Vice-presidente nacional do PT, o deputado estadual De Assis afirma que a meta da campanha de segundo turno de reeleição do presidente Lula (PT) no Ceará é manter o total alcançado no Estado e ampliar em 1,5 milhão o número de votos para o presidente, candidato à reeleição.
No primeiro turno, no último dia 4, Lula alcançou cerca de 3,5 milhões de votos nos 184 municípios cearenses, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com aproximadamente 1,7 milhão de votos.
No Ceará, partidos da base do governador Elmano de Freitas (PT) atuam em uma força-tarefa para dar vitória ampliada a Lula, que teve êxito expressivo no Nordeste, mas desempenho baixo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Também conforme De Assis, que foi reeleito para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Lula virá ao Estado e vai à Bahia, ao Rio Grande do Norte, ao Maranhão e ao Piauí, bem como a São Paulo e a Minas Gerais.
O parlamentar afirma que a tarefa “primordial” é garantir “um percentual de 70% a 75%, e ter como centralidade a disputa de São Paulo e Minas Gerais”.
Nesta quinta-feira (8), Lula anunciou agenda de campanha para esta sexta-feira (10) em Brasília, na cidade-satélite Ceilândia. Na unidade federativa, seu candidato ao Governo do Estado, Leandro Grass (PT) vai ao segundo turno contra a governadora que tenta reeleição, Celina Leão (Republicanos).
“Lula precisa falar direto, regionalizar, ter uma política territorializada e estar andando e construindo nesse processo uma articulação capaz de dar dimensão do que foi historicamente o papel militante dentro das campanhas. Conversar e dialogar com outros setores, que nós estamos fazendo, e, principalmente, fazer um quadro analítico comparativo”.
De Assis também aponta que a campanha de segundo turno vai focar na disparidade política entre Lula e seu adversário. “Quem é Lula e quem é Flávio Bolsonaro?”, provoca o vice-presidente do PT.
“Aquele que hoje tem relações diretas com a milícia, que homenageou e colocou no seu gabinete o homem que matou a Marielle [Franco], aquele que homenageou e foi advogar em favor do que matou uma criança de cinco anos. Aquele que está envolvido com tudo que tem de orgia dentro do mundo, querendo trazer moralidade, que está na corrupção até o pescoço com o [Daniel] Vorcaro. Nós vamos fazer esse quadro analítico comparativo e mostrar quem tem condições de fazer porque já fez, quem criou, quem instrumentalizou e deu dinamicidade à economia dentro do Brasil”, acrescenta De Assis.
Força dos aliados
O governador Elmano de Freitas (PT), reeleito no domingo com pouco mais de 53% dos votos, em cenário numérico semelhante ao alcançado em 2022, iniciou esta semana em reuniões em Brasília e no Ceará a fim de canalizar estratégias alinhadas com partidos da base visando ao sucesso da nova fase da campanha de sua legenda.
De acordo com o governador, a meta é dar, pelo menos, 70% dos votos cearenses a Lula. O perfil do gestor foi um dos citados pelo Instagram do PT Nacional para collab em um dos vídeos do presidente falando sobre abstenção na votação do último dia 4.
“Mais de 33 milhões de pessoas não compareceram às urnas no último domingo. Bora conversar e convencer todo mundo que não votou no primeiro turno, a ir votar 13 no segundo turno! Não podemos deixar nenhum voto em casa! Vamos pra cima, até a vitória!”, diz Lula no post.
Acerca das reuniões ocorridas com a cúpula da campanha de segundo turno logo após a votação de domingo, De Assis afirmou que o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, entre outras lideranças locais e nacionais, participaram.
“Foi uma reunião de trabalho para que a gente possa trazer o Lula na centralidade das agendas do Nordeste. O que nós precisamos é fazer a disputa e mostrar o quadro analítico e o Lula falar para as regiões, falar para as nações”.
Líder do partido do senador reeleito Cid Gomes, o PSB, na Alece, o também deputado estadual Marcos Sobreira defende que “é papel fundamental” da legenda e “de todos os partidos da base aliada” a “defesa à reeleição do presidente Lula”.
Para o parlamentar, reeleito para mais quatro anos na Casa a partir de 2027, é preciso “levar o eleitor até a urna”.
“Atrair os ausentes”
O argumento de Sobreira vai ao encontro do que a campanha de segundo turno de Lula vem pregando: a atração do público faltante nas urnas no pleito deste ano.
“Quem tem esse papel de articulação, de logística, são os prefeitos e deputados. Lula tem a preferência, nós precisamos incentivar esse movimento. Devemos nos reunir em breve, possivelmente ainda nesses próximos dias. É meta, trabalho agora do senador Cid. A gente está na chapa, nosso partido é o do [Geraldo] Alckmin. Temos o vice-presidente no nosso partido”.
O parlamentar aponta que o senador Cid atribuiu ao partido localmente o compromisso com a reeleição de Lula.
Sobre a possibilidade de votos destinados a Ciro Gomes (PSDB) no primeiro turno que tenham ido para Flávio Bolsonaro serem “transferidos” para Lula, Sobreira responde com referência ao “voto ideológico” e diz que o papel de líderes com mandato, como deputados, prefeitos, vereadores etc, é “tentar fazer o convencimento”.
“O Elmano terá mais acesso com quem? Com Lula ou com Flávio? Precisamos do Lula fortalecido. É esse papel que vamos fazer e convencer”. O deputado avalia também que o curso da campanha para a votação do dia 4 teve como norte a votação dos candidatos em si para suas respectivas eleições, o que fragilizou a busca de votos para a presidência.
Com o resultado das casas legislativas definido, aponta, o momento será dedicado com “força total” à reeleição de Lula.
“O PSB deve marchar 100% unido no segundo turno. Quem fizer algo porventura diferente não estará comungando com nosso partido. Nosso partido deve marchar 100%, a orientação foi essa. 100%. Assim como nós tivemos com o governador Elmano, a ideia é 100% junto com o presidente Lula no segundo turno”, finaliza.


