O presidente Lula (PT) defendeu a conclusão do submarino nuclear da Marinha, principal projeto de energia nuclear das forças armadas, como uma questão de soberania nacional, e disse que o Brasil não pode ficar “de cabeça baixa a vida inteira”. Em discurso nesta quarta-feira (19), em Iperó (SP), onde cumpria agenda no Centro Industrial Nuclear de Aramar, ligado ao Programa Nuclear da Marinha, ele prometeu “de uma vez por todas” os recursos para terminar o projeto. A fala ocorreu quase três meses após o governo cortar R$4,4 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa.“A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra, que o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não. Que a gente vai ter voz para poder dizer: vamos competir. O que a gente não pode é ter um país desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira”, disse Lula. Ele também afirmou que a conclusão da embarcação faria com que o Brasil se juntasse aos países que estão no Conselho de Segurança da ONU, no qual a participação é um pleito da política externa do PT desde o primeiro mandato.O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, disse que o projeto permite ao Brasil se tornar um exportador de tecnologia e que os brasileiros estão de parabéns, “independentemente de política”. Ainda assim, destacou o esforço do governo federal e fez um aceno à liderança de Lula no discurso. “O senhor é o grande timoneiro desses submarinos que vão sair aqui”, disse. Em sua fala, Lula também chamou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, de “magnata” duas vezes. “Depois da descoberta de petróleo na Margem Equatorial, essa moça parece a rainha da Arábia Saudita”, disse.A visita incluiu a área de construção do Reator Multipropósito Brasileiro, empreendimento que, segundo o governo, vai quadruplicar a capacidade do SUS de produção nacional de medicamentos para o câncer.


