Centenas de escolas de ensino médio ficaram parcial ou totalmente bloqueadas, nessa segunda-feira (5), na França, em meio aos protestos estudantis que se espalharam por todo o país para exigir mais recursos e denunciar a deterioração das condições de ensino. Segundo o Ministério da Educação, 413 instituições registravam protestos ou distúrbios de manhã, número 27% menor que o verificado na sexta-feira (2) no mesmo horário, embora os sindicatos estudantis mantenham a convocação de uma nova jornada nacional de mobilização para esta terça-feira (6).
Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos durante um protesto em Lens, no norte da França, informaram as autoridades locais. Segundo uma fonte policial, o acidente ocorreu depois que o adolescente recolheu uma granada, mas as autoridades ainda não forneceram detalhes.
François-Xavier Lauch, prefeito de Pas-de-Calais, recusou-se a comentar sobre as circunstâncias exatas, dizendo que cerca de 200 a 250 manifestantes estavam arremessando objetos, como pedras, contra a polícia. À imprensa francesa, Lauch afirmou que o estudante não corre risco de morte e que o adolescente foi transferido rapidamente para um hospital próximo.
“A ordem dada pelo diretor interdepartamental da Polícia Nacional, evidentemente com a minha concordância, foi deslocar para cá um efetivo de segurança, e foi nesse contexto que esse incidente ocorreu”, disse o prefeito. “Evidentemente, esses fatos são muito lamentáveis. Meus pensamentos estão com esse aluno de 15 anos. Meus pensamentos também estão com sua mãe e seu pai. Entrarei em contato com eles mais tarde, assim que os procedimentos judiciais tiverem sido realizados.”
Uma fonte sindical da polícia afirmou que se tratava de uma granada de efeito moral lançada por agentes antidistúrbios e que o estudante teria tentado jogala de volta antes que ela explodisse em sua mão. Grupos de direitos humanos acusam a polícia de usar táticas agressivascontra menores, incluindo cassetetes e gás lacrimogêneo.
Entre outras investigações sobre métodos policiais, as autoridades estão analisando o caso de um jovem de 16 anos que sofreu uma lesão ocular após a polícia disparar balas de borracha contra uma multidão de manifestantes, segundo seus amigos. Desde o fim de setembro, estudantes bloqueiam as entradas das instituições de ensino para protestar contra a falta de professores, a lotação das salas de aula e uma infraestrutura que consideram inadequada diante das altas temperaturas. “Estamos faltando às aulas para te dar uma lição”, dizia um dos cartazes exibidos diante do liceu parisiense Turgot.
Mobilizações semelhantes foram registradas em cidades como Rennes, no oeste do país. Em Lille, no norte, os protestos geraram incidentes, com danos a pontos de ônibus e incêndios em contêineres, o que levou à intervenção da polícia. O movimento começou em meados de setembro na região de Paris e se espalhou pelo país entre os alunos do ensino médio, em sua maioria com idades entre 15 e 18 anos.
O movimento ganhou força e se alastrou por toda a França, resultando, por vezes, em atos de vandalismo, como incêndios nos acessos a instituições de ensino e confrontos entre manifestantes e forças de segurança. No mesmo dia em que os sindicatos estudantis planejam uma nova jornada nacional de mobilização, o governo realizará uma reunião com as regiões para tratar da crise no sistema educacional.


