O Brasil se despede nesta sexta-feira (17/4) de um dos maiores nomes da história do esporte nacional. Oscar Schmidt, considerado o maior ídolo do basquete brasileiro, morreu aos 68 anos, em São Paulo, após sofrer uma parada cardiorrespiratória em sua residência, em Alphaville.
O ex-atleta foi levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba, mas já chegou sem vida à unidade. A morte foi confirmada pela família, que informou que o velório será restrito aos familiares, atendendo ao desejo por um momento íntimo.
Conhecido mundialmente como “Mão Santa”, apelido que ele próprio rejeitava; preferindo “Mão Treinada”, Oscar construiu uma trajetória marcada por disciplina, talento e dedicação extrema ao esporte.
“‘Mão Santa é o caramba! É Mão Treinada! Acho que ninguém treinou tanto quanto eu treinei’”, costumava afirmar, ao destacar que sua genialidade era fruto de esforço contínuo.
Trajetória histórica no basquete
Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 1958, Oscar teve o primeiro contato com o basquete ainda jovem, em Brasília, após inicialmente se interessar pelo futebol. Sob influência de técnicos e familiares, encontrou nas quadras o caminho que o levaria à história.
Ainda adolescente, mudou-se para São Paulo, onde iniciou sua carreira no Palmeiras e rapidamente ganhou projeção nacional. Seu talento o levou à seleção brasileira, onde construiu uma das carreiras mais vitoriosas da modalidade.
Oscar participou de cinco edições dos Jogos Olímpicos: Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996; tornando-se o maior pontuador da história das Olimpíadas por muitos anos.
Com impressionantes 49.737 pontos na carreira, ele foi por décadas o maior cestinha da história do basquete mundial, marca que só foi superada recentemente pelo astro da NBA LeBron James.
Pela seleção brasileira, acumulou 7.693 pontos, sendo até hoje o maior pontuador da história do time nacional.
Entre suas principais conquistas estão:
- Medalha de ouro no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis
- Títulos sul-americanos (1977, 1983 e 1985)
- Medalhas em competições internacionais como Mundial e Copa América
Luta contra o câncer e legado
Nos últimos anos, Oscar enfrentou uma longa batalha contra um câncer no cérebro, diagnosticado em 2011. Foram cirurgias, tratamentos e uma luta que ele sempre encarou com coragem.
Em 2022, chegou a declarar que havia vencido a doença, destacando sua vontade de viver ao lado da família.
“Eu venci essa batalha”, afirmou à época.
Oscar deixa a esposa, Maria Cristina, e os filhos Felipe e Stephanie.
Um nome que marcou gerações
Mais do que números e títulos, Oscar Schmidt deixa um legado de inspiração. Sua disciplina, sua paixão pelo esporte e sua postura dentro e fora das quadras ajudaram a popularizar o basquete no Brasil e a formar gerações de atletas.
Admirador de ídolos como Pelé e Ayrton Senna, Oscar também costumava falar sobre concentração e fé como elementos fundamentais de sua carreira.
Com sua morte, o Brasil perde não apenas um grande atleta, mas um símbolo de dedicação, superação e amor ao esporte.


