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Quem são os vereadores presos em Sobral; veja como as investigações identificaram os suspeitos – Ceará Notícias

Três vereadores de Sobral foram presos preventivamente na manhã desta terça-feira (11/8), durante a Operação Omertá, que investiga a suspeita de atuação de organização criminosa na interferência de processos eleitorais no município. Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos) estão entre os alvos da ofensiva.

Os parlamentares representam diferentes campos da política municipal, atingindo tanto a base quanto a oposição à Prefeitura na Câmara. A Justiça determinou, além das prisões preventivas, o afastamento dos três do exercício dos mandatos pelo prazo inicial de 180 dias. Outros dois agentes públicos também foram afastados pelo mesmo período.

Carlos do Calisto foi o vereador mais votado de Sobral nas eleições municipais de 2024, com 4.176 votos. Mário Vicktor recebeu 3.069 votos e Junim do Povo, 1.209. Carlos está no quarto mandato, Mário no segundo e Junim exerce seu primeiro mandato. Os números da votação são confirmados pelos resultados oficiais das eleições de 2024.

Segundo as informações apresentadas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, a investigação apura suspeitas de ligação dos parlamentares com uma organização criminosa envolvida em interferências nos processos eleitorais de 2024 e 2026.

Um dos pontos de maior gravidade da apuração envolve a cobrança de uma espécie de “pedágio” para permitir que candidatos realizassem campanhas em determinados territórios de Sobral. Segundo os investigadores, os valores poderiam chegar a R$ 60 mil para políticos detentores de mandato e aproximadamente R$ 30 mil para candidatos estreantes.

As denúncias de cobrança para acesso eleitoral a territórios controlados pelo crime organizado não são recentes. Ainda durante a campanha de 2024, candidatos relataram à Polícia Federal cobranças de até R$ 60 mil para conseguirem realizar atividades eleitorais em determinados bairros de Sobral.

A investigação também alcança fatos relacionados às eleições de 2026. Conforme relatado pelo promotor Igor Pinheiro, coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) do Ministério Público do Ceará, eventos políticos teriam deixado de ser realizados após ameaças atribuídas à organização criminosa contra participantes e proprietários dos locais onde ocorreriam as reuniões.

O promotor ressaltou que candidatos e integrantes de campanhas não devem se submeter a eventuais cobranças ou intimidações de organizações criminosas e que situações dessa natureza devem ser comunicadas às forças policiais, ao Ministério Público e à Justiça.

O caso amplia a preocupação com a interferência do crime organizado na política de Sobral. Desde 2024, investigações e reportagens já apontavam ameaças, restrições territoriais e suspeitas de extorsão contra candidatos durante atividades eleitorais no município.

Com três parlamentares simultaneamente presos e afastados, a Operação Omertá também provoca impacto imediato na Câmara Municipal de Sobral. A Casa possui 21 vereadores na legislatura 2025–2028, e Carlos do Calisto, Mário Vicktor e Junim do Povo constavam entre os parlamentares em exercício.

As prisões preventivas e os afastamentos são medidas cautelares e não representam condenação. Os investigados têm direito à defesa e permanecem presumidamente inocentes até eventual decisão judicial definitiva. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos parlamentares.

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