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Júnior Mano e Priscila Costa na corda bamba dentro de seus partidos

As disputas para o Senado que dividem correligionários do PL e do PSB, cada um em seu espaço, ocorrem em torno de nomes e acordos políticos e do peso eleitoral de cada grupo na montagem das alianças para 2026.

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O cenário tem colocado em bases diversas, mas diante de conflitos intrapartidários o deputado federal Júnior Mano (PSB) e integrantes da legenda, pela base do governador Elmano de Freitas (PT), e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) e a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), pela oposição.

Na última sexta-feira (29), a Justiça Eleitoral decidiu que Priscila passa a ocupar a vaga de deputada federal no lugar da ex-deputada federal Dayane Bittencourt, vice-presidente do União Brasil Fortaleza. Na base aliada, uma das principais indefinições, que ainda está no campo das expectativas, gira em torno da provável candidatura ao Senado pelo PSB.

Embora o senador Cid Gomes (PSB) ainda seja tratado pelo próprio governador, pelo ministro Camilo Santana (PT) e pelo presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB), como nome natural para disputar a reeleição, o parlamentar voltou a reforçar, na última semana ao O Estado, um compromisso firmado com Júnior Mano, de indicá-lo ao posto.

“Uma das coisas para mim fundamentais, que me dá longevidade na política, é as pessoas confiarem na minha palavra. E eu não abro mão da minha palavra por nada nesse mundo. Então, eu tenho um compromisso com o Júnior Mano de que defenderei a candidatura dele para ser senador […] Ele é meu candidato, e, enquanto ele quiser, eu honrarei a minha palavra”.

Na mesma ocasião, uma reunião fechada com cerca de 40 pré-candidatos do PSB à Casa Legislativa Estadual, realizada na última terça-feira (26), Cid afirmou que a decisão sobre a candidatura “é do próprio Júnior Mano”. O senador declarou que defenderá o nome do deputado federal enquanto ele desejar disputar o cargo.

Cid também argumentou que o parlamentar se tornou uma liderança com forte presença e capilaridade política no Interior e atribuiu a Júnior Mano parte da expansão recente do PSB no Ceará, tanto na Alece quanto entre prefeitos. O peso das gestões municipais é considerado estratégico nas eleições proporcionais e influencia diretamente as negociações para a composição majoritária.

Tentam convencer
Apesar disso, o PSB estadual ainda tenta convencer Cid a permanecer na disputa. O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR), Leo Couto (PSB), afirmou na última quinta-feira (28) a este jornal que segue defendendo a candidatura à reeleição do senador e revelou ter tratado do assunto diretamente com Júnior Mano.

Segundo Leo, além de considerar a reeleição um movimento “natural”, a presença de Cid na chapa é vista como importante pela capacidade de articulação política do senador durante a campanha.

“Eu sempre falo: o senador Cid pode ir para a reeleição. Eu falei com o próprio deputado, Júnior Mano, que a gente vem trabalhando numa eleição do senador Cid Gomes. Primeiro, que é natural. E segundo, que é muito importante a gente ter uma pessoa dessa envergadura, na articulação da própria campanha”.

Em resposta, também na última semana, Júnior Mano negou ter tratado sobre o assunto com o vereador e disse em nota ao O Estado que a pré-candidatura ao Senado não é um projeto pessoal” e sim “um projeto coletivo em construção com dezenas de prefeitos, vereadores e deputados, e sobretudo com nossa gente, com as pessoas beneficiadas pelos resultados do nosso trabalho”.

Alcides x Priscila
Na oposição, as divergências também têm acontecido, dentro do PL. O conflito gira em torno da pré-candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado mesmo diante da preferência do partido estadualmente pelo deputado estadual Alcides Fernandes (PL), nome citado por Ciro Gomes (PSDB) durante o lançamento de sua pré-campanha, em 16 de maio.

Deputados da legenda na Alece dizem que uma das questões que impossibilitam a candidatura de Priscila se dá, apontam, por uma ausência de articulação de sua própria vontade de disputar o cargo. Questionados em maio pelo O Estado, parlamentares da Casa sinalizaram que a parlamentar “se confiou” no apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Embora colegas de legenda digam que apenas Alcides tem o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), Priscila afirma que, no ano passado, recebeu publicamente o aceno de ambos os caciques, bem como o do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, além do de Michelle.

A contenda é uma das razões que têm dificultado a vinda do filho do ex-presidente ao Ceará. No arco da oposição, nomes do PSDB e da Federação União Progressista (Federação UPB) no Ceará afirmam que o acordo de apoio ao PL com indicação ao Senado é para o nome de Alcides.

Questionada há cerca de 15 dias sobre o assunto, a líder do PL na Alece, deputada estadual Dra. Silvana, afirmou ao O Estado que reconhece que integrantes da legenda possuem liberdade para se posicionar, mas defendeu que o partido mantenha coerência em torno da estratégia local, vinculada ao nome de Ciro ao Palácio da Abolição, de lançar “o nosso senador”, em referência a Alcides Fernandes.

Enquanto parte da direção estadual trabalha pela consolidação do nome de Alcides, Priscila mantém a disposição de disputar a vaga e segue respaldada politicamente por Michelle. Por Hyago Felix (colaborou Kelly Hekally)

Fonte Matéria

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