Partidos de oposição da Coreia do Sul apresentaram nesta quarta-feira, 4, uma moção de impeachment contra o presidente Yoon Suk Yeol após ele decretar lei marcial no país, na terça-feira 3. No mesmo dia, após pressão do Parlamento, que negou de forma unânime a medida, o político recuou – mas a crise já estava posta.
Para o pedido andar, é necessário o apoio de dois terços do Parlamento, dominado pela oposição, e a aprovação de pelo menos seis dos nove juízes que compõem o Tribunal Constitucional, informou a Associated Press. A moção, apresentada em conjunto pelo Partido Democrata, o maior da oposição, e outras cinco legendas menores, pode ser votado já nesta sexta.
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Diante da crise, os principais conselheiros e secretários de Yook se ofereceram para renunciar coletivamente. Além disso, membros do gabinete, como o ministro da Defesa, Kim Yong Hyun, também é pressionado para renunciar.
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Entenda a situação
O presidente sul-coreano decretou lei marcial sob o pretexto de proteger o país das “forças comunistas” e acusando a oposição de conduzir “atividades antiestatais” e citando suposta ameaça da Coreia do Norte. O mecanismo suspenderia temporariamente leis e direitos civis, os substituindo pelas regras e pela administração militar.
Na prática, a população fica sujeita a uma série de regras mais rígidas até que a ordem seja restabelecida, e Yoon justificou a medida como necessária para “garantir a liberdade e a segurança do povo” e “reconstruir um país livre e democrático”. O ato foi criticado até mesmo por membros do seu partido, o conservador Partido do Poder Popular.
Poucas horas depois do anúncio presidencial, o Parlamento do país votou de forma unânime para bloquear o decreto presidencial, mandando uma forte mensagem contra o que alguns dos políticos classificaram como uma tentativa de golpe de Estado.
Dos 300 parlamentares que compõem a casa, 190 participaram da sessão de emergência convocada durante o início da madrugada, e todos votaram contra a medida, vista como o mais sério desafio à democracia sul-coreana desde a década de 1980.
Imagens de televisão ao vivo mostraram militares, aparentemente encarregadas de impor a lei marcial, tentando entrar no prédio do Parlamento. Assessores parlamentares foram vistos tentando afastar os soldados usando extintores de incêndio. Os soldados deixaram o prédio pouco depois da votação dos parlamentares.
Desde que assumiu o cargo, em 2022, Yoon tem lutado para impor suas agendas contra um Parlamento controlado pela oposição. Antes do anúncio, o Partido do Poder Popular estava preso em um impasse com o Partido Democrata sobre o projeto de lei do orçamento do próximo ano. Yoon também tem rejeitado pedidos de investigações independentes sobre escândalos envolvendo sua esposa e funcionários do alto escalão, atraindo críticas duras de seus rivais políticos.


