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“Acho que a vinda do Lula é um pouco para isso”, diz Luizianne sobre reforçar que Ciro não é candidato de Lula

Deputada federal em terceiro mandato, ex-prefeita de Fortaleza por duas vezes, ex-vereadora e ex-deputada estadual, Luizianne Lins (Rede) deixou seu anterior partido, o PT, em busca de viabilizar sua candidatura ao Senado. Após dissidência para a escolha dos nomes da majoritária de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), chegou à composição, com as bênçãos do presidente Lula (PT), pelas mãos do ministro José Guimarães, de quem é próximo desde sua entrada no PT e permaneceu próxima após sua saída. 

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Segunda entrevistada pela sabatina aos candidatos ao Senado da série ‘Caráter Eleições 2026”, Luizianne Lins argumentou por qual razão quer ser senadora, defendeu mais políticas públicas para mulheres, comentou mal-estar com o senador Camilo Santana (PT) e com Elmano, seu ex-secretário municipal, e disse estar “tudo superado” com ambos. “Eu acho que, quando a gente tem respeito pelo que as pessoas pensam, pela história delas, tudo se ajeita. O problema é quando não se tem respeito. Mas, assim, a gente tem que se fazer respeitar”. Confira íntegra.

CARÁTER. Qual é o seu caráter?
Luizianne Lins. Sou uma pessoa muito intensa, só funciono mediante crença, preciso acreditar muito para me envolver profundamente e intensamente, porque se não tiver algo em que eu realmente acredite, pois meia-coisa não é comigo. As mulheres chegam na política, e a sensação que às vezes a gente tem é de que você faz um esforço para inclusive vencer as barreiras partidárias, as dificuldades, e quando você chega lá parece que você tá entrando no universo que não era para ser seu. Não só na política, em todos os espaços que nós mulheres queremos fazer a diferença ou queremos exercitar a nossa capacidade, nossa competência, a gente tem dificuldades. A gente luta diariamente contra uma estrutura de um machismo estrutural que tá em todo canto. Voltando aqui para essa questão: isso aí acaba fazendo a gente aparentar ser durona e tal. E eu sou uma manteiga derretida, como diz o povo. Eu sou capaz de estar assistindo um filme ou de estar vendo uma novela, quando você vê eu estou aos prantos, emocionada […] Eu me trabalho também para não ligar no automático. Tenho uma coisa que tem muito a ver com o meu caráter, que eu sou muito consciente dessa questão do nosso do tempo, que a gente passa aqui nessa terra, que é curto. A vida é curta. Então, a gente precisa fazer ela a melhor experiência que possa ser para nós e para os que estão em torno de nós. Para mim, pequenas coisas importam muito […] Sou uma eterna aprendiz. Acho que isso aí é uma marca importante.

CARÁTER. Por que você quer ser candidata?

LL. Eu ainda estava em dúvida se deveria ser candidata ao Senado, tentar outro mandato de deputada federal ou não disputar uma eleição naquele momento. Foi quando começou um movimento muito interessante, inicialmente com um manifesto de mais de mil mulheres pedindo que eu fosse candidata ao Senado. Foi muito emocionante receber esse documento. Além do pedido para que eu disputasse o Senado, aquelas mulheres falavam de sonhos, da participação feminina na política do Ceará e de projetos políticos. Para mim, partido e militância sempre estiveram relacionados à ideia de um projeto de vida, uma espécie de lente para enxergar o mundo. É pensar que projeto aquele partido tem para a sociedade e como, coletivamente, podemos atuar sobre a realidade. Não. Depois do movimento das mulheres, vieram manifestações da juventude, dos artistas, dos ambientalistas, do pessoal da cultura, dos intelectuais e da população LGBTQIA+. Foram 11 manifestações ao todo. Fui chamada para receber essas manifestações e, naquele momento, entendi que não poderia fugir daquela missão que, acredito, o povo do Ceará estava me apresentando. Porque penso que tenho muito para colaborar com a defesa do Ceará em Brasília, pela experiência que tive na política e na vida concreta, no dia a dia. Fui vereadora de Fortaleza muito jovem e eleita duas vezes. Na época, fui a vereadora mais votada do PT. Depois, fui candidata a deputada estadual e a mulher mais votada do Ceará naquela eleição. Tive um mandato curto, mas muito intenso, com forte atuação no interior e na presidência da Comissão de Direitos Humanos. Em seguida, fui eleita prefeita de Fortaleza e reeleita para um segundo mandato. Em 2008, Fortaleza elegeu uma prefeita no primeiro turno, e permaneci mais quatro anos à frente da cidade. Hoje, estou no meu terceiro mandato de deputada federal […] Acho que esse conjunto de experiências é importante para um mandato no Senado. Não considero que seja um mandato qualquer. Enquanto a Câmara dos Deputados representa a população, o Senado representa os estados. Independentemente do número de habitantes, cada estado tem três senadores. Tenho orgulho da possibilidade de levar o Ceará para Brasília e representar também a força das mulheres. Por isso, preparei propostas como se estivesse disputando um governo, mas pensando em projetos que possam ser apresentados no Senado.

CARÁTER. O que precisa ser feito para a mulher se sentir mais incentivada a participar da vida pública na política eletiva?
LL. A mulher tem que estar onde ela quiser. Esse é o princípio do qual partimos. Se quiser estar na política, deve estar na política. Se quiser trabalhar em uma empresa, deve estar em uma empresa. Se quiser ser dona de casa, também pode ser, desde que esteja realizada e que isso seja uma opção, não um destino. Sou a favor de que, quanto mais a gente puder exercer nossa liberdade e seguir nossas afinidades, mais felizes seremos. Se a liberdade de escolha existe, por que ainda há tão poucas mulheres na política? A sub-representação das mulheres na política decorre de vários fatores. E há um exemplo que mostra claramente como, quando algumas dessas questões são enfrentadas, conseguimos aumentar a participação feminina. Quando cheguei à Câmara Federal, em 2015, tínhamos 55 mulheres entre 513 deputados federais. Representávamos cerca de 10% das vagas. Já existia a cota mínima de 30% de candidaturas femininas, mas eu sempre dizia que não adianta procurar mulheres de última hora apenas para preencher a chapa. É preciso criar condições para que as mulheres participem da política no cotidiano. Não basta garantir os 30%. É preciso garantir formação política, participação nas reuniões partidárias e experiência. É um processo que exige vivência. A mulher também precisa conquistar espaço dentro do próprio partido. Se tudo isso não vier acompanhado de outras condições, teremos apenas vagas para mulheres, sem necessariamente termos construído as condições para que elas aprendam e exerçam plenamente a representação política.

CARÁTER. Ou seja, o financiamento foi muito importante…
LL. A partir da definição de regras para destinação de recursos partidários e eleitorais às candidaturas femininas, houve outro mecanismo de incentivo à participação das mulheres. E os números mostram uma mudança. Saímos de 55 deputadas para 79 e, na eleição seguinte, chegamos a 99 mulheres eleitas para a Câmara. Isso demonstra que mecanismos institucionais podem produzir resultados. Mas também mostra que ainda faltam outras condições. Porque estamos falando de uma desigualdade construída historicamente. Quando discutimos gênero, não estamos falando simplesmente de dois grupos que se desenvolveram de maneira igual. Historicamente, as mulheres foram submetidas a uma estrutura de predominância masculina. Existe, portanto, uma distorção histórica. Não podemos esperar 400 ou 500 anos para que as coisas se igualem naturalmente. Precisamos criar mecanismos, inclusive institucionais, quando forem necessários e demonstrarem que funcionam.

CARÁTER. Qual é o perfil da mulher cearense que mais precisa de políticas públicas?
LL. Eu começaria pelo recorte de classe. As mulheres de menor poder aquisitivo são as que mais precisam dessas políticas. Mas não é apenas uma questão de renda. O poder público deve ajudar a equacionar uma sociedade que possui várias diferenças, e diferença não significa desigualdade. A diferença de gênero é uma delas. Também temos diferenças de geração e de condição social. Diferença não significa desigualdade. Precisamos reconhecer que homens e mulheres têm trajetórias históricas diferentes e que determinadas desigualdades foram construídas socialmente. Por isso, as políticas públicas precisam considerar essas diferenças e criar condições para que as pessoas tenham efetivamente as mesmas oportunidades. Quando a gente pensa em uma cidade, precisa pensar em todas essas gerações. E também existe a questão da classe social, principalmente no Brasil, que ainda é um país muito desigual socialmente. Muita gente vive com até dois salários mínimos, enquanto existe um grupo muito reduzido que ganha acima de dez salários mínimos. Então, temos uma desigualdade muito grande. O poder público precisa equacionar o máximo possível. 

CARÁTER. O que você quer levar do que considera ter sido exitoso da sua gestão como prefeita para um eventual mandato no Senado Federal?
LL. Eu acho que todas essas políticas nossas que deram certo. Porque é importante deixar claro: eu não vou ser executiva no sentido clássico. Não vou ser governadora, não vou ser prefeita. É diferente o cargo. Mas eu sei que, lá, você pode ter acesso a todas as políticas públicas por meio dos ministérios e fazer propostas para o próprio ministro, porque você vai estar em outro patamar da República de diálogo. O Senado é muito respeitado nesse sentido. São 81 senadores para essa imensidão que é o Brasil. Então, o Senado tem uma voz importante para você pautar políticas junto aos ministros, fazer propostas concretas, negociar com o Executivo, alterar o orçamento e deslocar recursos para os setores que mais precisam. Por exemplo, uma política de juventude robusta, uma política contra a violência à mulher robusta. É possível fazer isso. Além da fala, existem mecanismos que você pode movimentar, inclusive para influenciar o Governo Federal. Então, acho que todas as coisas que nós fizemos aqui e que deram certo, que foram políticas exitosas, que até hoje o povo não esquece e que até hoje também somos procurados para dar depoimentos para os prefeitos que estão assumindo, dependendo de mim, vão para o nível nacional.

CARÁTER. Você foi muito criticada como prefeita por uma suposta dificuldade de articulação com a Câmara Municipal. Como responde a essas críticas?
LL. Com relação à Câmara Municipal, não tive problema porque eu tinha sido vereadora. Eu sempre costumo dizer que foi um mandato que me honra muito, porque o vereador é, primeiramente, onde o povo bate à porta, no sentido simbólico da expressão. Então, eu tenho muito respeito por esse mandato, que me ensinou muito, inclusive. Como fui vereadora, quando fui eleita prefeita, tive muito mais facilidade de lidar com a Câmara Municipal no sentido do diálogo, de conhecer as pessoas, saber os objetivos e saber que o vereador está na ponta. Ele está ali todos os dias ouvindo a população: o que está pegando, onde está faltando escola, o que está faltando no posto de saúde, enfim. Então, eu sempre tive muito respeito pela Câmara. A questão não foi central, não foi ali. A questão mesmo é a dificuldade que muitas vezes a sociedade, que transita nessa lógica do patriarcado, tem de ver uma mulher que tem autoridade e que essa autoridade precisa ser cumprida. Não é porque eu sou mulher que vou deixar de comandar a cidade. Eu ouvi falar que o candidato adversário do Elmano, quantas vezes, me chamou de ‘coronel de saia’. Fui chamada várias vezes de ‘coronel de saia’ quando era prefeita. Mas por quê? Porque eu tinha que comandar a cidade e comandava. Então, existe isso. Os homens, o povo acha lindo quando eles dão os seus “chiliques” de grosseria. Aí, quando é mulher, somos sempre associadas a coisas como “nervosinha”, “histérica”, “doida”. Isso também é uma forma clara de expressão do machismo. Ou seja, a gente está sempre rotulada de alguma coisa.

CARÁTER. E é importante estar no poder para quebrar esses estigmas…
LL. Exatamente. Porque não é só quando a mulher está em um espaço de poder que existe um gênero a ser representado. É porque também muda o olhar sobre as coisas. Muda o olhar sobre as coisas, e isso é importante. Ou seja, o nosso olhar também precisa estar representado. A gente sabe que, até no julgamento de uma determinada situação, temos uma vivência e uma forma de perceber e lidar com determinadas coisas que dizem respeito à nossa vivência existencial como mulher. E isso precisa estar representado. Isso precisa estar dialogando com o poder. Não podemos estar excluídas disso. Já basta que, no Brasil, eu falo muito isso, eu fico me remoendo toda vez que me lembro disso: nós fomos votar no Brasil em 1932. É muito tempo. 

CARÁTER. O presidente Lula vem ao Ceará no dia 29. Gabriella Aguiar comentou que ainda há um potencial de eleitores que não sabem que Elmano é candidato de Lula. Você acha que a campanha precisa reforçar de outra forma essa dobradinha, dizendo por exemplo que Ciro não é o candidato de Lula?
LL. Eu acho que ele tem dito isso. Por exemplo, estive com ele quando ele veio pela primeira vez na campanha. Nós tivemos uma caminhada em Juazeiro do Norte, uma coisa linda, uma multidão, e, no final, ele disse ‘quero dizer que o meu candidato”, ele levantou a mão do Elmano e disse, ‘O meu candidato aqui no Ceará é Elmano de Freitas. Só tem um, e é ele”. Mas a comunicação demora a chegar 100% à sociedade […] Mas acho que é uma questão de tempo para essa informação chegar. A vinda do Lula vai acontecer novamente, no dia 29. Vai ter uma atividade aqui pela manhã, em Fortaleza. Ainda está sendo definida qual será a atividade. Penso que agora nós também estamos entrando no clima eleitoral, porque a sociedade começa a entender, a ver as candidaturas e comparar. É tudo muito rápido, muito intenso. Mas as pessoas só entram mesmo no clima durante a campanha, quando estão vendo os candidatos na rua e acompanhando tudo isso. Eu acho que a vinda do Lula é um pouco para isso, para essa confusão ficar cada vez mais clara. Porque o que acontece é que estamos vendo, curiosamente, a candidatura adversária não ter, pela primeira vez, um candidato a presidente, embora a principal ligação do adversário, do candidato Ciro Gomes, seja com o PL, que é o partido do Bolsonaro. Então, essa vinculação política está estabelecida pela coligação partidária. Isso é fato.

CARÁTER. O Ciro não tem ido para o embate com o Lula, em que pese ele ter feito embates com Lula ao longo deste período. Inclusive, quando o Lula veio ao Ceará, deu uma entrevista para um veículo local e falou do Ciro, e questionado pelo O Estado ele disse: “Eu vou ficar com os elogios”. Existe também o eleitor que ainda não é nem Lula, nem Bolsonaro. A campanha do Ciro também está focando nesse eleitor. Então, quando você chega a 11 dias da campanha e ainda precisa convencer, apesar de o Lula ter vindo várias vezes para cá já este ano, que o candidato é o Elmano, você fica se perguntando o que ainda pode ser feito pela campanha do governador Elmano para deixar isso mais explícito?

LL. Eu acho que é isso, a vinda do Lula está um pouco para isso, talvez até para essa confusão ficar cada vez mais clara. Porque o que acontece é que estamos vendo, curiosamente, a candidatura adversária a candidatura do Elmano, não ter, pela primeira vez, um candidato a presidente. Embora a principal ligação do adversário, do candidato Ciro Gomes, seja com o PL, que é o partido de Bolsonaro. Então, essa vinculação política está estabelecida pela coligação partidária. Isso é fato. Então, de fato, eu acho esquisito. Talvez por isso gera essa confusão.

CARÁTER. A senhora deixou recentemente o PT depois de 37 anos e está em um partido que também tem total relação com a sua causa, com as suas bandeiras. A percepção que a gente tem, acompanhado a campanha, é que você está muito mais próxima do Camilo agora, e ele de você, do que quando vocês eram do mesmo partido. Eu queria saber se a sua percepção sobre o senador Camilo mudou e se existe algo que poderia ter sido feito diferente para ter dado certo dentro do PT, porventura.
LL: Olhe, minha relação com o Camilo, eu o conheci lá no movimento estudantil. Ele era do Centro Acadêmico de Agronomia, eu era presidente do DCE da UFC. Então, a gente conviveu. Depois, eu não tive mais contato com Camilo durante um bom período, eventualmente na vida ou na política, porque ele também tinha uma relação política com os Ferreira Gomes. Todos eles eram um grupo só. Então, a gente estava muito na militância do PT, embora ele fosse filiado ao PT, mas a proximidade dele era muito mais com os Ferreira Gomes. Então, eu volto a ter uma relação com o Camilo agora, nesse momento. Porque, nem quando o Elmano foi candidato, a gente acabou convivendo muito.  E, assim, quando houve o processo de aproximação dele com o Lula, em 2022, e de aproximação, de fato, com essa organização partidária, essa coisa toda, eu me afastei um pouco. Eu estava chateada com várias coisas que estavam acontecendo, inclusive dentro do PT. Mas eu devo toda a minha trajetória política, toda a minha escola de vida partidária, ao Partido dos Trabalhadores. Tenho muito orgulho do tempo que fiquei lá. Mas, assim, penso: a vida é curta. Eu gosto de fazer as coisas em que acredito e tudo mais. Então, acho que, em determinado momento, quando você não está muito… Você queria ser mais bem-vinda, queria estar participando mas, queria dar mais uma contribuição e não está conseguindo, tem alguma coisa errada. É tão bom a gente estar no canto em que é querido, em que está colaborando, participando. 

Eu digo assim: ‘eu não sou uma pessoa que nasceu na vida para constar’. Então, ou eu vou, e quando eu estou, eu estou com a minha alma, com o meu coração, com a minha energia, ou então eu não vou. Não preciso ir. Não sou obrigada. E agora nós estamos imbuídos e talvez nos aproximando, pela primeira vez, de um convívio político de mais de um grupo, no sentido de estarmos do mesmo lado juntos, fazendo uma campanha do Elmano. Porque a gente considera que é fundamental a reeleição do Elmano para dar continuidade a esse Ceará que o Elmano tem feito, um governo muito competente, de muita entrega. Cada vez que vou ao interior, me surpreende muito a parceria do Governo do Estado com os prefeitos do interior do estado. Não tem lugar que você chegue que não tenha uma obra que o Governo do Estado esteja ajudando a realizar no interior. Nenhum município, nem os que não estão apoiando — que são poucos — fica sem receber obras. Então, eu acredito que isso se deve à parceria com o Governo Federal, à parceria com o Governo Estadual. Os prefeitos também estão bem avaliados. Isso também não é uma coisa comum. Em geral, é o poder que o povo mais cobra, e nós temos uma boa avaliação dos prefeitos. Isso se deve aos recursos para realizar obras por meio do Governo Federal e Estadual. Então, por que nós vamos perder essa parceria e esses ventos bons que estão soprando aqui? Eu penso e peço que as pessoas reflitam muito sobre isso. Nós vamos nos meter em uma aventura, tendo em vista que, infelizmente, o adversário do Elmano se meteu com o que há de pior na política do estado do Ceará, que é o bolsonarismo?

CARÁTER. A gente, principalmente quem cobre política ali de bastidor, escuta muito essa frase e também algumas especulações. O próprio candidato da oposição mencionou algumas vezes especulações de traição, não envolvendo seu nome, mas existiram algumas argumentações do tipo: “Ah, o Elmano traiu a Luizianne?”, em razão, inclusive, de quando você saiu do partido. A minha pergunta é muito clara: você acha que o Elmano traiu você?
LL. Não. Eu tenho uma relação com o Elmano antiga, muito antiga, desde a nossa militância no movimento estudantil. Foi meu secretário, mas, independentemente disso, a gente teve a militância no movimento estudantil e sempre fomos do mesmo grupo político dentro do PT. Então, desde muito meninos, estou falando dos 20 anos de idade, nós militamos e fizemos muitas lutas juntos e tal. Nós trouxemos o Elmano, na época do nosso governo. Eu me lembro quando a nossa coordenadora do Orçamento Participativo, que era Neiara de Morais, foi fazer doutorado fora, na Europa, e nós queríamos alguém com experiência para coordenar o Orçamento Participativo. Foi uma das maiores experiências políticas que essa cidade já viveu. O Elmano tinha muita habilidade e competência para isso e veio coordenar o Orçamento Participativo. Era uma espécie de secretaria que nós criamos para isso. Depois, ele foi secretário de Educação. Chegou, inclusive, em algum momento, a assumir a Secretaria de Finanças. Enfim, foi o nosso nome para disputar a Prefeitura em 2012, para me suceder naquele momento. Então, não acho que o Elmano me traiu. O que teve, de forma muito objetiva, foi que eu me chateei com algumas questões que estavam acontecendo. Essa aproximação desse grupo, quando eles romperam, eles eram uma coisa só. E, quando eles rompem, uma banda fica de um lado — Roberto Cláudio, Ciro — e a outra banda vem para cá, o Camilo, o Cid, o Chagas, essa turma que era toda uma coisa só. Então, também foi um processo de estranhamento para mim. E o que naturalmente eu fiz? Eu me distanciei. Eu não rompi, até porque nem tinha motivo para romper. Não era uma ruptura política, não era nada. Mas eu me distanciei dessa vivência política em relação ao Elmano. Mas tem sido muito bom esse reencontro, no sentido de a gente estar conversando mais, de eu estar me apropriando das coisas, das entregas. Por exemplo, eu estou muito feliz… o Ceará tinha 16 equipamentos ligados às políticas para as mulheres, especificamente em relação à violência. Era sala lilás, delegacia especializada, Casas da Mulher Brasileira etc. Eram 16, o Elmano construiu 97 espaços. Hoje são 112 espaços em todo o estado do Ceará, e eu quero que chegue aos 184 municípios. Por enquanto, estamos em 140 , mas quero que chegue a isso, para que tenhamos pelo menos um local de referência da luta contra a violência em cada município. Então, é um crescimento muito grande. Em três anos e meio, você ter construído 97 novos equipamentos. Saiu de 16 para 112. Então, isso é uma entrega importante. Então, eu posso dizer que estou feliz e estou defendendo a reeleição dele, inclusive por tudo isso.

CARÁTER. Está tudo superado com Elmano e Camilo?
LL. Sim. Eu digo assim: é um processo de vivência. Estamos do mesmo lado da política eleitoral. Então, acho que é um processo que está se construindo, um novo momento que está se construindo. Eu acho que, quando a gente tem respeito pelo que as pessoas pensam, pela história delas, tudo se ajeita. O problema é quando não se tem respeito. Mas, assim, a gente tem que se fazer respeitar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Quero me dirigir a você, você que mora aqui em Fortaleza, que mora no interior do estado do Ceará. Enfim, é nesse momento que nós vamos viver no dia 4 de outubro, é um momento muito significativo para a democracia brasileira e para o estado do Ceará. Eu costumo dizer que a gente não pode achar que política é igual a partida de futebol. Para mim, eu gosto dessa metáfora que eu acho importante. Eu torço por um time por mais fanática, por mais vibrante que eu tenha por ele, eu sou ferroviário. Mas assim, o nosso ferroviário ganhar ou perder, eu fico indignada, queria que ele ganhasse e tal. mas no dia seguinte a minha vida está do mesmo jeito.

Dependendo de quem eu eleja numa determinada situação, no dia 4 de outubro, minha vida não estará do mesmo jeito no período seguinte. Então, eleição não é partida de futebol. Quem vai ganhar ou quem vai perder faz toda a diferença na nossa vida. É daí que vai vir a qualidade da escola pública, é que vai vir como você vai lidar com a questão da segurança pública, como você vai lidar com a educação, tudo que depende de quem você eleger, a sua vida vai ser diferente pro bem ou pro mal. Não é como uma partida de futebol que é fora de você. Então, a gente querendo ou não saber da política, gente. A política interfere na nossa vida. Então, é muito melhor que a gente assuma a nossa cidadania e vote.

Fonte Matéria

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