais em dia, que manda fazer um estudo em todas as regiões do Estado e diz ‘O que tá mais apropriado em Iguatu’, porque é onde mais tem boi […] A empresa atende a necessidade do Estado de acordo com os serviços […] Se é a empresa vai se situar na Região Metropolitana de Fortaleza, ela tem um tipo de benefício. Se ela ampliar a questão da distância, vai aumentando o benefício, que é para fazer com que se possa atender em todo o Estado […].
Caráter – O senhor pode falar das experiências positivas de Tauá na saúde mental que poderiam ser replicadas no governo do Estado?
DF – A Patrícia exerce hoje o quinto mandato de prefeita. Ela tem uma experiência muito grande na linha de políticas públicas. Quando ela voltou a ser prefeita na pandemia, percebeu uma questão que estava realmente no espírito das pessoas. Depressão, ansiedade, muito suicídio […] Desde 2024, o município de Tauá tem a educação emocional como disciplina obrigatória na sua grade curricular. Isso fez com que Tauá tenha sido o único município do país a ser considerado Emocidade, a cidade que cuida das emoções. Há uma rede internacional de educação emocional e bem-estar, sediada em Barcelona.
“As decisões são tomadas nos momentos devidos, de acordo com os ambientes devidos e com as circunstâncias devidas. Pode ter certeza que se houver algum avanço para que as decisões já sejam tomadas agora, [é] pela circunstância de quem concorre com a gente […]”
Caráter – O senhor já foi vice-governador, 2030 vem mais à frente. Se o PSD ficar com o posto de vice, o senhor vai em busca do “direito natural da reeleição”?
DF – Você se equivoca, embora seja justa a sua especulação, ao achar que a gente já acerta hoje o que vai fazer amanhã. Estamos há 2 meses do início da convenção e não temos a chapa ainda. Como é que nós podemos tratar isso lá adiante? Não funciona bem assim. As decisões são tomadas nos momentos devidos, de acordo com os ambientes devidos e com as circunstâncias devidas. Por isso é que se amadurece para tomar. Pode ter certeza que se houver algum avanço para que as decisões já sejam tomadas agora, neste mês de junho, [é] pela circunstância de quem concorre com a gente […] A política, eu digo, é cinética. Ainda mais rápida que a dinâmica. Ela vai mudando, e, às vezes, as circunstâncias mudando, você precisa recompor.


