O pré-candidato ao Governo do Estado Ciro Gomes (PSDB) vem buscando se desassociar da imagem do pré-candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Aliados próximos também reforçam esse movimento, minimizando o impacto da polarização nacional sobre a eleição estadual.
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Um episódio que reforçou essa associação foi a presença de faixas e outros materiais no ato de lançamento da pré-candidatura do tucano, no último dia 16. Os materiais apresentavam a imagem de Ciro e Flávio juntos com mensagens de apoio aos dois pré-candidatos.
Durante essa terça-feira (26) os deputados estaduais da oposição que apoiam Ciro comentaram o assunto na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Dra. Silvana (PL), apoiadora de Ciro e Flávio, negou que as faixas tenham sido levadas ao evento por alguém do Partido Liberal (PL). “Eu não mandei fazer faixa nenhuma”, disse. A deputada do PL falou em uma “tentativa” de associar Ciro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que os governistas estão “assustados” com uma “onda” no estado a favor do tucano.
“A gente tem certeza que esse movimento não foi feito por ninguém daqui”, disse Felipe Mota (PSDB), em reunião entre os deputados estaduais do PSDB e do PL.
O próprio Ciro comentou o caso das faixas e atribuiu a iniciativa ao ex-ministro e senador Camilo Santana (PT). “O meu partido está especulando que vai lançar o Aécio Neves e a turma do Camilo resolveu espalhar um monte de faixa dizendo, me associando com o Flávio Bolsonaro. Eu não tenho nada pessoalmente, realmente, nada contra. Mas isso é verdade ou mentira? Mentira”, afirmou Ciro, durante evento do PSDB no último sábado (23).
A defesa do tucano, inclusive, acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), alegando “desinformação” sobre a integridade do processo eleitoral. Até o momento, Ciro tem negado apoiar a pré-candidatura de Flávio e evita relacionar a disputa nacional com a local. Por outro lado, no Ceará, o PL definiu apoio à pré-candidatura do tucano ao Governo do Estado.
A aliança com o PL tem sido amplamente utilizada pelos governistas para criticar Ciro. No sábado (23), o senador Camilo Santana questionou o opositor sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O senador negociou R$ 134 milhões com o ex-banqueiro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Por que ele (Ciro) não fala de Flávio Bolsonaro? Ele não falava tanto do (Jair) Bolsonaro? Que era ladrão, que era uma quadrilha… Por que ele fica caladinho agora? Só porque fez um acordo com o PL? Onde está o PL? Em que palanque está o PL nesta pré-eleição? Está no palanque deles”, disse Camilo durante coletiva em evento do PT.
Enquanto os governistas no Ceará usam a aliança com os bolsonaristas e, agora, as ligações de Flávio Bolsonaro com o Caso Master para criticar Ciro, o tucano e seus aliados defendem não trazer temas nacionais para a eleição estadual.
“O que temos definido é que a candidatura do Ciro vai focar no Estado do Ceará. Nós temos uma aliança para acabar com essa violência, para melhorar a saúde pública, nossa aliança é com a população para solucionar o problema de moradia e de saneamento básico. A candidatura do Ciro é incólume aos problemas nacionais, vamos tratar do nosso estado”, afirmou o deputado Heitor Férrer (PSDB), ao ser questionado sobre possíveis impactos da relação entre Flávio e o Caso Master sobre a candidatura de Ciro no Ceará.


