O diretor da CIA, William J. Burns, desembarcou no Catar nesta quarta-feira, 18, para tentar firmar um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista palestino Hamas em Gaza, aumentando as esperanças de que o conflito de 14 meses finalmente chegue ao fim.
Burns, que é um negociador-chave dos Estados Unidos, deve se encontrar com o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, para conversar sobre as questões pendentes entre Israel e Hamas, disseram fontes informadas sobre o assunto à agência de notícias Reuters. O Catar, um mediador importante para o Hamas, está sediando a última rodada das tratativas por um cessar-fogo em Gaza.
O grupo palestino disse na terça-feira que o progresso alcançado nas negociações em Doha, mediadas por Washington, Egito e Catar, foi “sério e positivo”, indicando que uma trégua e a libertação dos reféns israelenses mantidos em Gaza podem estar próximos.
“O Hamas confirma que, à luz das discussões sérias e positivas que estão ocorrendo em Doha hoje sob os auspícios dos mediadores do Catar e do Egito, chegar a um acordo para um cessar-fogo e troca de prisioneiros é possível se (Israel) parar de estabelecer novas condições”, declarou o grupo em um comunicado.
Segundo fontes próximas às negociações no Catar, um tratado de trégua pode ser assinado ainda nos próximos dias, o que interromperia os combates e libertaria os reféns mantidos pelo Hamas em Gaza em troca de palestinos detidos em prisões israelenses.
Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
“Acreditamos – e os israelenses disseram isso – que estamos chegando mais perto, e sem dúvida, acreditamos nisso, mas também somos cautelosos em nosso otimismo”, disse o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, à emissora americana Fox News. “Já estivemos nessa posição antes, onde não fomos capazes de cruzar a linha de chegada.”
Negociações em andamento
Diferente das tratativas anteriores, desta vez ambos os lados se abstiveram de vazar detalhes do possível acordo para a mídia, uma estratégia que indica maior seriedade tanto de Israel quanto do Hamas em relação às negociações no Catar.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters e pelo jornal americano The New York Times, os mediadores propuseram um cessar-fogo inicial de 60 dias. Durante esse período, o Hamas libertaria alguns dos mais de 100 reféns mantidos em Gaza — incluindo corpos — em troca de palestinos presos em Israel.
Continua após a publicidade
Por meses, o Hamas exigiu que as forças israelenses saíssem totalmente da Faixa de Gaza como parte de uma trégua. No entanto, o grupo radical se mostrou mais flexível em relação a esse ponto na nova negociação, após ter perdido seus principais comandantes durante a guerra e o apoio da milícia libanesa Hezbollah, sua aliada desde o início do conflito até um acordo de cessar-fogo entrar em vigor no Líbano no mês passado.
O último, e primeiro, cessar-fogo em Gaza ocorreu em novembro de 2023, quando Israel e Hamas concordaram com uma trégua de uma semana e mais de 100 reféns israelenses foram trocados por centenas de prisioneiros palestinos.
Continua após a publicidade