A Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR) aprovou nesta quarta-feira (19), em plenário, um projeto de indicação que sugere ao prefeito Evandro Leitão (PT) a reforma da Casa Frei Tito, localizada na rua Rodrigues Júnior, em Fortaleza, no quarteirão entre as avenidas Santos Dumont e Costa Barros. Por se tratar de um projeto de indicação, a sugestão não gera uma obrigação a Evandro.
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A proposição é de autoria da vereadora Professora Adriana Almeida (PT) e estava na ordem do dia para votação em plenário. O Estado foi ao lugar horas após da aprovação e encontrou o espaço com parede da fachada, grades e janelas com sinais de deterioração.
A ementa da indicação que recebeu aval dos vereadores traz em seus termos que a CMFOR “Autoriza o Chefe do Poder Executivo a realizar a reforma e restauração da Casa Frei Tito de Alencar, localizada na Rua Rodrigues Júnior, 364, no Bairro Centro, no âmbito do Município de Fortaleza”. Com a aprovação, a matéria será enviada ao Paço Municipal, sede da Prefeitura, para ciência oficial de Evandro.
Não é a primeira vez que uma solicitação de intervenção da Casa Frei Tito é objeto de debate na CMFOR. Em 2018, o hoje deputado estadual Guilherme Sampaio (PT), então vereador de Fortaleza, fez declarações em plenário sobre o tema. À época, o hoje vice de Ciro Gomes (PSDB) na chapa ao Governo do Estado, Roberto Cláudio (PT), era prefeito da Capital.
“O proprietário desse imóvel já começou a destruí-lo e isso não só aconteceu completamente porque os movimentos sociais e religiosos ocuparam o local desde o dia 10 agosto e sofreram inclusive agressão. A Câmara Municipal não pode ficar omissa diante dessa situação”, argumentou na ocasião.
O tombamento em definitivo foi realizado em janeiro de 2025, na gestão Evandro Leitão. “O imóvel é símbolo da resistência do religioso contra a Ditadura Militar e a favor da democracia”, argumenta o texto institucional por ocasião do tombamento.
Frade católico brasileiro, Tito de Alencar nasceu em 1945, em Fortaleza. A casa é o local onde o religioso morava com os pais, Laura e Ildefonso de Alencar Lima, e dez irmãos. No Brasil, Frei Tito morou em Pernambuco, Belo Horizonte e São Paulo.
Torturado durante a Ditadura Militar, conforme relatos autorais em carta escrita dentro da prisão, o sacerdote ficou exilado em um convento na França e foi encontrado morto em 1974, onze anos depois de sua saída de Fortaleza.


