Ação confirmada pelos advogados dos políticos que trocavam impropérios no ímpeto de comentar fatos cotidianos sinaliza acordo e deixa uma pulga na situação
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Nove processos penais entre os rivais históricos no Ceará, o ex-governador e pré-candidato ao Governo do Estado Ciro Gomes (PSDB) e o deputado federal Eunício Oliveira (MDB-CE), pré-candidato a uma vaga ao Senado pela chapa da situação, liderada pelo governador Elmano de Freitas (PT), deixaram de existir.
A trégua nas ações judiciais movidas por um contra o outro nos tribunais cearenses, motivadas por brigas públicas e troca de ofensas, foi confirmada pelos advogados. As ações cíveis, no entanto, prosseguem em segredo de Justiça. O acordo foi interpretado como um sinal aos articuladores da chapa de reeleição de Elmano de que Eunício está, de fato, na disputa pela vaga majoritária.
Processos
O histórico de disputas judiciais entre Eunício Oliveira e Ciro Gomes se intensificou após o rompimento político entre ambos, em 2014, resultando em quase 40 processos na Justiça, abrangendo tanto a esfera cível (danos morais) quanto a criminal. Considerando ações envolvendo outros políticos, o número ultrapassa 70 processos.
No atual acordo, Ciro desistiu de três ações, enquanto Eunício retirou seis. As defesas do ex-ministro e do deputado federal decidiram não dar prosseguimento a um total de nove queixas-crime. O jornal O Estado CE tentou contato com o deputado e sua assessoria, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta.
A lista de ações contra Ciro por ataques verbais reúne episódios distintos, e quase todos os 77 processos tramitam no Tribunal de Justiça do Ceará. Desse total, 70 são ações cíveis que pedem indenização por danos morais. Os demais são queixas-crime por calúnia, injúria e difamação.
O jornal O Globo publicou que o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira foi condenado a pagar R$ 50 mil a Ciro Gomes – à época, pré-candidato à Presidência da República pelo PDT – por ter se referido ao então pedetista como “batedor de carteira”, “sem escrúpulos” e “cooptador de partido”. Esse teria sido o quarto processo em que o ex-senador perdeu uma disputa judicial contra Ciro, hoje filiado ao PSDB.
Em outra ação, a revista Veja noticiou que Ciro Gomes foi condenado a indenizar Eunício Oliveira em R$ 100 mil por ofensas pessoais proferidas contra o emedebista nas redes sociais. Na ocasião, Eunício afirmou que doaria o valor a uma instituição de combate ao uso de drogas.
Lados opostos
Atualmente, Ciro Gomes e Eunício Oliveira seguem em campos políticos opostos no Ceará. Enquanto o ex-ministro é apontado como principal nome da oposição ao governo Elmano na disputa estadual de 2026, Eunício articula o retorno ao Senado pela base governista, alinhado ao Palácio da Abolição e ao grupo político liderado pelo ex-ministro e senador Camilo Santana (PT).
Recentemente, questionado pelo jornal O Estado CE sobre tantos nomes pleiteando uma vaga ao Senado, Camilo declarou que uma das duas vagas na chapa governista poderá ser destinada a Eunício.
Em entrevista ao PontoPoder na semana passada, Eunício disse: “Se eu quiser ser candidato a senador, eu serei. Eu não preciso ter candidato ao governo, não preciso ter outro candidato na chapa, eu posso ser candidato”, afirmou.


