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Pesquisa indica que 85% dos brasileiros já sofrem efeitos das mudanças climáticas

No Brasil, 85% das pessoas já notam interferências das mudanças climáticas no cotidiano. E mais: quase metade (46%) julga esse impacto como intenso. O dado foi obtido por equipes do Aurora Lab e da More in Common, em pesquisa sobre a transição de energias sujas para limpas, obtida com exclusividade pela Agência Brasil e que será lançada nesta quarta-feira (27), em São Paulo.A proporção de brasileiros que confia que o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção dos trabalhadores, nesse contexto, é de sete a cada dez (67%). Outros indicados a essa função são empregadores (7%) e grupos auto-organizados, como os de direitos socioambientais (menos de 6%).A preferência pelo Estado como o agente mais adequado para apresentar soluções de mitigação e outras medidas pertinentes surpreendeu os pesquisadores. “Também é um dado muito preocupante, porque ele tira ou não coloca a responsabilidade em cima dos empregadores. Cada vez mais a gente vai ter eventos climáticos extremos e eles têm papel muito importante em garantir a proteção dos trabalhadores no processo de transição também”, disse a diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo.O levantamento também demonstra elevada consciência (93%) de que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para se enfrentar a crise climática. No total, 74% concordam totalmente com essa afirmação.Uma parcela de 67% acredita que essas mudanças trarão bons frutos para a classe trabalhadora, em termos de abertura de vagas. Somente 10% discordam disso e pensam que terão o efeito contrário, de redução dos postos de trabalho.As entrevistas sondaram ainda a avaliação das pessoas sobre a ligação entre a transição e a configuração social do país. Quase a maioria (45%) acredita que a passagem para outros estágios energéticos promoverá redução das desigualdades sociais, contra 40% que acreditam que haverá manutenção ou, então, aumento das desigualdades (23% acham que vão aumentar e 17% que não vão mudar).Segundo Gabriela Vuolo, parte dos respondentes imagina que até mesmo os salários poderão aumentar. De acordo com a pesquisa, mesmo em uma era de disseminação de fake news, os brasileiros ainda confiam no que a ciência diz. Universidades e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados, enquanto as redes sociais são o principal meio de informação de 65% deles, quando o assunto é clima.A pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa será compartilhada no encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”. As entrevistas realizadas para a análise contaram com a participação de 2.630 pessoas com 16 anos de idade ou mais, de nove capitais: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O questionário foi aplicado entre os meses de maio e setembro de 2025.- Publicidade –

As principais reclamações sobre efeitos das mudanças climáticas

aTer que arcar com um custo maior de vida: 53%aProblemas de saúde física: 45%aObstáculos ao acesso ao local de trabalho: 40%aAdoecimento mental: 32%aPerda de renda: 17%aPerda de emprego: 10%

Com Agência Brasil

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