As negociações que se encaminham para a convenção partidária estadual da Federação União Progressista (Federação UPB) trazem Roberto Cláudio como vice na chapa majoritária encabeçada por Ciro Gomes, pré-candidato ao Governo do Estado, afirmou Capitão Wagner (União Brasil) nesta quinta-feira (9) ao O Estado.
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Pré-candidato ao Senado, Capitão Wagner é presidente da agremiação no Ceará. Conforme adiantou este jornal na última quarta-feira (8), a federação vai realizar sua convenção partidária no próximo dia 26, após reuniões datadas do União Brasil e do PP poucas horas antes da convenção.
União Brasil e PP, sigla do Progressista, receberam autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no primeiro semestre deste ano para comporem uma federação – as legendas continuam tendo “vida própria”, como por exemplo acesso a recursos de fundos previstos em lei, mas se comportam em algumas circunstâncias como partidos.
Uma das possibilidades se dá com a convenção partidária, legitima a Justiça Eleitoral (JE). A federação, afirmaram em maio último ao O Estado Capitão Wagner e Roberto Cláudio, vice-presidente da agremiação no Ceará, pretende lançar 23 candidatos a deputados federais.
“Centro de conflitos”
O debate sobre candidaturas à Câmara dos Deputados ocupou o “centro de conflitos” nos últimos meses em torno do nome de Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza, um dos focos da direção nacional do União Brasil para a Casa, e depois da federação, para estar na nominata de parlamentares federais.
Ciro Gomes, contudo, declarou em diversas ocasiões, como no lançamento de sua pré-candidatura, em 16 de maio, que tem predileção pelo aliado, com quem dividiu projeto político no PDT Ceará. RC e Ciro se mantiveram próximos após o conflito que provocou cisão do PDT no Estado.
Para encontrar um meio termo entre lançar uma nominata expressiva, ou seja, com potencial de elegibilidade, e acenar “consideração” ao pedido do tucano, a direção nacional “sugeriu” que os interessados no nome de RC para vice articularem uma composição de forças para reunir “bons nomes” para concorrer a cadeiras da bancada cearense na Câmara.
No total, o Ceará tem 22 assentos no agrupamento. Questionado pela reportagem sobre a relação com o deputado federal Moses Rodrigues, presidente do União Brasil Ceará, Capitão Wagner disse que ambos seguem em boa convivência partidária apesar das divergências políticas. Moses compõe a coalizão do governador Elmano de Freitas (PT), que vai tentar a reeleição.
Até o início deste ano, Capitão Wagner argumentou publicamente que Moses poderia ser punido pelo partido caso mantivesse seu apoio à base governista, mas as declarações sobre conflitos locais foram convertidas em “tolerância”, em meio de campo de interesse de Antônio Rueda, do senador Ciro Nogueira e de ACM Neto, caciques nacionais da Federação UPB. O mesmo cenário se aplica ao deputado federal AJ. Albuquerque, presidente do PP Ceará, complementa o pré-candidato ao Senado.
“Aproximação com governo”
Também questionado pela reportagem sobre falas recentes do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB), sobre possível reviravolta do apoio da Federação UPB de maneira a contemplar Elmano, Capitão Wagner disse que a agremiação continua no projeto de oposição de Ciro Gomes e que eventuais conversas sobre a mudança de lado não estão na mesa.
O apoio chegou a ser anunciado por Moses em março deste ano, mas acabou não se consolidando, restando aos parlamentares da Câmara as presidências estaduais de União Brasil e PP.


