Logo mais, às 10 horas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inicia o julgamento da homologação da União Progressista (UPB), que se vingar vai concentrar em um molde só os partidos União Brasil (UB) e Progressistas (PP).
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Ambos pertencem ao chamado Centrão, grupo de partidos com mandatos no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais, além de nas gestões de unidades federativas (UFs). Na esfera federal, portanto, na Câmara dos Deputados e no Senado, o Centrão dá as cartas na sustentabilidade ou não de governos, principal máxima do presidencialismo de coalizão em sua versão original, criada na década de 1980.
Alvo de contenda nos estados, a junção que pode se tornar uma federação nesta quinta-feira (26) nasce também de uma disputa, neste caso, internamente, na cúpula, que foi resolvida dois anos depois após sua primeira tentativa de fusão, em 2023.
À época, o presidente nacional do UB, deputado federal Luciano Bivar, que segue no partido, enfrentava resistência dos correligionários para a junção ao PP presidido pelo senador Ciro Nogueira e acabou sendo destituído da função de presidente meses depois, por uma jogada encabeçada por Antônio Rueda, hoje presidente, aliado de tempos do vice-presidente nacional do UB, ACM Neto, bem como de Ciro Nogueira.
Desde então, os diálogos para a federação avançaram. No início de dezembro do ano passado, o pedido de homologação foi enviado ao TSE e, por sorteio, ficou na relatoria da ministra Estela Aranha, que não se manifestou ainda sobre se é favorável ou não à composição.
A ministra pediu manifestação do Ministério Público Eleitoral (MPE) a fim de nortear sua decisão. Com o julgamento agendado para esta quinta, a expectativa é de que a relatora anuncie sua decisão, que pode ser aprovada ou refutada pelos demais seis ministros da Corte. Caso haja um pedido de vista, porém, o processo fica suspenso para análise por até 60 dias, conforme o regimento interno do tribunal.
Disputas nas UFs
Um dos principais capítulos dos entraves eleitorais para este ano com a indefinição sobre se UB e PP vão continuar separados ou se tornarão um só está no Nordeste. Em Pernambuco, por exemplo, o deputado Mendonça Filho (UB), aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), enviou ofício a Rueda no início deste mês solicitando que um pedido de cancelamento da homologação fosse analisado pela executiva nacional do UB.
“Considero indispensável que esta Presidência submeta, com a devida urgência, à apreciação da Executiva Nacional do União Brasil a avaliação do cancelamento do registro da Federação União Progressista, como medida necessária para preservar a estabilidade política, a segurança institucional e a capacidade organizativa do União nas eleições de 2026”, diz trecho do documento.
O parlamentar não obteve sucesso na solicitação. Em Pernambuco, o outro lado da disputa é encabeçado pelo prefeito de Recife, João Campos, presidente nacional do PSB.
No Ceará, a briga pelo controle da federação e pelo lado em que ela estará ganhou novos contornos na semana passada, quando o deputado federal Moses Rodrigues anunciou que Rueda e Ciro Nogueira haviam prometido o controle da federação no Estado ao parlamentar, o que beneficiaria o governo de Elmano de Freitas (PT). A informação foi dada em primeira mão pelo parlamentar ao O Estado CE.
Dois dias depois, questionado em Sobral por este jornal sobre qual certeza teria de que a Presidência da federação ficaria com o lado governista, já que Rueda e Ciro Nogueira vinham ao longo dos meses dando sinais dúbios de quem a federação apoiaria no Ceará, se base ou oposição, Moses disse que o fato de três entre quatro deputados, ao total, do UB e PP apoiarem Elmano teria convencido os presidentes nacionais.
Como moeda de troca, a retribuição do Palácio da Abolição foi a filiação da vice-governadora Jade Romero. O anúncio que a gestora realizou na sexta-feira (20) acabou sendo um aceno de confiança também do presidente do MDB no Ceará, Eunício Oliveira.
Adversário político de Moses em Sobral, o senador Cid Gomes, principal liderança do PSB no Ceará, afirmou à reportagem, no final de semana, que a base do governador, considerando o calendário eleitoral e o prazo da janela partidária, que se encerra no próximo dia 3, teria que arriscar diante do cenário ainda incerto do desembarque do UPB no projeto de tentativa de reeleição de Elmano. O julgamento será transmitido pelo canal do TSE no YouTube.


