Representantes do Líbano e de Israel se reuniram, nessa terça-feira (14), em Washington para iniciar uma negociação com o objetivo de interromper os ataques e a ocupação israelense no território libanês. O encontro terminou sem um anúncio de cessar-fogo, mas com o compromisso de que Beirute e Tel Aviv realizarão tratativas diretas no futuro, sem mediação americana.
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as conversas são uma oportunidade histórica, embora tenha reconhecido que será preciso tempo para solucionar o conflito entre o Estado judeu e o Hezbollah. A facção xiita libanesa apoiada pelo Irã não esteve presente nas discussões e condenou a realização.
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“A esperança é de que consigamos esboçar a estrutura sobre a qual possamos desenvolver uma paz duradoura e permanente para que o povo de Israel possa viver em paz e o povo do Líbano possa viver não apenas em paz, mas com a prosperidade e segurança que merecem”, afirmou Rubio em breve comentários a jornalistas antes da reunião. “Esse é um processo, não um episódio. [Vai demorar] mais do que só um dia, e levará tempo”, disse.
Participaram da conversa o secretário de Estado americano, os embaixadores Nada Hamadeh Moawad (do Líbano nos EUA), Yechiel Leiter (de Israel nos EUA), Michel Issa (dos EUA no Líbano), Mike Waltz (representante dos EUA na ONU) e Michael Needham, conselheiro do departamento de Estado e chefe de gabinete de Rubio quando o secretário era senador.
Mais tarde, Leiter disse à imprensa americana que Beirute e Tel Aviv compartilham o objetivo de “libertar o Líbano do Hezbollah”, e que o futuro da fronteira entre os países, que não é oficialmente delimitada, foi tema da discussão. Após a conclusão do encontro, o Departamento de Estado disse em nota que os dois lados realizaram “discussões produtivas” e que concordaram em “lançar negociações diretas em um momento e local conveniente”.
Líbano e Israel estão formalmente em guerra desde a criação do Estado judeu, em 1948, e poucas vezes trataram da relação por vias diplomáticas abertas. Ainda que de fato histórica sob esse ponto de vista, a negociação desta terça já era vista apenas como um primeiro passo de reaproximação possível na tensa relação entre os vizinhos no Oriente Médio. As conversas são ainda um esforço paralelo às negociações entre para o fim da guerra EUA e Irã, mas muito embebidas no conflito maior entre os dois. O governo de Donald Trump é o principal aliado de Israel, e a República Islâmica em Teerã é a grande financiadora do Hezbollah.
Após os ataques de Israel e EUA ao Irã que deram origem ao conflito atual, a facção libanesa se juntou a Teerã atacando o vizinho ao sul, como já havia feito quando o Hamas, também parte do chamado eixo da resistência iraniano, atacou Israel em 2023 e serviu de estopim para a extensão do conflito na Faixa de Gaza.


