O Ministério da Cultura da Itália confirmou o furto de quatro pinturas do artista renascentista Antonello da Messina (1430–1479) no Museu Regional de Messina, localizado na Sicília. A ocorrência foi registrada neste sábado (15).
Conforme as autoridades, os itens levados datam do século 15 e compreendem três painéis, dos cinco que formam o “Políptico de São Gregório” e uma delicada tábua dupla face, que traz a imagem da Virgem com o Menino em uma das faces e de Cristo em Pietà na outra. O roubo acontece justamente quando as criações de Antonello da Messina, cuja autoria é confirmada em apenas cerca de 40 obras, registram valorização recorde no mercado de arte.
Poucos meses antes do crime, o governo italiano investiu cerca de US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 78 milhões) para arrematar o quadro “Ecce Homo” durante um leilão realizado em Nova York.
O “Políptico de São Gregório” é uma obra de juventude, considerada central na trajetória artística de da Messina. Hoje, em condições delicadas de conservação, o políptico é uma obra em têmpera –e não a óleo, como os trabalhos posteriores–, datada e assinada em 1473.
A pequena tábua com o Cristo em Pietà e a Virgem com o Menino em gesto de bênção e um franciscano em adoração foi pintada entre 1465 e 1470. Em razão de suas pequenas dimensões, considera-se que tenha sido criada como pintura devocional.
As obras furtadas não são as únicas de Da Messina preservadas na Sicília. A mais célebre, “A Anunciada”, encontra-se na Galeria Regional do Palazzo Abatellis, em Palermo, onde também estão os três painéis dos Doutores da Igreja –São Jerônimo, Santo Agostinho e São Gregório Magno.
Uma “Anunciação” pode ser vista em Siracusa, na Galeria do Palazzo Bellomo. Já em Cefalù, no Museu Mandralisca, está preservado o “Retrato de um Marinheiro Desconhecido”. O prefeito de Messina, Federico Basile, afirmou que o furto foi “especialmente doloroso” por ter ocorrido durante as celebrações na cidade em homenagem à assunção da Virgem Maria.
Os furtos de obras de arte são comuns na Itália. Há dois dias, a polícia anunciou ter recuperado três pinturas dos mestres franceses Pierre-Auguste Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse, avaliadas em mais de US$ 10 milhões (cerca de R$ 52 milhões).
As peças foram roubadas em março de um museu próximo a Parma, no norte da Itália, supostamente por uma quadrilha de criminosos moldavos.
Não é a primeira vez que uma obra de Antonello da Messina é alvo de furto na Itália. Em 1974, um de seus “Ecce Homo” foi levado do Museu do Broletto, em Novara, e nunca mais foi recuperado.


