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Cármen Lúcia reconhece tensão no STF e diz que não faz nada errado

Em um momento em que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) recebem atenção pública pelo comportamento em casos como do Banco Master e de relatos de estranhamento entre os magistrados, a ministra Cármen Lúcia disse ter ciência da tensão que a Corte vive e que, embora não possa falar em nome de todo o STF por não ser a presidente, consegue assegurar que ela não faz nada fora da lei. “Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”, afirmou, nessa segunda-feira (13), durante palestra na Fundação FHC, em São Paulo.“Eu não faço nada errado. Tenho ciência da tensão que vivemos,” disse a ministra. Ela afirmou ainda que o Brasil vive um momento de desconfiança generalizada, o que justifica em parte a crise do Tribunal. Mas declarou que o STF precisa “mostrar ao povo que estamos ali para servir” e falou da necessidade de transparência das ações dos ministros fora de Brasília.A ministra avalia ser saudável que os magistrados saiam de seus gabinetes para ouvir a sociedade, mas que o movimento precisa ser divulgado e explicado. “Tem que saber como sair, para onde ir e como tornar isso transparente. Todo mundo sabe, no Brasil, hoje, que eu estou aqui agora de manhã. Minhas agendas são públicas”, exemplificou.A magistrada falou que essa transparência ajuda o Poder Judiciário, o STF e, principalmente, a convivência entre os ministros. “Nesse momento de maior tensão, em que se questiona tanto o próprio Supremo na sua dinâmica, uma parte do que eu escuto é fato: mais tenso, muito mais difícil a vida de todos.”Cármen Lúcia disse que a Corte vive fase de “questionamento”. Afirmou também receber, como ministra, “críticas ácidas” e que nesses momentos repete para si mesma: “Cármen, lembra, você faz Direito, não milagres”.A magistrada disse também ser alvo de discurso “sexista, machista e desmoralizante” e que familiares já sugeriram que deixasse o cargo. Questionada sobre sugestão de mudanças no STF reunidas por especialistas em um documento organizado pela Fundação FHC e entregue à Corte, a ministra sinalizou que algumas propostas podem não ser condizentes com os desafios internos do Tribunal, marcado pelo excesso de demanda.

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