Senador e por opção não candidato à reeleição, Eduardo Girão se filiou ao Novo, partido cuja expressividade no Ceará é menor quando comparada com a presença da legenda em outros estados.
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Pela sigla, será confirmado no próximo dia 2, em convenção, candidato ao Palácio da Abolição. Oitavo convidado do videocast Caráter, do O Estado, o parlamentar visitou nesta quarta-feira (22) a sede do veículo e conversou sobre divergências com outros nomes da oposição no Ceará.
Na entrevista, cuja íntegra estará disponível no canal YouTube do O Estado ao final desta quinta-feira (23), o parlamentar comenta suas ações nos quase oito anos corridos de mandato no Congresso, defende sua visão política criticando uma das legendas cujos integrantes hoje estão distante do leque de diálogos com o Novo e aponta vácuos que considera existirem na economia cearense, bem como na gestão do governador Elmano de Freitas (PT).
“O cearense é um povo empreendedor, que tem muitas possibilidades se tiver o estado não atrapalhando. Quando a gente vê esses impostos sendo aumentados, a máquina pública está inchada com gastos desnecessários, por exemplo, propaganda […]”.
Questionado sobre a ausência de experiência em gestão pública, Girão cita Romeu Zema (Novo) e argumenta: “Gestão é minha praia. Romeu Zema também nunca esteve na gestão pública, fez um belíssimo trabalho no estado, tanto é que foi reeleito”.
CARÁTER: Senador, qual é o seu caráter?
EDUARDO GIRÃO: O caráter de uma pessoa que sabe das suas limitações e imperfeições, mas que tenta melhorar a cada dia. Que procura servir a Deus e sabendo que a vida é passageira. E que a nossa verdadeira pátria é a do mundo espiritual. Tudo que a gente planta, a gente colhe. Então, eu procuro ter muito isso em mente para guiar as minhas ações aqui na Terra.
CARÁTER: Como estão os preparativos para a convenção do Novo?
EG: O partido Novo é diferente. Procura ter coerência no pensar, no falar, no agir. A gente está vendo a direita, que se achava que era direita no estado do Ceará, se debandando para a esquerda. Ou seja, não era direita, era centrão, na verdade, trocando por cargos. A gente está com um grupo pequeno, mas de pessoas de muito valor, de muitos princípios. Vamos fazer o sétimo pré-lançamento em Iguatu, no sábado agora, às 14 horas, e, no dia 2, ou seja, uma semana depois, a gente vai fazer aqui em Fortaleza a nossa convenção. Nominata completa.
CARÁTER: Nesta semana, o senhor voltou a criticar o candidato Ciro Gomes (PSDB) e também o governador Elmano de Freitas (PT). Qual é exatamente a divergência, na campanha política, entre o senhor e a oposição?
EG: Água e óleo, com todo respeito à pessoa do Ciro Gomes, aliás um cara muito inteligente. Com todo respeito ao Elmano, uma pessoa muito acessível, humana, vamos dizer assim. Não tenho nada contra as pessoas, mas às ideias deles. E o teatro que é feito, porque o que está acontecendo aqui no Ceará, e isso a gente vai procurar mostrar na campanha, é o teatro das tesouras. A reedição clássica, só que regional, daquela história do PT e PSDB, trocando seis por meia dúzia. Quem colocou o PT no poder foi o Ciro Gomes. Lá atrás, ele criou Camilo, o Cid [Gomes]. A gente está aqui para oferecer propostas para população, olhar para o povo cearense. E isso eu tenho demonstrado no próprio Senado Federal, com ações nos 184 municípios do Estado, levando para todos os recursos, independente se é do PT, se é do PSDB, de que partido seja […] Eu vejo política não como meio de vida, como essa turma passou a vida na política. Esses aí que estão colocando o nome, que já tiveram aqui no governo, que estão na tragédia atual desse governo do PT. Ou uma volta ao passado como é o Ciro Gomes. A gente merece mais. O Ceará merece muito mais.
CARÁTER: O senhor sempre foi muito próximo do presidente da Federação União Progressista, Capitão Wagner. Chegou a ser coordenador da campanha dele, mas houve claramente uma distância entre ambos. O que aconteceu?
EG: Eu tenho muita gratidão ao Capitão Wagner. Foi a pessoa que me convidou para entrar na política com aquele espírito combativo dele. Sempre admirei muito o Capitão Wagner por estar ali lutando praticamente sozinho. Eu me some quando ele me convidou […] Tenho muita gratidão e procurei durante o mandato ajudá-lo em vários momentos. Fora do mandato, fui coordenador da campanha dele. A outra campanha dele não coordenei, mas ajudei bastante, inclusive com recursos […] Ultimamente, ele fez a escolha de caminhar ao lado com aquele que ele sempre combateu, adversário ferrenho na política e tudo. Falando que eram coronéis que estavam aqui, que a família Ferreira Gomes era isso, era aquilo […] O PL está comigo a nível nacional, lá em Brasília, e a gente luta pela liberdade de expressão, contra a censura. O que está acontecendo aqui é algo horripilante.
CARÁTER: O senhor tentou atrair o Capitão Wagner para sua campanha?
EG: Houve essa tentativa. Desde da eleição de 2022 que existia a possibilidade de eu me candidatar ao governo. Cheguei a conversar com o Capitão Wagner. Ele se lançou, e eu respeitei. No meu modo de ver, assim, precisava ter conversado um pouco mais, porque existia um diálogo para a gente definir quem seria o convidado. Ele lançou, e o apoiei. Na prefeitura [eleição de 2024], pedi o apoio dele. Ele resolveu manter a candidatura […] Vejo que, a partir dali, o Capitão fez uma escolha de abraçar aqueles que ele sempre, vamos dizer, adversário firme.
CARÁTER: Quais são os gargalos da economia no Ceará e qual seria a solução?
EG: O cearense é um povo empreendedor, que tem muitas possibilidades se tiver o estado não atrapalhando. Quando a gente vê esses impostos sendo aumentados, a máquina pública está inchada com gastos desnecessários, por exemplo, propaganda […] O estado do Ceará gasta mais em propaganda e publicidade […] Esse dinheiro que é usado para essas coisas vamos usar para os hospitais que estão sucateados, para as policlínicas […] Reduzir impostos, porque isso faz a economia girar, emprego e renda para as pessoas. Menos burocracia. A gente tem que destravar, fortalecer a meritocracia para que as pessoas sintam segurança em investir no Estado do Ceará. E aí a segurança pública é fundamental. Nossa vocação é o turismo. Estamos bem pertinho, é o ponto mais próximo do Brasil para a Europa e para os Estados Unidos […] A gente pode fazer tanta coisa aqui. Agora tem que ter segurança para as pessoas.
CARÁTER: O senhor fala muito em reduzir carga tributária, mas a própria Constituição prevê que a discussão tributária é concentrada no Congresso. Qual a margem que o senhor teria para fazer mudanças tributárias contando, por exemplo, com a Assembleia Legislativa?
EG: Eu tenho que trabalhar com a Assembleia Legislativa, levando [o tema] para eles. Quero ver quem é que vai votar contra diminuir o imposto. O que a gente puder fazer diminuindo a máquina pública aqui, enxugando. Nós temos 36 secretarias, um absurdo, para acomodar partidos políticos, os apoios políticos, essa coisa toda. Nós vamos reduzir a metade. E não vamos perder a eficiência.
CARÁTER: Num eventual segundo turno em que o senhor não esteja, o senhor votaria em quem aqui?
EG: Nós temos um grupo que está crescendo, as pessoas estão entendendo […] As pessoas estão incomodadas com esse conchavo que houve entre Ciro e PL. Eu não me vejo fora desse segundo turno. Eu não quero cogitar […] Uma agonia de cada dia.
CARÁTER: O senhor tem uma bandeira claramente a favor de impeachment de ministros do STF, mas não vai permanecer no Senado. Que caminho o senhor deixa pavimentado para essa pauta?
EG: Eu tenho o maior respeito pelo Supremo Tribunal Federal e sempre falo iss. O Supremo é importante para o Brasil. Porém, alguns ministros que estão lá não explicaram 129 milhões das suas esposas com o Banco Master, maior fraude do sistema financeiro do planeta Terra. Não explicaram o resort Taiáíá da sua família. Não explicaram ficar andando de avião para cima e para baixo, não explicaram contrato com a CBF de quase 10 milhões e dando liminar para o presidente da CBF voltar, não explicaram o inquérito que está aberto há 8 anos, 7 anos e meio, das fake news. A Paraná Pesquisas me deu 33% aqui para o Senado. Eu estaria com a minha reeleição encaminhada para o Senado. Mas eu sou contra a reeleição. Eu tenho uma emenda para acabar com a reeleição no Brasil e aprovei. Político tem que ter palavra. Eu tenho palavra, eu não me seduzo por poder.
CARÁTER: Como o senhor, sem experiência em gestão pública, pretende gerir bem caso seja eleito?
EG: É minha praia. Gestão é minha praia. Romeu Zema também nunca esteve na gestão pública, fez um belíssimo trabalho no estado, tanto é que foi reeleito. Eu estou com muito entusiasmo de fazer isso […] Se a gente já tem esse desvio de função do parlamentar de colocar as emendas e de fiscalizar as emendas, é uma coisa um pouco de Executivo isso. A gente vai fazer isso no Estado do Ceará sempre com um diálogo, contato direto com a população cearense […] Eu tenho essa vivência na cultura em projetos sociais.
CARÁTER: O convidado anterior, Lúcio Gomes, deixou a seguinte pergunta para o próximo convidado: ‘O senhor está procurando liderar pelo exemplo’?
EG: Lúcio Gomes, obrigado pela pergunta. Você não sabia que era para mim, mas eu acho que nada acontece por acaso. É o que eu faço na política. Não uso mordomia do governo, benesses, não tenho um parente meu indicado em lugar nenhum. Procuro não perseguir ninguém, até os adversários políticos a gente ajuda. Temos que acabar com essas brigas. A população não quer saber dessas confusões. A população quer saber de propostas, de ideias, e é nessa política que eu acredito. Nunca faltei [a sessões no Senado], nunca peguei um avião da FAB para ir em lugar nenhum, em missão oficial nenhuma.
CARÁTER: Qual o seu café para o próximo?
EG: Eu não sei quem é o próximo… O que você acha dessa reedição, do teatro das tesouras, clássico aqui regional no Estado do Ceará. PT e PSDB. Será que não existe um modelo novo de verdade olhando para o Ceará do futuro […] É saudável para a nossa democracia?


