Vice-presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o deputado Danniel Oliveira (MDB) voltou a defender o nome de seu tio, Eunício Oliveira (MDB), como indicado, pela base do governador Elmano de Freitas (PT), a uma das vagas ao Senado sob o argumento de que uma “oportunidade de indicar alguém que pode voltar a ser presidente do Congresso” – o deputado federal foi presidente do Senado, e do Congresso, entre 2017 e 2019.
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“Nós temos, digamos, uma predileção por causa até mesmo de quem nós temos dentro do partido, que foi presidente do Congresso, tem uma forte influência em Brasília. Então, temos a oportunidade, dentro do partido, de indicar alguém para voltar ao Senado que pode voltar a ser presidente do Congresso”.
A afirmação ocorreu um dia após ser tornada pública a desistência mútua entre Eunício e Ciro Gomes, presidente estadual do PSDB, de nove processos judiciais. Sobre este aspecto, o estadual negou que haja diálogos entre seu tio e lideranças da oposição no Estado, hoje arquitetada pelo tucano.
O parlamentar cita o curso da gestão Elmano como “algo maior” e um “projeto do Estado”, defendendo a estruturação de uma “equipe que nos representará no Senado, no Governo, na vice, aqui nessa casa [na Alece]”.
“É óbvio que pode nesse afunilamento ter mais nomes do que vaga, é natural, mas existem as suplências, outros caminhos que a gente pode contemplar aqueles que, digamos, não tomarão a frente nessa eleição”, discorre sobre os nomes postos na mesa de negociação governista focada no pleito.
Sem vice
Danniel aponta também a expressividade da vaga de vice, até abril ocupada por seu partido. A posição escorreu das mãos do MDB quando a vice-governadora Jade Romero foi para o PT, o que culminou com sua mudança de foco para as eleições de outubro, já que seu partido precisa engajar, em nome da coalizão eleitoral, PSD e Republicanos, além de MDB e o PSB de Cid Gomes, na chapa majoritária.
Jade anunciou que será candidata à deputada estadual. Danniel sinaliza que atualmente a postulação do MDB não se refere ao posto de vice, reiterando assim o desejo pelo Senado.
Sobre a fala do senador Camilo Santana (PT) dada na semana passada ao O Estado CE, após este jornal questionar se o ex-ministro defende que a posição seja destinada a uma mulher e ter como resposta o “sim”, Danniel diz que interpreta a declaração como uma intenção, mas sugere não haver cenário de exigência de um nome feminino para a composição mista.
Questionado novamente sobre se o posto de vice é secundário nas negociações que o MDB tenta emplacar, Danniel volta a falar da presidência do Congresso.
“O que pode estar em discussão é a oportunidade do Ceará novamente ter um presidente do Congresso. E a nossa indicação prioritária, aquilo que a gente acredita que a gente mais fortemente pode ajudar nesse projeto, é com a indicação do Eunício”.
Danniel cita o presidente Lula em sua resposta. “Ele tem articulação em Brasília, amizade em Brasília, amizade no Senado, amizade com o presidente Lula, com condição clara de voltar a sentar nessa cadeira”. Ainda no período pré-eleitoral de 2022, Eunício ofereceu um jantar a autoridades políticas nacionais e recebeu Lula em sua casa em Brasília.
“Clã da oposição”
Sobre a suposta aproximação entre Eunício e Ciro, o vice da Alece afirma não haver “nenhuma conversa entre Eunício e o clã da oposição”, em que pese a legenda “já ter sido sondada milhões de vezes”. O parlamentar complementa que “Eunício é muito firme em suas posições” e que “Eunício, para abrir um diálogo com a oposição, primeiro teria que encerrar a sua participação aqui [na base de Elmano]”.
O MDB Ceará tem defendido unissonamente uma espécie de “dever de gratidão” por parte do projeto petista no Estado.
O argumento é o de que, quando a chapa para 2022 ainda estava em construção, após a frustração de Camilo e Cid pela ex-governadora Izolda Cela (PSB) não ter sido escolhida candidata ao Governo do Estado pelo PDT, Eunício apoiou o nome de Elmano, ainda que seu percentual de intenções de votos nas pesquisas eleitorais fosse baixo e a aceitação de seu nome não fosse consenso entre os aliados.
Eunício disputou e se elegeu deputado federal pela base governista, com posto majoritário ao seu partido, porém não nominal. O indicado para concorrer ao Senado em 2022, ano em que só uma vaga estava aberta, foi Camilo.
Neste ano, são duas. “O líder maior desse projeto, o ministro Camilo, não perde uma oportunidade de dizer, em todas as rodas miúdas, que o Eunício é o candidato ao Senado […] As conversas sempre foram no intuito e na clareza de que Eunício tem a participação efetiva na vaga majoritária”.


