Christa Pike, mulher condenada à morte no Estado de Tennessee, nos Estados Unidos, que sobreviveu a duas injeções letais está consciente e falando enquanto recebe tratamento médico, afirmaram os advogados nessa terça-feira (6). “Contra todas as probabilidades, Christa Pike está consciente, falando, e continua a receber tratamento médico crucial. Apesar de graves danos em seus braços, ela ainda está algemada e presa a uma cama. Sua recuperação médica não tem precedentes. Seu prognóstico segue incerto, mas esperamos, no mínimo, uma longa recuperação”, disseram em comunicado.
Pike, 50, recebeu duas injeções letais na noite da última quarta-feira (30), antes de ser transferida para um hospital. Ela ficou em estado crítico. Foi a segunda execução malsucedida na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend neste ano.
A mulher foi condenada à morte na década de 1990 pelo assassinato de uma colega, Colleen Slemmer. Na época, Pike tinha 18 anos. Após a falha na execução, os advogados de Pike reforçaram o pedido para que ela tivesse sua pena transformada em prisão perpétua e chamaram a execução de “tortura química”.
O governador do Tennessee, Bill Lee, que na segunda-feira antes da execução da pena havia rejeitado o pedido de clemência de Pike para comutar a condenação para prisão perpétua, determinou a suspensão das execuções previstas no estado até o fim do ano e uma investigação independente sobre a tentativa fracassada de quarta-feira.
“Não há ninguém que quisesse que o que ocorreu na noite passada acontecesse”, disse Lee, um republicano, a jornalistas. “É uma tragédia, e é profundamente perturbador para mim que isso tenha ocorrido neste estado. A população merece algo melhor, e vamos garantir que isso aconteça.”
O caso de Pike é uma raridade no país. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Desde 1976, quando a Suprema Corte voltou a permitir a aplicação da pena de morte após uma suspensão de quatro anos, apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA, diante de mais de 1.600 execuções realizadas no período.
Na época do crime, ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e assassinaram Slemmer, uma jovem de 19 anos que conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes. O assassinato causou um frenesi na mídia em Knoxville, no Tennessee, em 1995, quando Colleen foi encontrada com um pentagrama esculpido em seu peito.
Pike acusou Colleen de insultá-la e tentar roubar seu namorado. Dois outros moradores do acampamento testemunharam posteriormente que Pike se gabou do assassinato antes e depois, e mostrou-lhes um pedaço do crânio de Colleen. Um ano depois, ela foi condenada à morte, enquanto Shipp, que tinha 17 anos na época, recebeu sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
Pike possui um histórico documentado de abuso sexual infantil, abandono e negligência. Os advogados acreditam que, se ela fosse considerada culpada do mesmo crime hoje, como adolescente, não receberia a pena de morte.


