PONTO POLÍTICO
Reginaldo Silva- Ceará Notícias
O clima esquentou entre Ciro e Elmano logo no primeiro bloco do debate, com troca de acusações sobre aliados e dedo em riste.
Camilo e Chagas Vieira continuam sendo os alvos preferidos de Ciro. Elmano, por sua vez, tenta mostrar os feitos e colar sua imagem ao governo Lula.
O debate teve dois vencedores do ponto de vista da estratégia de cada campanha. Ciro e Elmano entraram no confronto tentando vencer o mesmo jogo com táticas diferentes.
A campanha de Ciro percebeu logo no primeiro debate que Elmano não é um adversário fácil de se combater. Ele conhece o governo, os seus feitos e tem todos os dados na cabeça. Não é alheio à gestão, como muitos imaginavam.
A campanha de Ciro adotou um método: desviar o foco e deixar tudo como está, porque é mais vantajoso para Ciro no momento. Daí a tática de tentar lacrar em determinados momentos do debate para desviar a atenção da prestação de contas do governador.
Foi neste contexto que surgiu a comparação do cabelo de Camilo com o de um guaxinim no debate anterior. A mesma estratégia foi mantida hoje. A utilização de termos como Elmanolândia, cabeça de prego, fulera, calango e verme, ao longo do confronto, vai além de vocábulos pejorativos. São expressões com potencial para gerar memes na internet e desviar a atenção dos temas centrais do debate.
Elmano mostrou-se mais sereno na maior parte do debate. Depois do bate-boca, foi assertivo quando disse que o Ceará não é uma ilha e que precisa ser analisado dentro do contexto do país. Também ganhou ponto ao explorar politicamente o dedo em riste de Ciro e transformar o gesto numa discussão sobre comportamento: “se trata assim um governador diante das câmeras, como reagiria diante de um cidadão que o contrariasse?”
Ciro ganha quando consegue evitar que o governo preste contas do que foi feito ao longo de quatro anos para que a população julgue suas ações. Elmano perde quando não consegue apresentar as entregas do governo.
Elmano ganha quando consegue passar serenidade, equilíbrio e seriedade nas ações. Ciro perde quando coloca o dedo na cara do adversário como forma de intimidação e passa a imagem de arrogância.
Ninguém ganha uma eleição apontando o dedo. A eleição se ganha apontando soluções para os inúmeros desafios que o cearense ainda enfrenta no seu dia a dia, seja na capital ou no interior.


