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Israel usa bomba de fósforo branco na população do Líbano, diz jornal NYT

O exército de Israel teria utilizado bomba de fósforo branco, uma substância química proibida e altamente prejudicial, em áreas povoadas do Líbano durante combates contra o grupo Hezbollah.
Evidências visuais confirmam o uso da substância em regiões habitadas, segundo especialistas. Imagens de redes sociais analisadas por especialistas e pelo jornal americano The New York Times mostram o composto químico em Nabatieh no dia 30 de maio.
O fósforo branco queima ao entrar em contato com o ar e é difícil de apagar. Ele é usado por exércitos para criar cortinas de fumaça, mas seu uso contra civis viola leis internacionais.
O exército de Israel não comentou os casos específicos apresentados. Em nota geral, os militares afirmaram que “os principais projéteis de cortina de fumaça usados pelas Forças de Defesa de Israel não contêm fósforo branco”, diz.
Nos projéteis que utilizam a substância, Israel alega que “são usados Israel para criar cortinas de fumaça”. “E não para atingir alvos ou provocar incêndios, e não são definidos por lei como armas incendiárias.”
O governo do Líbano enviou alertas oficiais à ONU sobre os impactos ambientais. Uma das cartas oficiais cita que mais de 600 incêndios atingiram o sul do país por causa do uso do composto químico.

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USO HISTÓRICO E ALERTAS DE SEGURANÇA
Israel utilizou fósforo branco em Gaza em 2009. Fez o mesmo em conflitos no Líbano, incluindo em 1982 e 2006. No ano seguinte aos ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, as forças armadas israelenses utilizaram fósforo branco mais de 200 vezes no Líbano, segundo Ahmad Beydoun, pesquisador independente que criou um banco de dados visual com os registros de seu uso no país.
A substância é barata e eficaz, segundo analistas de segurança. “Ela é barata, abundante e bastante eficaz naquilo a que se destina”, diz NR Jenzen-Jones, diretor da consultoria Armament Research Services.
Defensores dos direitos humanos criticaram o uso do composto em áreas civis. A organização HRW (Human Rights Watch) questionou a necessidade da arma e apontou a existência de alternativas mais seguras.

“ARDE ATÉ OS OSSOS”
As bombas de fósforo produzem chamas que não podem ser apagadas com água. Seus componentes aderem à pele das vítimas. A sensação de ardência pode chegar aos ossos. Elas deixam um rastro branco no céu que poderia ser identificado.
Elas não são armas químicas. Elas são armas incendiárias, cujo uso segue o Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, assinado tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia. As armas químicas têm uso proibido pela Convenção sobre Armas Químicas (1997).
“Está proibido, sob qualquer circunstância, atacar com armas incendiárias a população civil como tal, pessoas civis, ou bens de caráter civil”, aponta o protocolo 3º da Convenção sobre Certas Armas Convencionais.
Elas são usadas de forma estratégica. O fósforo pode ser usado como cortina de fumaça para esconder os movimentos das tropas, iluminar o campo de batalha ou incendiar infraestruturas, mas pode causar queimaduras graves em civis.

USO COMEÇOU NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
As bombas incendiárias começaram a ser usadas em massa durante a Primeira Guerra Mundial, em paralelo ao surgimento da aviação militar. Em 31 de maio de 1915, pela primeira vez, um dirigível alemão Zeppelin lançou um ataque aéreo com bombas incendiárias em Londres.
Na Segunda Guerra, obuses de fósforo branco foram usados extensivamente pelo exército dos EUA. O uso foi direcionado contra as tropas blindadas alemãs.
Na Guerra do Vietnã, as bombas incendiárias de napalm, foram usadas pelos EUA. Já na Guerra da Indochina (1946-1954), a França também recorreu a elas, feitas à base de combustível gelatinoso.
A partir dos anos 2000, vários países foram acusados de usar bombas de fósforo branco. Em 2004, os militares americanos teriam usado em Fallujah, apesar da presença de civis na cidade iraquiana considerada base de retaguarda para grupos terroristas. Em 2009, Israel foi acusado de usar a munição contra palestinos em Gaza. Em 2014, a Rússia acusou a Ucrânia de usar a munição na guerra do Donbass, no leste do país. Em 2018, o Exército russo foi acusado de lançar contra a Síria. Em 2020, Armênia e Azerbaijão também se acusaram mutuamente de terem bombardeado áreas civis na disputada região de Nagorno Karabakh.

(Folhapress)

Fonte Matéria

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