A Polícia Civil do Ceará (PCCE) solicitou cooperação jurídica internacional para avançar nas investigações sobre as ameaças de morte enviadas à vereadora de Fortaleza Adriana Gerônimo (PSOL). A medida foi adotada após a identificação de que os e-mails encaminhados à parlamentar partiram de um provedor localizado no exterior, o que exige mecanismos de cooperação entre países para obtenção de informações que possam levar à identificação dos responsáveis.
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A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará nesta quinta-feira (16). Em nota, a PCCE informou que a investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), responsável por rastrear a origem das mensagens.
“A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), informa que, no curso das investigações sobre as ameaças direcionadas a uma vereadora de Fortaleza, foi detectado que os e-mails encaminhados à vítima teriam sido enviados por intermédio de um provedor sediado no exterior. Diante disso, a Polícia Civil do Ceará solicitou cooperação jurídica internacional para viabilizar a obtenção das informações que subsidiem a identificação dos suspeitos das ameaças”, informou.
Segundo a corporação, as investigações continuam em andamento e contam com o apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin). A Polícia afirmou ainda que diligências e oitivas seguem sendo realizadas e que novos detalhes só serão divulgados em “momento oportuno” para não comprometer a apuração.
A cooperação internacional já havia sido defendida pelo deputado estadual Renato Roseno (Psol), correligionário da vereadora e que acompanha o caso. Na última terça-feira (14), o parlamentar afirmou acreditar que o responsável pelas ameaças contra Adriana seja o mesmo autor de mensagens semelhantes recebidas por ele anteriormente. Segundo Roseno, tanto o conteúdo quanto a forma de envio apresentam características em comum.
“Essa nova ameaça repete o mesmo padrão. Utiliza-se de um servidor sediado na Suíça como origem do endereço. Eu sei disso porque eu também fui ameaçado por um endereço semelhante a esse”, afirmou o deputado. Roseno disse ter procurado o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá, para solicitar reforço nas investigações e defender a adoção de mecanismos internacionais para identificação do autor.
Três ameaças em sete meses
A investigação iniciou após Adriana Gerônimo denunciar, no último domingo (12), ter recebido um e-mail com ameaças de morte e estupro. Segundo a vereadora, a mensagem descrevia a arma que seria utilizada no crime e citava o endereço de sua residência, além de informações sobre familiares.
Dois dias depois, na terça-feira (14), a parlamentar informou ter recebido uma nova mensagem com conteúdo semelhante, elevando para três o número de ameaças registradas em um intervalo de aproximadamente sete meses. O primeiro episódio havia sido denunciado em dezembro de 2025, quando Adriana registrou boletim de ocorrência e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.
Em nota divulgada após as novas ameaças, a vereadora afirmou que as mensagens reproduzem ataques misóginos, racistas, LGBTfóbicos, supremacistas e de violência sexual. Segundo ela, o conteúdo apresenta características semelhantes às ameaças recebidas no fim do ano passado e reforça a necessidade de identificação dos responsáveis.
O caso também motivou manifestação do governador Elmano de Freitas (PT), que determinou, na terça-feira (14), às forças de segurança prioridade nas investigações. Nas redes sociais, o chefe do Executivo estadual afirmou que a Decrin acompanha o caso e que determinou “todo o rigor necessário para identificar e entregar à Justiça o autor das ameaças contra a vereadora”. Elmano classificou os episódios como “inadmissíveis” e manifestou solidariedade à parlamentar.
Colegas da vereadora deixaram mensagens de apoio após a repercussão do caso da parlamentar, como o vereador Gabriel Biologia (Psol), que definiu a situação como “revoltante”. “Minha solidariedade. Conte comigo para o que precisar. Essas pessoas precisam ser encontradas, identificadas e punidas por esses crimes de ódio”, escreveu Gabriel.
A deputada federal Luizianne Lins (Rede) também prestou mensagens de apoio diante das ameaças sofridas por Adriana. “Espero que as autoridades identifiquem e responsabilizem os autores com a urgência que o caso exige. A violência política de gênero não pode ser naturalizada e deve ser enfrentada com firmeza’’.


