Cerca de um milhão de refugiados sírios devem retornar à Síria nos primeiros seis meses de 2025, após a queda do presidente Bashar al-Assad, disse a diretora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) para o Oriente Médio, Rema Jamous Imseis, nesta terça-feira, 17.
Pelo menos 374 mil sírios foram deslocados pelos conflitos que levaram à tomada do poder pelos rebeldes sírios no início do mês, de acordo com estimativas da ONU, além dos milhões que fugiram da sangrenta guerra civil de 13 anos no país, que teve início depois que protestos pró-democracia foram reprimidos pelo governo em 2011. Ao todo, mais de 500.000 sírios morreram durante o conflito.
Segundo Imseis, alguns dos que estão fugindo do país após a deposição de Assad podem estar ligados ao antigo governo ou fazerem parte de minorias religiosas, preocupadas com a posição da administração interina comandada pela Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que é composta em grande parte por combatentes da maioria sunita da Síria.
O governo interino da Síria buscou tranquilizar os diferentes grupos étnicos e religiosos do país de que todos serão protegidos e incluídos após após mais de meio século de repressão sob o clã Assad. Ainda assim, muitos acreditam que a HTS possa marginalizar grandes populações minoritárias, que incluem muçulmanos xiitas, drusos, alauítas e cristãos.
Milhares de pessoas já retornaram ao país, principalmente vindas da Turquia, Líbano e Jordânia.
“Temos enormes necessidades humanitárias em uma escala que não diminuiu de forma alguma”, disse Imseis, pedindo o apoio de doadores para auxiliar a volta dos refugiados.
Imseis também pediu que os países não obriguem os refugiados a retornarem à Síria. No entanto, muitas nações europeias já disseram que suspenderão os pedidos de asilo de sírios, com a Áustria entre os que já estão preparando um programa de “repatriação e deportação” para o país.
“É importante manter essa proteção para os sírios que já encontraram refúgio nos países anfitriões, e que eles não sejam devolvidos à força para a Síria”, acrescentou Imseis.


