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Terremotos na Venezuela deixam 1.450 mortos e expõem dimensão da tragédia

O número de mortos após os dois terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira chegou a 1.450, informou neste domingo (28/06) o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O balanço mais recente amplia a dimensão da tragédia que devastou áreas do país e mantém milhares de famílias em situação de emergência. A contagem anterior, divulgada por Delcy Rodríguez, apontava 1.430 mortes.

As autoridades venezuelanas ainda não apresentaram um novo número de feridos. O dado anterior indicava mais de 3.200 pessoas feridas e outras 3.200 famílias desalojadas. A estimativa de desaparecidos, no entanto, é muito superior: segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 50 mil pessoas podem estar desaparecidas ou presas sob escombros. Um site ligado à oposição registra mais de 54 mil pessoas nessa condição.

O ritmo das atualizações tem sido irregular desde os primeiros momentos após a tragédia, com informações divulgadas por diferentes autoridades do regime. Enquanto isso, equipes de resgate seguem trabalhando em meio aos prédios destruídos, em uma corrida contra o tempo. Organizações humanitárias consideram as primeiras 48 a 72 horas decisivas para encontrar sobreviventes, embora esse prazo possa se estender em casos em que as vítimas tenham acesso a água e alimentos.

Delcy Rodríguez afirmou, na madrugada de sábado para domingo, que a Venezuela já recebeu apoio de 24 países. Segundo ela, foram enviadas 521 toneladas de suprimentos, 86 equipes com cães farejadores e mais de 2.741 profissionais de busca, resgate e apoio. As equipes internacionais atuam em conjunto com os grupos venezuelanos nas regiões mais atingidas.

No sábado, ela já havia informado que pelo menos 14 mil militares e policiais tinham sido deslocados para a região. O estado mais atingido foi militarizado, segundo a própria liderança venezuelana. As autoridades também interditaram a estrada que liga La Guaira a Caracas, sob a justificativa de que o tráfego intenso prejudicava a circulação de ambulâncias.

A dimensão econômica do desastre também preocupa. A ONU estimou em US$ 6,7 bilhões, o equivalente a R$ 34,6 bilhões, os danos físicos provocados pelos terremotos. O valor corresponde a cerca de 6% do Produto Interno Bruto venezuelano. O cálculo, porém, não inclui perdas em infraestrutura, impactos econômicos mais amplos nem os custos de reconstrução de longo prazo. Segundo o organismo, o impacto total pode ficar entre 1,5 e 3 vezes o valor dos danos diretos.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, podem estar entre os mais letais registrados na América Latina no último século. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estimou a possibilidade de mais de 10 mil mortes em decorrência da tragédia. Já a ONU calcula que até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas direta ou indiretamente pelos tremores.

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