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Israel e Líbano terão três semanas de cessar fogo

O conflito entre Israel e Líbano terá três semanas de cessar-fogo, segundo anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nessa quinta-feira (23/04), num movimento que busca preservar uma trégua ainda frágil e abrir espaço para novas negociações entre os dois países. A decisão foi divulgada após a segunda rodada de conversas entre enviados israelenses e libaneses em Washington, agora transferida do Departamento de Estado para a Casa Branca, com a presença de Trump, do vice-presidente J. D. Vance e do secretário de Estado, Marco Rubio.
A extensão da trégua ocorre em um ambiente de forte instabilidade. Um dia antes do anúncio, ataques israelenses no sul do Líbano deixaram pelo menos cinco mortos, no episódio mais letal desde o início do cessar-fogo, em 16 de abril, segundo relatos da imprensa internacional. Entre as vítimas está a jornalista libanesa Amal Khalil, do jornal Al-Akhbar, cuja morte provocou reação imediata das autoridades de Beirute e ampliou a pressão política sobre as negociações.
Embora o cessar-fogo tenha reduzido significativamente a violência desde a semana passada, ele não eliminou os confrontos nem resolveu os principais pontos de tensão na fronteira. Tropas israelenses seguem posicionadas em uma faixa do sul libanês, enquanto o Hezbollah mantém o discurso de que tem o direito de resistir ao que chama de ocupação. Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun defende que a prorrogação da trégua seja acompanhada por discussões sobre a retirada de Israel, a libertação de detidos libaneses e a delimitação da fronteira terrestre.
Para Israel, porém, as negociações passam prioritariamente pelo enfraquecimento e pelo desmantelamento do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e apontado por Tel Aviv como o principal obstáculo a um acordo mais duradouro. Esse impasse ajuda a explicar a complexidade diplomática do processo, já que o Hezbollah não é apenas uma facção armada, mas também um ator político relevante no Líbano, com presença institucional e forte capilaridade social, sobretudo entre a população xiita. A tentativa de o governo libanês conduzir um desarmamento gradual e pacífico da organização esbarra justamente nesse peso político interno.
Washington tenta apresentar a mediação no Líbano como uma frente separada das conversas mais amplas sobre o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Ainda assim, o contexto regional pressiona a mesa de negociações. A guerra se expandiu pelo Oriente Médio depois que o Hezbollah atacou Israel em 2 de março, em apoio ao Irã, e ganhou nova dimensão após os ataques de Washington e Tel Aviv contra o território iraniano em 28 de março. Desde então, o Líbano passou a conviver com uma escalada que já deixou cerca de 2.500 mortos, segundo autoridades libanesas.
Ao anunciar a prorrogação, Trump afirmou que os Estados Unidos trabalharão com o Líbano para ajudá-lo a se proteger do Hezbollah e disse esperar reunir, em breve, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun. A sinalização sugere que a Casa Branca pretende converter a pausa temporária dos combates em capital diplomático.

Fonte Matéria

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