A Rússia e a Ucrânia elogiaram o que chamaram de sugestão de Donald Trump para suspender ataques contra a infraestrutura energética dos dois países, mas mantiveram as ações, nessa terça-feira (15), e elencaram condições difíceis para a trégua prosperar. Nessa segunda-feira (14), o presidente americano havia anunciado com a usual fanfarra que tanto Moscou quanto Kiev tinham aceitado a ideia e que isso poderia baixar os preços internacionais do diesel, que refletem mais a tensão provocada pela guerra de Trump contra o Irã e a disrupção do comércio de petróleo no Oriente Médio.
Logo depois, o ucraniano Volodimir Zelenski disse que aceitava a proposta, desde que houvesse garantias formais dos Estados Unidos de que Vladimir Putin faria o mesmo. Nessa terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov disse que a “sugestão” de Trump “era uma ideia muito boa”. “É necessário garantir a navegação aqui, inclusive para petroleiros [no Mar Negro, sob ataque ucraniano]. O regime de Kiev não mostrou tal disposição”, afirmou.
Peskov ainda colocou mais uma condição para que os preços do petróleo sejam afetados pela situação na Rússia: o fim das sanções ocidentais ao comércio e ao transporte do produto. Nada disso está no radar de Trump agora.
Enquanto isso, drones ucranianos atingiram e incendiaram parte de uma refinaria em Sizran, cerca de 800 km a leste do país invadido. Em Belgorodo (sul), uma pessoa morreu durante bombardeio, e houve relatos de explosões em unidades logísticas da varejista online Ozon e outras empresas.
Do lado russo, dois postos de combustíveis em Kiev foram alvejados diretamente nessa terça-feira, e drones causaram um apagão na região centro-sul do país. A trégua anunciada por Trump visa seu público interno. Ele aparentemente acredita que é possível convencer eleitores que o aumento de até 50% no preço da gasolina nos EUA este ano é reflexo direto da escalada da guerra na Rússia.
Até há impacto, dado que em julho Putin teve de suspender a exportação de diesel e outros derivados, mas o barril de petróleo só viu seu preço disparar quando bombas americanas caíram sobre Teerã. Trump também busca retomar as negociações de paz entre russos e ucranianos. Não é tarefa fácil: nessa terça-feira, o chanceler Serguei Lavrov disse que Moscou continuará lutando se e quando houver conversas com os rivais invadidos em 2022.
A crise tem elevado tensões com a Europa, e esta terça viu mais dois incidentes atribuídos à Rússia provocar reações no continente. No mais sério deles, uma fragata russa disparou sinalizadores contra um helicóptero militar Fennec da Dinamarca no mar Báltico. Um dos projéteis quase atingiu o aparelho, o que poderia ter levado até à sua queda, a depender do que fosse afetado.
Moscou não comentou o episódio. Copenhague convocou o embaixador russo para apresentar um protesto, e a premiê Mette Frederiksen disse que “a Rússia quer semear medo e discórdia”. Na Lituânia, um drone que invadiu o espaço aéreo do país vindo de Belarus foi derrubado por caças italianos Eurofighter Typhoon que participam da missão de proteção dos Estados Bálticos neste mês.
Ainda não se sabe se o aparelho era russo ou ucraniano, mas a ser repetido o padrão de incidentes anteriores, foi um drone perdido durante um ataque.


