O presidente Lula (PT) pediu ao diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, nessa terça-feira (28), para que mostre ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o sistema público de saúde do Brasil. O petista visitou ontem equipamentos do hospital federal do Andaraí, no Rio de Janeiro. A agenda teve a presença de Adhanom e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).“Quando você puder conversar com o presidente Trump, ele que anunciou que ia cortar verba da OMS, diga para ele como um país que não é rico como os EUA consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República”, disse. Lula afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a qualquer pessoa o mesmo tratamento de radioterapia a que ele foi submetido para tratar um câncer de pele no couro cabeludo no Sírio-Libanês.“Eu fiz 15 sessões de radioterapia na cabeça por causa de um câncer de pele. E eu fiz numa máquina que qualquer pobre do Brasil pode fazer, qualquer pessoa mais humilde, qualquer pessoa mais humilde de qualquer lugar do Rio de Janeiro”, disse o petista. “Se ele precisar fazer radioterapia, ele vai fazer numa máquina que o Trump fará, que o [líder da Chinas] Xi Jinping fará, que o [presidente da Rússia, Vladimir] Putin fará e que o Lula fará. Ou seja, tratamento de saúde não é para rico, é para quem tá doente”, acrescentou.Adhanom está no Brasil para participar da 26ª Conferência Internacional sobre a Aids, que começou no domingo (27), no Rio, e vai até a próxima sexta-feira (31). Lula tem enviado recados a Trump, em meio à interpretação de integrantes do governo e da coordenação da pré-campanha de que o presidente dos EUA realiza uma ofensiva em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), na tentativa de interferência estrangeira na eleição brasileira.O Itamaraty negou o visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viajariam ao Brasil nos próximos dias. Segundo revelou o The Washington Post na sexta-feira (24), Trump planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal.Desde o dia 22 passou a valer novo tarifaço imposto por Trump a produtos brasileiros. O governo petista monitora a proximidade de integrantes da família Bolsonaro com o governo Trump. O presidente dos EUA recebeu Flávio para uma reunião na Casa Branca.Durante o evento, Lula voltou a criticar a administração nos hospitais federais do Rio de Janeiro no governo Jair Bolsonaro (PL). “Os hospitais estavam sucateados, não funcionavam mais as UTIs, não funcionavam as cozinhas. Até o estacionamento dos hospitais federais os funcionários tinham que pagar, porque era administrado pela família Bolsonaro. O que nós estamos fazendo é uma revolução. Se o Getúlio teve coragem de criar esse hospital na década de 1930 e 1940, não têm direito de destruir um patrimônio que o cidadão do Rio de Janeiro precisa”, disse Lula.


