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Não cabe no quintal de ninguém

Em discurso na ONU nesta terça-feira (22), o presidente Lula criticou a interferência externa na América Latina e declarou que o país não é “quintal de ninguém”. Sem mencionar os Estados Unidos diretamente, o petista fez reiteradas referências contrárias às ações do governo Donald Trump.

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“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse ele. “Diferências ideológicas não devem ser obstáculo para integração entre vizinhos. A democracia está em xeque”, seguiu, após mencionar as interferências praticadas pela “maior potência militar do mundo” (os EUA).

O assunto atravessou todo o discurso e ganhou ainda mais destaque no encerramento, quando Lula citou as eleições do próximo dia 4. Candidato à reeleição em disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente garantiu que o pleito brasileiro será transparente e competitivo.

“Um pleito no qual os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão”, seguiu. E acrescentou, em referência indireta à família Bolsonaro: “Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.”

O presidente garantiu que o país não permitirá ações de “inimigos da democracia”, sejam eles internos ou externos, contra a vontade popular. Segundo Lula, a garantia do pleito conta com a vigilância da sociedade civil e da imprensa livre, concluindo que a democracia no país pertence exclusivamente ao povo brasileiro.

“Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, continuou o presidente, que adendou o seu tradicional “a democracia brasileira pertence aos brasileiros”.

Como é tradição no evento, Lula fez o discurso de abertura entre os chefes de Estado. Em sua fala, o presidente abordou o combate ao crime organizado — pauta de grande destaque para a política dos EUA na região.

“O Brasil não subestima o crime organizado. Estamos preparados para enfrentar os criminosos. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas armas.”

Lula é um dos chefes de Estado que mais vezes discursaram na Assembleia-Geral da ONU. Em seu terceiro mandato, o presidente acumula dez participações na abertura do evento — ficando de fora apenas em 2005, em meio ao escândalo do Mensalão, e em 2010, quando se dedicava à campanha para eleger sua sucessora, Dilma Rousseff.

A viagem do presidente a Nova York ocorre sob o peso de dois contextos marcantes: a aproximação das eleições presidenciais no Brasil, marcadas para daqui a duas semanas, e o estremecimento das relações diplomáticas com a gestão Trump. O governo norte-americano aplicou sobretaxas severas a produtos brasileiros — desproporcionais às impostas a outros países — e vem sendo acusado de tentar interferir na política externa do país.

Fonte Matéria

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