Em meio ao acirramento das tensões entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta sexta-feira (4) que a corte “é maior do que qualquer um que o integra”. Na ocasião, Dino também defendeu a normalidade nos julgamentos e na tramitação dos processos do tribunal.- Publicidade –
A postagem no Instagram foi feita um dia após Moraes solicitar a abertura de um processo contra o colega por abuso de autoridade, em decorrência da atuação de Mendonça no caso do Banco Master. O movimento ocorreu depois de Mendonça sinalizar que levaria ao plenário a possibilidade de investigar Moraes devido aos seus laços com Daniel Vorcaro.
Para o ministro, que é aliado de Alexandre de Moraes, a superação de crises institucionais exige três pilares: respeito aos procedimentos, capacidade de ouvir e avaliação correta do tempo. Dino alertou ainda que, caso o Judiciário perca a sua autossustentação, corre o risco de se transformar em “um mero joguete de outros poderes, como forças partidárias em disputa eleitoral”.
“Um país sem instituições jurídicas sólidas é o sonho dos criminosos e abusadores de todos os feitios. E dos equivocados que se acham tão fortes que não precisam do Estado Nacional. Supostamente ‘se bastam, por isso estão prontos a tocar lira enquanto Roma arde em chamas”, escreveu.
Na visão do ministro, a realização das sessões plenárias habituais da corte nesta semana não representa “fingir que não há crise”, mas sim garantir que “a toga fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas”.
“Lembro que o maior orador de todas as épocas, Jesus Cristo, disse: ‘Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, mas não se dá conta da viga que está no seu próprio olho?”, escreveu Dino.
Dino ainda ponderou que a chamada “era da superficialidade” pode desembocar em tragédias. “Lembremos as chacinas, os golpes de Estado, as guerras, tudo isso sempre está logo ali na esquina”, advertiu.
Ao encerrar a postagem, Dino recorreu aos conceitos de “ética da convicção e ética da responsabilidade”, do sociólogo Max Weber, enfatizando que “a lealdade institucional exige enfrentar os problemas reais, com o devido processo legal e no tempo certo”.


