Horas antes de o ultimato de Donald Trump para que o Irã reabra o estreito de Hormuz expirar, sinais de potencial escalada militar se avolumam no Oriente Médio. Israel e a teocracia atacaram nesta terça-feira (7) usinas petroquímicas, linhas férreas e a estratégica ilha de Kharg foram alvejadas. Tudo isso eleva o risco de uma crise sem controle no mercado global de energia, a principal carta de Teerã contra os ataques dos Estados Unidos e do Estado judeu, iniciados há cinco semanas.
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Nesta terça, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que “o comedimento acabou” e que está pronta para interromper o fluxo de petróleo e gás pelo golfo Pérsico “por anos”.
Já Trump voltou a adotar retórica inflamada, postando na rede Truth Social que “uma civilização inteira vai morrer hoje à noite”. “Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai”, acrescentou. Finalizou dizendo que “algo maravilhoso pode ocorrer, vamos descobrir”.
Para além da retórica, Israel bombardeou nesta terça a segunda petroquímica iraniana em dois dias. O alvo foi, após a ação contra uma unidade próxima do campo de gás de Pars Sul, uma usina que segundo Tel Aviv produzia insumos para explosivos em Shiraz.
O Irã retaliou contra o complexo petroquímico de Jubail, no leste da Arábia Saudita. O local foi atacado com sete mísseis e vários drones, segundo informações iniciais, mas o governo de Riad não confirmou se houve danos.
Teerã alvejou o principal terminal de manejo e embarque de gás natural liquefeito do Qatar, o líder mundial desta commodity, removendo em uma só ação quase 20% da capacidade produtiva do país. Trump interveio e fez Israel prometer que não atacaria mais, contendo a disparada nos preços do petróleo e do gás.
O Estado judeu sinalizou que deve aderir a um eventual ataque dos EUA caso os esforços para algum tipo de acordo com o Irã fracassem até as 21h desta terça em Brasília, prazo dado pelo americano para tal.
Trump ameaça bombardear a infraestrutura civil do Irã, dizendo que, se o estreito de Hormuz não for reaberto para os 20% do tráfego de petróleo e gás natural liquefeito que por lá passavam, atacará pontes e usinas de energia.
O regime iraniano pediu que jovens façam correntes humanas em torno das instalações ameaçadas e disse que 14 milhões dos 93 milhões de moradores se voluntariaram para uma eventual guerra terrestre. As Forças Armadas do país têm 610 mil militares, 190 mil deles na Guarda Revolucionária.
O temor de retaliação se espalha pela região. Os sauditas fecharam uma ponte que liga o país ao Bahrein, temendo que ela seja alvo caso as negociações fracassem. O Irã advertiu para cidadãos ficarem longe dela e de estruturas também nos Emirados Árabes Unidos a partir das 23h (16h30 em Brasília).
O Irã já disse que usinas de dessalinização, vitais para o árido Oriente Médio, serão alvos legítimos caso a situação saia de controle. Metade da água na Arábia Saudita vem do mar, índice que varia de 80% a 100% nos vizinhos árabes do Golfo.
Na segunda (6), Trump rejeitou uma contraproposta feita pelo Irã que exigia não só uma trégua de 45 dias, como os negociadores americanos pediam, mas o fim do conflito e a negociação de uma série de pontos voltando à lógica de troca de intenções militares de seu programa nuclear pelo fim de sanções.
(Folhapress)


