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Brasil está um caos dominado pelo crime organizado, diz General Theophilo, candidato ao Senado

Por Gabriela de Palhano e Kelly Hekally

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Filiado ao Novo, General Guilherme Theophilo abriu a sabatina dos candidatos ao Senado na série “Caráter Eleições 2026”. A programação seria aberta por Capitão Wagner (União Brasil) que não participou em razão, segundo a assessoria, de outras agendas de campanha. Esta semana ainda estão marcadas as entrevistas com os candidatos Luizianne Lins (Rede) e Alcides (PL).
A entrevista com Theophilo, na tarde de segunda-feira (21) na sede do Jornal O Estado, tratou das áreas que, se eleito, o candidato vai priorizar na Casa Legislativa, de desafios na segurança pública e da visão do militar acerca da direita no Ceará.


O Estado. Por que o senhor quer ser Senador?
Guilherme Theophilo. Eu tenho uma família que por parte do pai é super militar e por parte da mãe é política. Porque parte do meu pai é Theóphilo Gaspar de Oliveira e por parte da minha mãe é Cals Oliveira, do César Cals, que foi governador, irmão da minha mãe, do meu primo César Neto, do Marcos Cals também meu primo. Então eu tenho, na veia, esses dois DNA. Mas nunca pensei em exercer função de político. Então houve esse primeiro convite, através do deputado Raimundo Gomes de Matos, que foi amigo interno no Colégio Militar de Fortaleza, ele morava em Maranguape e meu pai morava no Mato Grosso, e a gente era interno, naquela época existia isso. Eu fui nesse primeiro desafio, através do convite do Senador Tasso Jereissati, fiquei até o final, fiquei em segundo lugar, o Camilo foi reeleito naquela época. E agora me juntei com o Senador Eduardo Girão. Fui presidente municipal do Podemos, quando ele estava no Podemos. Depois fui presidente municipal, em 2024, do Novo, quando ele mudou para o Novo. Então fiquei na campanha, batalhamos junto na candidatura dele a prefeito municipal, em 2024, e eu chefiava o municipal, fizemos uma chapa completa de vereadores. Infelizmente, o Partido Novo é um partido que aqui no Nordeste ainda não tem uma visão muito boa. Porque o Sul e o Sudeste têm os maiores expoentes do Partido Novo.

Então fica difícil até para a gente convencer a nacional de que nós precisamos representantes do Partido Novo, porque é um partido que é eu comungo de todos os seus princípios. Então ele fez esse convite: “você aceita esse desafio para o Senado Federal?” E eu sou um homem movido a desafio, eu gosto muito de desafio, de aventura, de tentar entrar em tudo e ir até o final. Por mais que eu veja que eu não estou muito bem, mas eu gosto de lutar, gosto de batalhar. Eu sempre entrei para ser primeiro lugar nos cursos que eu fiz. Não fui, mas bati na trave. Então esse é o motivo por que eu estou aqui, mais uma vez, tentando ajudar o povo do meu estado, o povo do Ceará, com algumas propostas sérias, com alguns valores, que eu acho que todo o elemento conservador de direita tem os mesmos valores que nós temos.

OE. É importante que a gente explique para a população. O que faz um Senador?
GT. Olha, o senador tem uma importância incrível. O Senado Federal é uma casa no nosso Congresso que pode fazer o impeachment de um ministro, do próprio Presidente da República, pode propor leis, pode propor CPMI e CPI, Comissão Parlamentar de Inquérito. A gente tem no senador, o cargo máximo da legislação de um estado, e são todos iguais, diferente dos deputados, que se diferencia entre um estado e outro, nós somos três senadores por estado. Então há uma representação, vamos dizer, que está ativa. Agora é necessário desse senador responsabilidade, presença. Não pode estar faltando, ele tem que estar lá batalhando, tem que estar inteirado dos grandes problemas nacionais. Por exemplo, nós tivemos o caso do INSS, agora do Banco Master, a CPMI, de vários outros grandes escândalos dessa nação, que a gente não via a presença do Ceará lá. O nosso senador Eduardo Girão tem a honra de poder dizer que ele não tem nenhuma falta. Ele foi um senador presente, batalhador, lutador pelas nossas causas nacionais e estaduais. Então um senador é fundamental que compareça às sessões, que vá ao Congresso, que vai propor leis, propor medidas na área da segurança pública, na área da saúde, na área da educação, que para mim são os três pilares básicos da sociedade, que estão tão desgastados no atual governo do nosso país.

OE. Qual, na sua opinião, é o grande problema hoje na condução dos trabalhos do Senado?
GT. Olha, principalmente, o problema é que muitos dos senadores tem… vou citar um termo até meio chulo, rabo preso, para que todo mundo entenda. E aí eles têm medo de que qualquer coisa possa comprometer a própria função dele. Essa é a realidade do nosso presidente do Senado Federal, que fica sentado em cima de alguns projetos, porque ele tem medo que aquilo respingue em cima dele. O próprio estado do Amapá é um que está cheio de problemas. E a gente não vê esses senadores reunidos juntos para compor uma comissão como nós fizemos agora no Partido Novo. O nosso candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Van Hattem, fez que todos nós gravássemos um vídeo, quem for eleito vai brigar para o impeachment de alguns ministros do STF. A gente já é eleito com compromisso, com a carta assinada, então eu não posso chegar lá e querer mudar, porque eu estou assinado e registrado em cartório. E hoje nós não vemos isso por parte de alguns senadores. Ou seja, a maioria deles, vamos ser bem francos, não tem esse compromisso, porque tem medo ou tem alguma pendência com a Justiça Federal ou a Justiça do seu estado.

OE. Quais são as bandeiras que o senhor gostaria de encampar no Senado?
GT. Olha, essas causas são muito importantes. O senador sempre foi um pacifista, um homem dos direitos humanos, sempre brigou contra os abortos, e tantas outras causas assim. Mas a minha causa principal agora é a segurança pública. Eu acho que não só o Ceará, mas o Brasil está num caos, está dominado pelo crime organizado. E como eu servi na Amazônia, o meu conhecimento é muito grande. Eu fui secretário nacional de Segurança Pública. Aí você pergunta, tem como resolver? Claro que tem como resolver.

Agora não pode ser essas propostas indecentes, que eu tenho visto nas propagandas políticas, de pessoas que nunca militaram na segurança pública, ficar inventando o quadrado de segurança, o cinturão de segurança. Não é isso. Se você não tiver, o que chama-se política de segurança pública, mas a política pública de segurança, que é educação, saúde, infraestrutura, saneamento básico, todo mundo em prol de pegar aquela população que hoje é refém do crime, que aos doze, treze anos já é recrutada pelo crime, e gerar emprego, dar escola em tempo integral, ter saúde, fazer a saúde em três turnos, para que não tenham essas filas quilométricas. Isso nós fizemos no programa Em frente Brasil, quando eu fui secretário de segurança, que nós reduzimos toda a criminalidade. Você pode olhar em 2019, foi o ano em que nós mais reduzimos a criminalidade, através desse projeto, que o Ceará não aceitou, porque o município escolhido aqui para projeto de piloto era Maracanaú, e o governador não deixou vir para cá, Camilo, não deixou, e aí nós tivemos que fazer em Paulista, porque tinha que ser no Nordeste, e era o segundo mais violento. Esse projeto foi um sucesso, fizemos em Cariacica, Ananindeua , São José dos Pinhais e Goiânia. Então, cada região do país recebeu esse programa. Eram dez ministérios trabalhando nisso.

Nós evitamos que o crime tivesse essa massa de manobra, que é a população que nem estuda, e nem trabalha, e vê no crime uma chance de ganhar algum dinheiro, fácil, mas com um período de vida muito curto.
OE. Como o senhor vê o cenário político local e nacional em relação ao executivo?
GT. Vejo com uma preocupação muito grande, porque eu tenho percorrido o interior do Estado. Nós já fomos a 40 municípios na pré-campanha e agora. E o que a gente vê é um estado dependente da prefeitura para gerar emprego e do Bolsa Família. É uma reclamação unânime de qualquer empreendedor, de qualquer agricultor, que não se consegue mais um empregado para assinar carteira, porque ninguém quer carteira assinada, porque senão ele perde o Bolsa Família. Então, os jovens, isso que é pior ainda, quem ainda aceita são os mais velhos. Então, isso é uma deficiência muito grande, porque a gente tem um agronegócio por diante, a gente tem pesquisas muito interessantes no interior. Precisa de um executivo forte que empreenda no interior, como foi em 86 o governo das mudanças, do senador Tasso Jereissati, que interiorizou as empresas, colocou em Sobral, colocou nos municípios. Nós precisamos fazer isso para gerar emprego. O executivo, tanto nacional quanto estadual, estão fracos de gestão, de compromisso. Está cheio de corrupção, de gente que está com tornozeleira e está concorrendo. (…) O eleitor cearense tem que se conscientizar que tem que melhorar os seus representantes. Senão, nós vamos ficar dependentes dessa associação política, crime organizado e judiciário.

OE. Candidato, o que seria necessário fazer para melhorar a questão da segurança no nosso estado?
GT. Como eu fui secretário nacional de Segurança Pública, o primeiro grande desafio que eu peguei em 2019 foi o tumulto no Estado do Ceará. Eram bombas explodindo, ônibus sendo queimados, viadutos que tinham cargas explosivas. Então estava dominado o Ceará. A quem que o Camilo foi recorrer? A mim, que fui o oponente dele na candidatura. Eu trouxe 500 policiais da Força Nacional de Segurança Pública para cá, ficamos hospedados naquele comitê olímpico ali na frente do Castelão. Nós negociamos com as principais lideranças da GDE, hoje a GDE agora está junto com outra facção, e conseguimos acalmar aqui a violência no Estado do Ceará. Então quem participou do estado do Ceará foi o general Guilherme Theophilo, não foi Camilo Santana. Inclusive ele foi contra o que eu queria, que era tirar as lideranças daqui dos presídios e levar para um presidente de Segurança Máxima em Mossoró.

OE. Por que o senhor é a favor de impeachment de ministro do STF?
GT. Pela injustiça que eles vêm cometendo quase diariamente, por rasgar a Constituição. Eu posso dizer a vocês que eu tenho um irmão General de quatro estrelas, como eu, meu irmão mais novo, que passou dois anos sob judice sem ter nada a ver com golpe. Ele simplesmente representou o comandante do exército numa reunião que teve com o presidente Bolsonaro, porque ele era o general mais antigo depois do comandante do exército. O assistente dele, colocou lá que ele foi lá de tanto a tanto. Ele ficou dois anos, fizeram uma humilhação com ele, entraram no condomínio dele aqui em Fortaleza, na Gilberto Studart, tomaram a arma dele, o celular dele, o notebook, o passaporte. E em outubro do ano passado, ele foi o único general absorvido por unanimidade. E até hoje, ele está sem esse material.

OE. O senhor está falando do 08/01?
GT. Não. O 8 de janeiro é um movimento que teve lá. O movimento golpista foi aquelas reuniões que antecederam, em que os ministros eram chamados, o ministro da Defesa, o comandante das Três Forças… Tinha o plano do punhal verde amarelo, umas coisas assim absurdas, que se planejava até pegar o Uber para fazer um golpe. Olha, Uber e vendedor de algodão-doce, e de pipoca não pode estar dentro de golpe, gente. Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento, que estude como são os golpes militares em todo o mundo, você tem que ter uma parte das Forças Armadas, uma parte política e, principalmente, a população apoiando, como foi em 64, Marcha da família com Deus pela liberdade, multidões no Rio e em São Paulo, clamando por uma liberação do país, que já estava quase com o pé no regime comunista. Então agora nós estamos caminhando para isso. Eu acho que se não houver uma mudança nessas eleições, democraticamente, o Brasil caminha a passos largos para se tornar uma Venezuela.

OE. Candidato, pessoas do Partido Novo dizem que Ciro não é um candidato de direita. Qual a sua opinião sobre isso?
GT. Concordo. O Ciro Gomes eu conheço há bastante tempo. Quem colocou o Ciro Gomes na política foi o meu tio César Cals. E aí houve uma divergência, se bandeou para o lado do Tasso. Depois ele não se deu bem, traiu o Tasso, e assim ele vai, de traição em traição. Ele era um rapaz inteligente, um economista, se eu não me engano, a profissão dele é economista, tem as estatísticas na cabeça, mas ele nunca foi de direita. Ele sempre foi de esquerda. Foi ministro do presidente Lula, porque naquela época, em 2003, eu era o chefe de gabinete do ministro chefe do GSI, General Jorge Armando Félix. E eu trabalhava, ia buscar todo dia o presidente Lula, para ele entrar, e a gente subia com o presidente, porque o primeiro elemento a dar a inteligência do dia, as informações para o presidente, era o general do qual eu era o chefe de gabinete. E ele sempre estava lá com o Lula de braço dado, e agora ele vai dizer que brigou com o Lula? Brigou com o irmão dele? Então ele é de esquerda. Pode se abraçar com ele quem quiser, pode o PL, que é um partido que se diz de direita, se abraçar com ele, mas eu, conhecedor dele, não digo que ele não é de direita, ele é de esquerda.

OE. O PL Ceará readaptou o movimento de direita deles para acolher esse movimento com Ciro, por exemplo?
GT. O PL Ceará, para mim, é hoje em dia, não é nem um partido de direita, desde 2024, essa aproximação do deputado André Fernandes com o Ciro, com o Wagner e com outras pessoas, foi mais uma armação… porque o natural seria o PL dizer, não tenho condição de botar um governador de Estado. Quem é de direita? O senador Eduardo Girão. Como fizeram no sul do país, que o PL se uniu ao Novo.
Procuramos por diversas vezes, Carmelo Neto, André Fernandes, Priscila, para dizer, pessoal, vamos nos unir aqui, vocês indicam o vice, o Girão vai para governador, o PL é um partido forte, e o Novo, nós somos todos de direita. Mas essa aproximação não houve. Para prefeito, a gente tentou também, para prefeito saíram três de direita, o Wagner, o André e o senador Eduardo Girão. No Ceará, a coisa está muito polarizada. E aí as pessoas visualizam muito poder, como dizia o senador Tasso Jereissati, o poder pelo poder. Não é o poder para mudar alguma coisa. O Ciro está com a pesquisa lá em cima. Então eu não vou pegar e me unir com o cara que está com a pesquisa lá embaixo. E a gente pensava, até para o próprio Zema, pudesse vir para vice-presidente do Flávio, houve essas conversações também. Mas o fato é que não teve essa liga. Tanto é que em 30 de novembro do ano passado, nós fizemos uma reunião aqui, em que veio a Michelle, que disse que o nosso candidato ao Governo do Estado é o senador Eduardo Girão.

O André Fernandes estava lá, o pastor Alcides estava lá, o Wagner estava lá, Carmelo Neto estava lá. Todo mundo bateu foto e era ele. Aí houve aquela crise com o governo, com o Flávio, não sei o quê, porque ela tinha passado dos limites.
A Michelle é uma liderança, é uma pessoa boa. Está quase eleita, está em primeiro nas pesquisas. O Flávio precisa do apoio dela. Se uniram lá, estão muito bem. E nós aqui estamos uma destruição. Se você conversar com qualquer cara do PL, o PL está todo dividido. Tem o partido que anda com o André, tem o que anda com o Carmelo, tem o que anda com a Priscila. Mas só vê no interior, o Flávio foi com o Carmelo, aqui era só o André e o pessoal dele. Um partido dividido. O Novo é um partido unido, pequeno, mas unido em torno de seus princípios e valores, que nós não negociamos.

OE. Qual a sua opinião sobre o uso e o ensino da IA nas escolas?
GT. A inteligência artificial veio para ficar. Agora ela tem que ter alguns regulamentos, porque senão, daqui a pouco, nós vamos ficar totalmente dependentes da inteligência artificial, sem criatividade, sem poder de pesquisa. Porque hoje, até um TCC, trabalho de conclusão de curso, a pessoa fala e a inteligência artificial te dá pronto. Coisa que na minha época não existia.
Você tinha que pesquisar nas enciclopédias, na própria internet, quando ela surgiu, e fazer um trabalho de pesquisa, e não pegar alguma coisa pronta. E o avanço dela em determinado sentido, nós estamos vendo um robô jogando ping-pong, porque eu tenho uma coisa na bola que dá a direção. Nós estamos vendo esses drones com a maluquice danada, destruindo pessoas dentro de um prédio, atirando pela janela do prédio. Então tem que ter um controle no desenvolvimento dessas inteligências, principalmente no que se refere à defesa e pesquisas. Quando elas podem ajudar, eu acho essencial. Veio para ficar, os cientistas, você vê quantos aplicativos tem (…) Mas tem que ter o cuidado disso não se voltar para o mal, para o crime organizado, com as aulas que o Rio de Janeiro está dando de drones agora para o crime. Então são coisas que tem que ter um policiamento e uma regulamentação.

OE. Qual a leitura política que o senhor faz da campanha para o governo do estado e da perspectiva de ser decidida em primeiro turno?
GT. Olha, por essas viagens minhas ao interior, eu acredito que vá para o segundo turno. Porque o Ciro tem um carisma muito grande no Ceará ainda. Tem o recall também. Mas o Elmano, ele está com a máquina na mão. A máquina que eu digo é o governo, são os recursos que estão chegando, é o aumento no Bolsa Família. Grande parte dos municípios dependem do Bolsa Família. Você dar um aumento de R$ 90,00 em plena campanha eleitoral é uma força muito grande. E o interior, o homem do interior, ele não sabe nem que são dois senadores. A maioria não tem essa noção, não está preocupado com política. Até vi uma entrevista ontem do Caiado, em que ele dizia que o brasileiro ainda não se preocupou com política. Ele só vai se preocupar agora nas duas últimas semanas. Então eu acho que essas duas últimas semanas, nós já estamos entrando, vão ser muito importantes para essa decisão. Essas pesquisas eu também não confio muito. São pesquisas muitas vezes encomendadas. E eu acho que vai para o segundo turno por essa polaridade. Nós temos uma eleição polarizada, de esquerda e direita. Não é nem esquerda, é Lula e Bolsonaro. Porque esquerda e direita não é Lula e Bolsonaro. Lula e Bolsonaro são dois líderes políticos, que têm uma força muito grande e que estão polarizando. Eu acho que dificilmente, tanto para o Presidente da República como para o Governo do Estado, se define em primeiro turno.

OE. Com segundo turno, sem a candidata do seu partido, o senhor imagina que o seu partido vai votar em Ciro? Já existe uma negociação?
GT. A minha candidata vai estar no segundo turno. Vera Lúcia é uma moça empreendedora, eu admiro demais ela, tenho percorrido o interior, tem uma boa locução, uma boa oratória, tem um trabalho. As mulheres, com certeza, em peso, e são a maioria, as mulheres são a maioria, vão votar nela e nós vamos ter surpresa.
OE. O senhor foi candidato em 2018 pelo PSDB. Houve algum rompimento político, que fez com que o senhor saísse do PSDB?
GT. Não, de maneira nenhuma. Tudo que o senador Tasso Jereissati me prometeu, ele cumpriu. Rodei esse estado todo, com orientação dele, com os assessores dele, com os melhores assessores que você pode imaginar, na área econômica era o Marcos Holanda, que tinha sido presidente do Banco Nordeste, na área de saúde tinha o Cabeto, o que havia de melhor. Trouxe o marqueteiro de São Paulo, colocou aquela Torre Iguatemi à minha disposição, realmente o que pegou era que era pouco conhecido, era um outsider (…) E quando terminou, ele até me convidou para ficar no partido, mas como eu recebia o convite do presidente Bolsonaro, e o Bolsonaro não admitiria que eu estivesse no PSDB, e eu tenho uma confiança muito grande no Bolsonaro, desde os bancos escolares, então aceitei o convite, fui trabalhar com ele, me desfiliei do PSDB.

OE. Como foi a experiência de ser do GSI na época do governo Lula?
GT. Eu sempre gostei muito de trabalhar com inteligência, como eu sou um militar desde pequeno, que eu gosto muito de aventura, eu sou paraquedista, comando de Forças Especiais, salto livre, curso de lanceiro na Colômbia, tive no Haiti, tive em Angola, tive na Nicarágua, então minha experiência com essa área de inteligência, de informações, de segurança pública no Rio, como tenente ainda, subindo o Morro da Mangueira, Pavão-Pavãozinho, Morro dos Macacos, Complexo do Alemão, tudo eu estive lá no meio disso, trabalhando junto com o BOPE, porque eu ajudei a fundar o BOPE no Rio, criamos o campo em Ribeirão das Lajes. Tenho essa afinidade muito grande com a polícia militar, porque são pessoas que enfrentam o perigo diariamente, e eu fui um homem que era para ter uma guerra e nunca teve. Nós passamos 14 anos no Haiti, era uma guerra, nós perdemos gente lá, não só no terremoto. Na Nicarágua eu tive um ano, desmobilizando três guerrilhas. Em Angola a gente tinha minas espalhadas por toda a África e o exército brasileiro, os capacetes azuis estiveram lá (…) Mas a polícia enfrenta uma guerra diariamente. Ele sai de casa, não sabe se vai voltar, a mídia expõe o policial de uma forma que prejudica ele e a família. E normalmente, coloca o criminoso tendo razão e a vítima passa anos para poder provar que foi a vítima.

OE. Desafio: conte uma história verdadeira, mas que parece história de pescador.

GT. Olha, eu na Amazônia eu me realizei. Eu fui voluntário para ir para a Amazônia. Servir na Amazônia é um privilégio, lutar pelo seu desenvolvimento sustentável, uma obrigação. Procurei, junto com a Polícia Federal, ver a parte da vegetação e da fauna. Nós vimos que havia uma matança muito grande de onças por parte de caçadores. Umas viagens minha para a fronteira, eu vi duas oncinhas pequenas, uma pintada e outra preta, abandonadas, porque os caçadores tinham matado os pais. E os índios com ela lá: “eu vendo para o senhor a onça”. Mas não pode. Procurei o Ibama para a gente regularizar, consegui trazer as duas onças para Manaus. E eu procurei dar um tratamento especial a essas onças para elas servirem de mascote do nosso grito de guerra selva (…) Elas foram crescendo de uma maneira como se fossem dois gatos. Porque a gente dava ração de gato para elas. Tudo autorizado. Registrei esse programa no México, que controlava esses animais selvagens (…) Elas ficaram mansas, andavam lá soltas pelo quartel. (…) Então depois ficaram no zoológico, pois não poderiam voltar ao habitat.

Considerações finais
No dia 4 de outubro, você tem uma arma na mão que é o seu voto. O seu voto que é uma arma. Essa arma é para o bem. O seu voto é para eleger candidatos que tem proposta. Não são candidatos que vem brigar um com o outro, xingar um ao outro e não traz proposta de melhoria para segurança, para saúde, para educação tão importante. Até você que é mais idoso, como é no meu caso, que não tem obrigação mais de votar, vá lá. Nós acima de 70 anos, somos 17% da população, são quase 37 milhões de votos. Então, vá cumprir esse dever de cidadania, vá votar. Veja o projeto, veja o programa dos candidatos. Vote em quem defende a família, quem é contra o aborto, contra jogos de azar, esses tigrinhos que tão levando famílias inteiras (… )e não pessoas que tão se elegendo e reelegendo e procurando colocar família nesse ciclo. Vamos voltar a ter orgulho de ser cearense, orgulho de ser brasileiro.

Fonte Matéria

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