O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal no qual há mensagens em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor.As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República. A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja o ministro Alexandre de Moraes.A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela reportagem. A reportagem procurou, por mensagem às assessorias nesta terça-feira (1º), Andrei, Gonet e Moraes, mas até a conclusão deste conteúdo as autoridades ainda não haviam se manifestado.Mendonça deu um prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste a respeito do documento da PF. A investigação apresenta uma série de trocas de mensagens feitas por Vorcaro a partir do dia 30 de outubro do ano passado. Ele foi preso em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar em um voo ao exterior. No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central.Em um dos diálogos sob análise da PF, Vorcaro afirma que teve “informações informais e em confidência de turma do Banco Central” de que “G” a suposição é de que se trata de Gabriel Galípolo, presidente do BC e os diretores estariam “na pressão máxima de novo pra uma medida”.- Publicidade –
Ele diz que o Banco Central estava sendo pressionado pela PF e pelo Ministério Público a fazer algo contra ele. Afirma que tinha colocado R$ 800 milhões no Master e que, na semana seguinte, deveriam entrar mais R$ 400 milhões.“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve.”Outra mensagem, divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, foi enviada na véspera e indica que ele seria alvo de operação. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, disse o banqueiro.O jornal também diz que o próprio Moraes fez edições no contrato do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Master. Em nota, o escritório diz que, “em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao [escritório] Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório”.
Essas informações, diz a nota, tratavam de “eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente”.“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”, diz o escritório.


